Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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A transexualidade atingiu um novo patamar na cultura pop em 2015 e nesse começo de 2016. De cabeça, posso citar a midiática transformação do ex-atleta Bruce Jenner em Caitlyn Jenner, as atrizes transexuais Jamie Clayton e Laverne Cox, das séries Sense8 e Orange is the new Black, ambas da Netflix, vem conquistando prestígio na mídia. E não seria diferente com “A Garota Dinamarquesa”, que teve sua estreia em 11 de fevereiro aqui no Brasil.

Passada no começo da década de 20 em Copenhague, Dinamarca, a história conta a vida do pintor Einar Wegener, muito conhecido pelas suas paisagens pantanosas de sua infância, e de sua esposa, Greta, que pinta retratos para os burgueses e está lutando para ser mais reconhecida. O casamento dos dois era como qualquer outro durante seis anos, até que um dia, Greta pede para que o marido coloque um vestido para que ela possa terminar um quadro, e tudo acaba mudando a partir daquele instante. 


De uma brincadeira entre marido e mulher, Einar acaba descobrindo que dentro dele há uma moça chamada Lili, a muito tempo adormecida, e que precisa ser mostrada para o mundo. Ela passa a posar usando vestidos para que sua mulher possa pintá-la, e a sair na rua assim, chamando a atenção de rapazes e de todos os que estão em volta. O que antes era apenas diversão acaba se tornando uma vida, e uma questão de saúde. A história mostra como Einar lutou com “garras e dentes” durante o dia-a-dia para se tornar Lili, como sua mulher, amigos e os seus conhecidos mais próximos, e mesmo os distantes, reagem a isso, e como ela sacrificou toda a vida que conhecia para viver uma que realmente valesse a pena.

Com uma fisionomia pouco atrativa e, ao mesmo tempo, singular, Eddie Redmayne, tem também uma androgenia que o torna uma escolha perfeita para viver Lili nas telas. E se restava alguma dúvida sobre o seu talento desse vencedor do Oscar “A Teoria de Tudo”, em “A Garota Dinamarquesa” o vemos novamente em um trabalho extremamente meticuloso de composição. 

A química entre Redmayne e Vinkader funcionou com eficácia e harmonia, permitindo que o talento individual de cada um fosse explorado de maneiras distintas. Eu chorei muito com esse filme porque dá para sentir todas as angústias e dores que a Lili sofre até aceitar quem ela realmente é! 


Escrever uma crítica não é somente julgar, mas, ter empatia. Conhecer o tema... ou determinado assunto. O autor levou em consideração não somente uma história comovente e sofrimentos extremos, mas algo em comum... O amor. Mostra toda a sensibilidade não compreendida dos transexuais que sofrem com a falta de respeito e apoio da família, amigos e da sociedade. Deixa evidente a diferença entre ser um homem/mulher trans ou de alguém fisicamente com características femininas e se travesse de "mulher". Ser transexual é muito mais que isso. Onde nesse roteiro mostra uma parte de toda a "odisseia" vivida por indivíduos trans. Um excelente filme com atores fiéis ao papel de maneira superbe! 

A humanização da relação das duas protagonistas (nesse caso do Redmayne e da Vinkader) é belíssima e a sinceridade com que o filme trata o dilema da Lili é tocante. Sem nunca cair para o completo melodrama, sempre dando asas à sutileza, em cenas que insinuam sentimentos ao invés de ficarem colocando o personagem para narrar o que sente. O ponto de vista da história quer enfatizar a luta pelo qual um transgênero precisa passar para aceitar a sua condição e romper com barreiras psicológicas. Não é uma situação fácil, algo que nenhum cisgênero deve ser capaz de entender, mas filmes como esse, sem dúvida, servem para ajudar nisso. 


“A Garota Dinamarquesa” é uma adaptação do livro homônimo de David Ebershoff, porém, é preciso levar em consideração que muitos fatos foram infundados para surtir dramatização à história que ele quer contar. O ponto partida da verdadeira história de Lili está na sua autobiografia “Man Into Woman”, mas que se aproveita de breves momentos para mostrar ações que, infelizmente, se repetem até hoje em dia, como a agressão (em muitos casos, fatais) contra os transexuais e homossexuais, e também a repressão contra as mulheres. 

Mas é isso, mais do que contar uma importante história, o grande trunfo desse filme é trazer para o grande público a temática trans e a importância de respeitar a identificação do próximo. Uma obra comovente, de muita sensibilidade, superação e situado numa época que transexualidade/homossexualidade era tratado como doença.

