Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Não temos um futuro distópico, muito menos um drama psicológico profundo, com diversas camadas de emoções humanas (hahahaha sei, são mutantes). Contudo, temos um road movie com uma pegada “família” e o Wolverine/Logan, que sempre desejamos nos filmes da Fox. Claro! Essa unidade familiar é cheia de erros, a começar pelo fato de que os envolvidos não possuem parentesco direto. Outro ponto controverso é a relação forçada entre Logan e X-23, que ocorreu muito mais por insistência de Xavier. Este por sinal, sofrendo de Alzheimer, o que coloca todos ao seu redor em risco quando acontece uma perda de controle de suas capacidades mentais (poderes). Coloque nisso tudo sangue, e temos o que para mim se não é o melhor filme sobre X-Men já feito, um dos três melhores.
 Logan (2017), é tudo que faltava na franquia do mutante Wolverine. É um filme violento, dramático sem perder a mão e verdadeiro em suas propostas. Nesse caso, apresentar uma alternativa para todo o universo dos mutantes no cinema. Não inventou um novo conceito de filmes de super-heróis, por que dificilmente essa linha agressiva de narrativa será seguida. Não teremos cabeças rolando, pernas sendo cortadas e o uso exagerado de drogas lícitas em filmes da Marvel (estúdio), DC e me arrisco a dizer nos próximos filmes da Fox, com exceção de DeadPool. São situações que não se encaixam na zona de conforto dos filmes desses estúdios.
O momento para o filme do Carcaju ser para maiores de 18 foi propício e teve pontos e situações favoráveis. DeadPool, Hugh Jackman se aposentando do papel, e claro a vontade do povo em ter um Wolverine decente. Se nada disso estivesse acontecendo ou acontecido (hahahahaha), o filme teria sido violento mas, com certeza sem tanto sangue, pernas voando, ou cortes profundos detalhados nos close da câmera. Esse talvez seja o mérito desse filme, mostrar tudo e ainda assim entregar uma história que te prende. Nesse ponto entra a família, mesmo a desajustada união dessas figuras te faz pensar nos fatos anteriores aos eventos do filme. Como tudo chegou aquele ponto. Os três representam um ciclo. O velho sábio, o adulto impulsivo e a criança ingênua. Parece estranho essas colocações, mas, esse caminho com suas lacunas sugerem ideias que mortificam a condição especial de ser mutante naquele contexto.

Apresenta o fim lógico para todos os serem vivos, a morte, aqui exaltada em Xavier. O cansaço do tempo e a perda da paciência, personificada na figura acabada de Logan. A pureza e imprudência da tenra idade que não consegue discernir certo do errado sem uma orientação, fica visível na agressividade de X-23. Figuras díspares que triunfam em seus objetivos na história. Nesse trajeto falta o jovem adolescente, em seu auge de arrogância e força física. Nesse caso podemos entender o ser humano normal, como uma alegoria a está fase da vida. Algo que ficou para trás na evolução e tenta em suas revoltas e tentativas de controle domar o tempo, e a juventude que foge deixando suas marcas.

