Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Quero olhar nesses teus olhos cor de entardecer e dizer que hoje a noite será perfeita, que já tenho tudo planejado aqui na minha mente e basta você seguir meus passos de dança.
Desculpa, eu sei que você não gosta dessa minha mania de querer controlar cada detalhe, mas deixa dessa vez? Só essa vezinha? Você não vai se arrepender.
Quero que você durma sonhando com um futuro para nós dois, porque eu já planejei tudo aqui na minha mente. Porque eu te quero por anos, para não dizer para sempre.
Desculpa, você deve morrer de medo dessa minha mania de saber exatamente o que eu quero daqui há dez anos. Mas, calma o futuro é tão incerto. Talvez semana que vem eu nem queira mais nada do que quero hoje - exceto pela parte de te querer.
Quero te marcar com meus beijos. E quero que estes sejam os melhores que você já experimentou na vida, só porque são meus.
Quero te pedir que fique quando sei que precisa mesmo ir embora, não por egoísmo, mas porque tua companhia é a melhor de todas que já tive.
Desculpa... por me apaixonar, por te querer, por ser sua.
Desculpa, é que eu não sei sentir de menos, mas deixo tudo guardadinho dentro de mim. Cabe a você querer me descobrir.
Quero desvendar cada olhar teu, que não são tantos quanto os meus, mas tão mais bonitos. E quero usar essa cor deles como espelho todos os dias, como um filtro para minhas fotos que nem bonitas são. Quero ver eles brilhando para mim, enquanto sorrio boba com tanta beleza.
Foi mal, é que eu tenho tentado esconder, mas meu sorriso me denuncia, meu coração me denuncia, minha pupila me denuncia... É que eu quero você do lado certo, do aveso e até de cabeça para baixo. Só você.




Acho que cansei desse teu mal humor de 60 anos que só existe quando eu falo contigo. E de todas as desculpas esfarrapadas que você inventa para justificar tuas atitudes de quem não quer mais nada mesmo morrendo de vontade de querer.
Cansei desse vai-e-vem que nunca chega a lugar nenhum. E desses nossos caminhos separados que eu insistia em juntar nem que fosse por uma noite, nem que fosse a força.
Cansei dos teus sumiços repetindos e das tuas reaparições quando eu já tenho partido para outra. E cansei mais ainda da minha atitude imbecil de largar tudo e me jogar de novo na loucura que somos nós dois, que éramos nós dois.
Eu apenas não quero mais esse teu amor que não chega a ser nem pela metade. Que não passa de um conta gotas. Que já nem pinga mais. Que não passa de uma ilusão que eu alimentei durante tempo demais.
Cansei porque eu acho - tenho certeza - que mereço mais do que uma noite. Que mereço alguém que não vá embora na primeira tempestade - alguém que não seja tempestade. Porque eu queria, pelo menos uma vez, ser maré e não essa ressaca que com você não tem fim.
Queria que você entendesse que já não quero mais - mesmo morrendo de querer. Que já tem outros braços enroscando o meu corpo pequeno. Outras mãos que seguram as minhas. E outros dedos - tão delicados - que deslizam pelos meus cabelos durante a noite inteira me fazendo um cafuné tão gostoso, como você nunca fez.
Cansei porque, existe outra boca beijando meus lábios. E outras palavras que me consolam quando nem dormir consigo. Que há outros pés que esbarram nos meus, mas não me acordam.
Eu cansei porque, mesmo ainda sendo tempestade encontrei alguém que me faz ser garoa vez ou outra - mesmo que por pouco tempo. E ser garoa é tão bom, de uma forma que eu nunca imaginei que fosse.





Esse texto é sobre a forma como você sorri. Sobre como seus olhos imitam sua boca quando ela fica curvada e seus dentes - tão branquinhos - aparecem. É sobre aquele som gostoso - meio rouco e tão sexy - que suas cordas vocais produzem quando a felicidade te preenche.

É sobre como você passa sabonete começando pela barriga e a forma como você esfrega bastante seus pés. Também é sobre aquela sua mania - meio infantil - de ficar soprando a água no meu rosto enquanto eu espero a minha vez.

É sobre as constelações desenhadas na sua pele branquinha, quase transparente. Sobre suas crises alérgicas quando meu cabelo pousa sobre o seu nariz enquanto dormimos. E sobre o cheiro que fica nos pelinhos do seu peito - e sobre como meu rosto repousa ali quando nos abraçamos - que eu tanto amo.
Isso é sobre aquela noite em que eu confessei que te amo e sobre todas as outras - poucas - que se seguiram depois dela.