Colaboração do leitor Tom Martins


Confesso minha vontade de comer sushi com chocolate, mesmo achando que o gosto não deve ser nada saboroso. Minha vontade de picar morangos e colocar dentro do arroz para ver se ele fica rosinha. Que eu desejo todos os dias tomar leite e depois colocar ele para fora pelo nariz, como se isso fosse coisa de gente normal.
Confesso que eu odeio usar calça comprida, porque já me acho baixinha demais. E que vestido longo não fica nada bem no meu corpo e mesmo que eu morra de vontade de usar um eu jamais compraria. Confesso que queria aquelas barrigas negativas, pois acho aqueles croppeds super charmosos e não tenho coragem de usar.
Confesso que fui apaixonada por um menino no jardim de infância e ele nem era o mais bonito da turma - na verdade, nem chegava aos pés dele - mas, era o mais fofo de todos. E confesso também que no dia dos namorados eu mandei um bilhetinho escrito "te amo" para ele em papel vermelho e marcado com o cheirinho do meu perfume.
Confesso que já fui mais boba e que ainda sou, mesmo negando com todas as forças.
Confesso que por mais que tenha doído e ainda que ainda vá doer, nossa separação foi a melhor a nossa melhor escolha. Mas, ainda assim, confesso que eu sinto muito a sua falta, principalmente quando vou deitar e minha cama fica com um espaço enorme vazio.
Confesso, eu guardo um vidrinho com um pouco do teu perfume escondido no meio das minhas maquiagens e que quando eu saí colorindo tudo de azul foi porque no fundo eu sempre te associei a essa cor - e isso, de cor, só nós poetas e amantes entendemos.
Te ver com outra nunca vai ser fácil - confesso isso com lágrimas nos olhos. Porque eu sei que na realidade você jamais foi meu, assim como eu nunca fui sua, mesmo sendo. Confesso ainda que tudo isso - de nós - sempre foi muito complicado para minha mente.
É triste, mas, confesso que eu não sei ser só e também não sei ser junto. É complicado, eu sei.
Acho que por fim, eu confesso que mesmo confessando tudo isso a vocês eu ainda tenho muito mais a confessar. É que eu mesmo eu sendo tão solta no mundo, as vezes morro de medo de decepcionar todos ao meu redor.


Na ultima sexta feira de setembro (29), em São Paulo, ocorreu o primeiro show da Prismatic World Tour no Brasil, com todos os ingressos vendidos a cantora californiana Katy Perry, 30, fez show para cinquenta e cinco mil pessoas no Allianz Parque (ou conhecido popularmente como a arena do Palmeiras).


Não é a primeira vez da cantora no Brasil, ela já esteve com a California Dreams  Tour em 2011 e no ano seguinte na Premiere de seu filme/documentário intitulado  “Part of me”.
 Fazendo quatro anos desde o seu primeiro show no Brasil (também em São Paulo) a cantora relembrou o quanto o publico brasileiro a ajudou em um dos piores momentos de sua vida, o divórcio com o ator e comediante Russell  Brand, o que a fez lembrar do amor de seu público brasileiro dizendo que os fãs do mundo todo deveriam ser como nós e ainda afirmou que sempre voltará ao país, pois como a mesma disse: “Brazil, eu te amo unconditionally”



Mesmo elogiando o público Katy não trouxe toda a estrutura do palco que você pode assistir vendo vídeos no youtube ou no próximo DVD da cantora, nada de pirâmide que se abre durante a abertura do show, nada de telão em forma triangular ou muito menos a “reflection section” (área destinada para que alguns fãs ficassem mais próximos da cantora)  cercada por uma passarela também triangular. Ao contrario dos peruanos, tivemos o cavalo mecânico em “Dark Hose” e as perucas da turnê. Assim como o show do Rock in Rio, em São Paulo houve cortes na setlist com as canções “This Moment”; “Love Me”; “Double Rainbow”; “Its Take Two” e “Birthday”, porém muitos fãs pediram a canção “This Moment” durante a parte acústica do show, fazendo Katy olhar o público com aquela cara de “Gente desculpa, mas não vai rolar não” o que trouxe pontos negativos à grande produção e infelicidade dos KatyCats, além disso muitos fãs que já estavam na fila à cerca de um mês como Samuel Balarini, 26, se irritou com a organização do evento, já que aguardava e revezava  com os amigos na fila, e  durante a abertura dos portões [a organização, ou a falta dela] não obedeceu de cerca forma a ordem de chegada, posso dizer que foi como uma abertura de uma porteira para o gado, com muita correria e direito a agressões para melhores posições na pista. 


Sempre carismática a cantora sempre chama um fã para subir ao palco, e em Sampa não foi diferente, Lucas (19 ou 20 anos) foi chamado pela cantora ao palco, o garoto estava caracterizado como Katy em 2008 no MTV Europe Music Awards, o nervosismo dele era tão alto que ele não conseguiu dialogar com a cantora que o questionou se ele era brasileiro, Lucas mesmo sendo brasileiro disse que não, o que fez Katy Perry chamar uma fã ao palco, Débora de São Paulo, que estava vestida como a cantora na sessão “Hiper Neon” com direito a selfies e novas palavras em português para Perry.
“Não fala da momma / Don’t say shit about Katy” e o famoso “Morta” serão para sempre os bordões da cantora e para seus fãs em solo brasileiro.


 Com um show extremamente visual, o vocal da cantora é realmente percebido durante a sessão acustica, mostrando que apesar de comentários ofensivos  Katy Perry é sim uma artista e tem seu lugar no mundo da musica pop e merece a vizualidade que lhe é dada.


Rafael Marri Cecilio é estudante do primeiro ano do curso de Jornalismo da Faculdade Maringá e colaborador pro Cranela. 
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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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