Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Eu sempre quis falar sobre estupro, principalmente no mundo de hoje onde, infelizmente, temos um número crescente de abusos todos os dias. E hoje, decidi escrever sobre isso da forma mais profunda possível. Pode parecer um pouco chato, devido à quantidade de informação contida aqui e até mesmo os dados, mas por favor, caso você leia até o final, estará contribuindo com minha dor pessoal. Quer entender porquê?

Segundo a revista Exame (Editora Abril), em 2014, a cada 11 minutos, uma pessoa era estuprada no Brasil, isso equivale a quase 48 mil pessoas. Esses dados foram tirados dos boletins de ocorrência feitos pela polícia, o que gera em torno de 10% das denuncias. Ou seja, 90% não denunciam por muitos motivos: medo, culpa, pânico e, principalmente, família.

Mas aí você pensa "Meu Deus, como é que a família pode ser contra a denúncia de um estupro?". Isso é mais comum do que você possa imaginar. Cerca de 67% dos estupros são cometidos por parentes ou pessoas próximas e, 70% com crianças (!), e como eu já citei, apenas 10% é relatado. Com certeza você já ouviu notícias em que mães/pais ou parentes sabiam de casos de abuso e não denunciaram ou protegeram o acusado, e isso não é algo incomum, principalmente com pessoas que você talvez conheça.

Em vários casos a família tende a pensar que a vítima teve culpa por ter sido molestada, abusada, estuprada, entre tantas coisas. É uma roupa um pouco mais curta, é um sorriso tranquilo no rosto, é a falta de culpa (que graças a Deus muitas mulheres não sentem), é o namoro depois do estupro, entre outras coisas. Todos os atos que a pessoa, e no caso do exemplo, a mulher comete, é uma "desculpa" a mais para culpabilizar a mulher pelo estupro cometido à ela.

É difícil colocar na cabeça das pessoas que o pai delas abusou uma menina durante cinco anos enquanto ela era uma criança. Que o pai, o vô, o tio, molestou (e ainda o faz) uma menina que nem sabia o que ela tava fazendo porque confiava no tio. É difícil acreditar que uma pessoa que tem (aparentemente) uma vida maravilhosa, cheia de graça, com amigos homens e namorados, foi um dia, violentada sexualmente por um parente próximo até demais. É difícil acreditar que essa pessoa é sua melhor amiga, sua filha, sua sobrinha, sua prima. Que o molestador é seu pai, seu tio, seu avô (aham). É difícil.

Mas é difícil contar o abuso também. O receio da vítima é muito maior do que se parece. O medo de perder a família por ter o molestador inserido nela. O medo do julgamento, o medo da negação. 

Em 2014: "Pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que 58,5% dos entrevistados concordaram totalmente ou parcialmente com a frase "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros". Em relação a essa pergunta, 35,3% concordaram totalmente, 23,2% parcialmente, 30,3% discordaram totalmente, 7,6% discordaram parcialmente e 2,6% se declararam neutros." (fonte)

Me pergunto eu, porque ainda é tão difícil lidar com o abuso? Porque tantas pessoas ainda protegem e culpabilizam a vítima, sendo que ela não teve culpa nenhuma? Porque culpabilizam a mulher do estuprador por não ter dado uma vida sexual maravilhosa à ele? É cômico de tão trágico.

E no fim de tudo eu digo pra vocês: o estupro destrói, mas faz da vítima (após superação) uma máquina de força gigantesca que ninguém pode ter noção da existência. Não duvidem que o estupro exista, porque ele existe e está mais perto do que se possa imaginar, com pessoas mais próximas do que há noção. 



Reflitam. Obrigada por ler até aqui. 

“Não sei o que dizer de homens que são uns putos. É isso mesmo, aquele lá come todas, como pode? Faz um papel de vadio e nem cobra. Ainda por cima é vadio burro. Vive usando roupas extravagantes e coladas que chamam a atenção das mulheres. Depois reclamam de todo o assédio, dos assobios e das frases que ouvem todos os dias ao passar por um canteiro de obras.

As mulheres? Elas são mulheres, foram criadas assim, é a cultura, não tem o que fazer. Elas podem e devem dar para quem bem entender e usar a roupa que quiserem e não possuem direito de ser cantada na rua, até porque os homens são muito reprimidos para cantar uma mulher ousada e sedutora. Não são nem capazes disso.

A lei “João da penha” foi imposta para nada, até porque os homens sofrem abusos por usarem essas roupas chamativas. Ai deles se reclamarem, já que são os próprios que chamam o estupro. Não devem e não podem reclamar. Se não quiserem ser estuprados, que andem vestidos como homem de verdade, sem usar roupas que atraiam a atenção. Não podemos culpabilizar as mulheres por abusos caso o homem abusado esteja usando trajes indiscretos.

Esses dias eu estava passando de carro e vi um homem de short e chinelo, sem camisa. Olhem só! Depois corre para a delegacia reclamar. Mas voltando, ele era sarado, gostoso e delicioso, se fosse um pedaço de carne eu comia todinho – pensando bem ele é um pedaço de carne. Assobiei mesmo, chamei de gostoso e disse que pegava ele de jeito. O cara abaixou a cabeça e colocou a blusa. Uma pena porque eu estava adorando apreciar aquele porte másculo dele.

E tem outra, que ridículo esses gordos que se acham os reis e ficam usando roupas estravagantes também. Gordos não podem sair na rua, não possuem esse direito. Além do mais, merecem ser estuprados mesmo, já que querem mostrar o corpo gordo, que façam isso e ganhem o merecido presentinho.

Mas voltando aos homens, estou afim de abusar verbalmente de mais um hoje, quero o corpo de um dos rapazes que faz Administração na faculdade. Vou adicionar ele no facebook, chamar pra sair e dar um jeito de transar com ele. Depois deixo o imbecil lá. Homens são tão fáceis e inúteis, tão descartáveis que só servem para isso mesmo. Sexo.

Vou dar mais uma volta de carro, sei um lugar cheio de caras gostosos para paquerar. Vou colocar minha roupa mais atraente e passar meu perfume de mulher segura. Homens adoro isso. Tolos.”


(este texto é um reflexo do que vemos hoje na rua, do que ouvimos e temos que ficar quietas para não ser repreendida, pois até na própria delegacia da mulher você é taxado casa vá denunciar)

Não aceite abusos, busque seus direitos. Denuncie!
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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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