É sobre como meu mundo para quando você passa na rua me olhando e como eu fico sem palavras para conversar com você, mesmo te contando tudo que acontece na minha vida.

É sobre a minha vontade de te ligar de madrugada quando algo ruim acontece e te pedir que "por favor, não sai da minha vida". Porque também é sobre todas as partidas que já aconteceram e como eu sempre fico partida.

É sobre um fato incontestável: eu me sinto só sua.

Sobre a forma como você toca a minha pele - quando nua - e faz com que eu não queira ser tocada por mais ninguém. É sobre todas as confidências e carinhos trocados no pós sexo.

É sobre como eu queria poder te abraçar em público - um dia. E sobre aquele livro que comecei a escrever sobre você. É sobre como eu gostaria que o amanhã nunca chegasse porque eu sei que você vai ter que ir embora e bem, eu só queria mais um abraço, mais um beijo.

E porque eu sei que você vai partir um dia. Porque sei que errado com errado nunca vai dar certo e por isso nós temos exatamente 99% de chances de não ficarmos juntos e ainda assim eu não consigo te dizer "não".

Camila Leal, Colunista

Com o passar dos anos estamos substituindo o toque e o contato pelo toque na tela do celular e o ouvir através de uma ligação. Deixamos de conversar nas mesas dos bares e restaurantes para ficarmos cada com no seu mundinho, falando com pessoas que estão longe e as vezes até perto. E sim, esse papo já é tão clichê, já tem enchido tanto o saco, já tem esgotado tanta gente, porém todo esse papo não adianta muito. Existem tantas campanhas para tentar fazer com que nós deixemos de lado essa vida de conexão 24 horas por uma vida de mais contato com o humano, pela carícia, pelo papo olhando nos olhos.

Nós não mantemos mais vínculos humanos. E não entenda como se eu dissesse que seus contatos do whatsapp ou facebook fossem seres extraterrestres, o que quero dizer aqui é que trocamos o humano pelo virtual, pelo ver através de uma tela de computador. Andamos por aí carregando nossos celulares sempre conectados, chegamos a certo e a primeira coisa que perguntamos não é o preço da comida, mas sim o famoso “qual a senha do wifi?” e o mesmo ocorre na casa dos amigos e familiares.

Lembro de ter lido uma frase recentemente no status do whatsapp de um amigo que dizia “menos touchscreen e mais touch skin” e me deparei com tamanha hipocrisia, pois esta mesma pessoa fica online 24 horas e se fosse possível ficaria até umas 30. Mas, parei para pensar por uns minutos e realmente aquela frase deveria ser tomada como uma “missão de vida”, pois se conversa tanto através das redes que quando você vê aquela pessoa especial pessoalmente não existe o que perguntar, você já sabe tudo e então me lembro de twit que vi “se nós já conversamos sobre tudo 24 horas quando nos vermos a gente só transa” e bem, não deveria ser assim, não poderia ser assim.

Onde estão as cartas dessa geração? Aquele velho segurar a mão e o famoso namoro de cadeirinha? Ainda existe quem mande flores? Quem compre papel? Alguém ainda sai para conversar? Só conversar, sem tocar no celular, sem ser interrompido por ligações ou pelo bip do whatsapp? Onde estão as pessoas que se desligam por uns minutos do dia e apreciam a companhia daqueles que amam? Alguém ainda para e assiste aquele velho filme em família? Falando nisso, alguém ainda se reúne em volta da mesa para almoçar?

Bem, nós estamos nos estragando, nos afastando, nos isolando de nós mesmo. Somos nós os culpados da nossa própria destruição, somos os vilões das nossas próprias vidas. É meio como Bukowski escreveu “O que matou os dinossauros foi que eles comeram tudo à sua volta e depois tiveram que comer uns aos outros e com isso só um restou e o filho da puta morreu de fome.”

Será que não estamos fazendo com a humanidade? Será?


Camila Leal, Colunista.

Na maioria das vezes ele nem vai te ligar no dia seguinte. Vai deixar aquele papel com o número do teu telefone no bolso da calça e mandar a mesma pra lavanderia. Ele salvou no celular? Então talvez dê um jeitinho de nem sequer lembrar teu nome, na verdade, nem vai precisar de jeitinho nenhum, ele realmente não vai lembrar.


Aquele emprego de sucesso caído do céu e aterrissando de paraquedas no seu colo? Meu bem, isso não existe e se aconteceu das duas uma, ou o salário é um lixo, ou você vai ser usada como laranja por alguma facção do mal que trabalha com o tráfico de órgãos e pior ainda eles vão ser descobertos e só você vai ser presa.


A cabeleireira te prometeu aquele milagre capilar com apenas uma aplicação e nem custa tanto? Calma ai e vai devagar porque provavelmente seu cabelo cai cair, você vai ter caspas e com um pouco de sorte talvez você nem fique careca, não totalmente pelo menos.


Ele parece um príncipe saldo direto dos livrinhos infantis? Deve ter chulé. Com certeza tem mais uma duas além de você, no mínimo. DST's? Deve ter de monte, "pra dar e vender", como diria minha mãe. Na melhor das hipóteses talvez o único defeito dele seja ser o "filhinho da mamãe" e prepare os ouvidos para ouvir falar dela por... talvez vinte horas por dia. Vai ver ele tem caspas, ou não usa desodorante, mas tenha plena convicção de que algo errado ele tem, ninguém é perfeito.


A vida não vai te dar algo tão bom caído do céu, porque sabe o que cai do céu? Cocô de pombo, ou de qualquer outro pássaro.


Quem sabe, aquele carinha tímido que estuda com você desde o primeiro semestre da faculdade. Aquele que é meio nerd, que sempre tirou dez e tem o IRA lá em cima. O que consegue as melhores bolsas de pesquisa e não precisa babar nenhum professor para isso. Aquele que vez ou outra te empresta uma caneta na hora da prova, que gagueja quando tenta te dizer um "oi" e que nunca saiu por ai se gabando de nenhuma menina com quem já namorou. Talvez ele nem seja tão bonito, tenha milhares de defeitos e não esconde nenhum. Talvez ele sim, seja aquele "príncipe", certo, meio fora dos padrões, porém com muita vontade de fazer alguém como você feliz.


Provavelmente, tudo vai desabar um dia. Mas, quando você menos se importar e parar de procurar por pessoas tão perfeitas, aquele rapaz que citei no parágrafo anterior apareça e te faça muito mais feliz que aquele lá de cima que abria a porta do carro, mas só queria te comer. Porque é como disse a Isabela Freitas, "o amor vem para os desavisados".

Camila Leal, Colunista.



O pneu do seu carro furou. Você perdeu a chave de casa. Aquele projeto que você se dedicou tanto para fazer não foi aceito. Você reprovou naquela disciplina que tem pré requisito. Seu cabelo está caindo mais que o normal e seu cachorro fugiu. Aquela roupa que você tanto queria saiu da liquidação e agora custa o dobro e o limite do seu cartão de crédito acabou. Sua tia esta doente e aquela sua unha encravada ta ficando pior. Seu mundo esta de pernas para o ar e você não tem noção do que fazer.

Tudo mundo já passou por isso, eu mesma já tive meu mundo de pernas para o ar por tantas vezes que perdi as contas e veja, continuo vivinha da silva. 
Ele te deixou, mas e dai? Tem tanto cara legal no mundo, tem tanto cara melhor que ele. E você só precisa de uma pessoa para ser feliz: você mesma. Para e pensa um pouco e você vai ver que se ele tava ali por um/dois/três anos só você ficou a vida inteira ao seu lado. Em momentos fáceis e difíceis era você que estava lá enxugando suas próprias lágrimas.


Tudo tem um começo, meio e fim. Fim: três letrinhas que machucam bastante, porém você tem que aprender a olhar pelo lado positivo, porque se teve um fim, logo logo vai ter um começo. Bem, a vida é isso mesmo, esse ciclo meio vicioso, meio doloroso as vezes e bem feliz em outras.

Pega um caderno e começa a anotar tudo o que ta dando errado, depois escreve tudo o que você quer, todos os seus sonhos, os que se realizaram e os que você tá indo atrás. Se olha mais no espelho. Compra um batom novo, aquela roupa que nem ta mais em liquidação. Faz um acordo com o banco do seu cartão. Um dia é de tempestade, no outro vai vir aquele lindo arco-íris.

Camila Leal, Colunista.
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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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