EMIR BEZERRA

 Ele tinha certeza: Ela o amava. E foi usando desse álibi que ele pisava, magoava e depois pedia perdão, pois sabia, ela o perdoaria. O coração dela sempre muito solícito perdoava e se recompôs por diversas vezes. Tentou fazer dar certo, engoliu os sapos e acabou se engasgando com aquelas palavras não ditas por medo de começar ou prolongar uma briga.
E então depois dos erros ele apaziguava a tempestade que havia criado e de alguma forma tentava consertar as suas falhas. Mas depois de um tempo falhava novamente. Lá estava ele machucando o seu coração com palavras que não deveriam ter saído do seu pensamento. Lá estava ele dizendo o que não queria ter dito ou feito isso, mas pela força do momento, pelo impulso, acabou dizendo. Seu orgulho o cegou. Não conseguia pedir desculpas e deixava o tempo passar. Ela orava e pedia a Deus para acalmar a tempestade do seu coração, por diversas vezes chorou baixinho no colo de Deus pedindo respostas. Ela não queria desistir, ela o amava tanto que só queria que as coisas melhorassem e que o amor voltasse a ser leve.
Naquele momento ela entendia perfeitamente o poder das palavras, e como aquelas frases ditas por ele feriram o seu coração. Como dói ouvir certas coisas de quem amamos como fere as desculpas dadas, a indiferença e até o que não é dito, afinal o silêncio também machuca e nos deixa impotente diante do outro. Ele não regava o jardim dela, não plantava flores e não semeava.
Ela por muito tempo tentou fazer dar certo. Insistiu, e tentou recomeçar, usando do diálogo como ferramenta deixando o orgulho de lado e exercendo a paciência, abriu o seu coração e mergulhou nessa história de amor sem medo. Por diversas vezes, disse o quanto estava disposta a lutar por essa história, e embora ele concordasse com a cabeça, não fazia por onde, eram apenas palavras e não passava de teorias.
Ele achou que nunca iria perdê-la. Por mais que ela avisasse que um dia iria cansar ele não deu bola, achou ser fase, momento ou bobagem. Enquanto ela não o deixou partir, ele partia o seu coração. Os recomeços mais pareciam um fim. Mas um coração cansado por mais que pulse decide ir porque não aguenta mais sofrer. A gente cansa de chorar baixinho de encharcar o travesseiro com lágrimas durante a madrugada e de parecer bem no outro dia para não ter que explicar tudo o que aconteceu. Ela cansou de tentar consertar os erros e de ter as suas feridas sempre cutadas. O amor de forma alguma dá as costas para a dor do outro. Quem ama cuida. Protege. Acolhe. Quem ama semeia o jardim do outro e por mais que traga alguns espinhos, sabe fazer daquele terreno terra fértil. Não insiste naquilo que machuca, arranca risos e deixa  saudade como quem volta depois com uma rosa.
O amor é uma via de mão dupla não dá para apenas um tentar construir se o outro deseja se acomodar. Ele pela força do hábito achava que o que ela fazia era suficiente, ah como ele gostava de se sentir amado e importante. Como ele gostava dos agrados, dos sorrisos, das surpresas. Ele gostava mesmo de se sentir lembrado no meio da semana, na ida ao supermercado e de ganhar o seu chocolate preferido numa quarta-feira qualquer. Entretanto, ele não se lembrava dela, não demonstrava saudade e esquecia do interesse. Ele achou que isso não iria se esgotar. Não regou e deixou morrer o sentimento mais puro que alguém poderia lhe oferecer. Deixou partir quem fez de tudo pra ficar.
E então, depois de tantos tombos, falas que feriram o seu coração, e avisos, ela cansou, pegou as suas coisas e foi, mesmo que a partida doesse mais do que os espinhos que havia ganhado. Ela no deserto quis florescer e sabia que ali as flores murchariam. Com a sua partida ele percebeu o seu valor, notou que deixou ir quem queria fazer morada, deixou ir quem fazia de todo o possível para vê-lo feliz. Quem sonhava junto e não tinha medo dos vendavais, afinal ela sempre segurava a sua mão. Mas agora, era tarde demais. Ela prosseguiu como quem sabe que tomou a decisão certa e ele, que sempre achou que nunca a perderia, acabou perdendo por não regar o seu jardim e por esquecer de que o amor é uma flor que precisa ser regada diariamente. Ele se esqueceu de contemplar a sua beleza e depois de tanto partir o seu coração ela partiu como quem não quer mais um amor cansado, como quem não quer mais migalhas. A saudade e o arrependimento já não eram suficientes para tê-la novamente. Aquele seu coração bondoso e disposto a recomeçou, hoje se tornou um coração decidido a não retroceder ao mesmo lugar que lhe roubou o seu riso fácil. 

Thamilly Rozendo



Eu achava que não precisava de ninguém, depois de tantos tombos e feridas me fechei para esse tal do amor. Na verdade eu não sabia que eu precisava, depois de tantas histórias e fracassos, de alguém que tivesse paciência comigo, que entendesse as minhas feridas e a parede que criei em meu coração. Alguém que visse os meus bloqueios como algo que pudesse ser destruído, que não entendesse as minhas grosserias e falta de romantismo como falta de sentimento, mas como medo. Medo de me machucar, de novo.
Eu só precisava de alguém que olhasse para mim por segundos e que sussurrasse ao meu ouvido o quanto eu estava linda, que gostasse do meu pijama velho, do meu cabelo desarrumado e adorasse a decoração nova que fiz no meu quarto.
Eu só precisava de alguém que se preocupasse com os meus problemas não a ponto de resolvê-los, mas que se importasse com a minha dor. Que ao olhar para o meu passado e a minha história entendesse o porquê de tantas barreiras.
Eu só precisava de alguém que se lembrasse do meu chocolate favorito quando vai ao supermercado, que achasse graça no meu sono exagerado e nessa minha paixão por comida.
Eu só precisava de alguém que me abraçasse bem forte como quem diz “Eu te protejo”. Alguém que fizesse dos meus domingos tediosos mais alegres e que tornasse um filme dublado engraçado e divertido. Alguém que me mandasse um verso bonito que leu num livro qualquer.
Alguém que entendesse que não sou esse coração de pedra que dizem e que ao me conhecer enxergasse o melhor de mim, sentindo saudade quando eu tivesse que partir.
A verdade é que eu almejava por alguém que entendesse o meu medo de se apaixonar novamente, mas que fizesse com que eu me apaixonasse num piscar de olhos, daqueles sentimentos que quando a gente vê, já foi. Uma companhia boa daquelas que o tempo voa quando a gente está perto. Alguém que adorasse o fato de ficar deitado comigo, olhando paro céu, para estrelas ou para a parede velha do meu quarto, planejando um futuro mesmo que distante. Eu só precisava de alguém para compartilhar os meus segredos, contar como foi o meu dia e que não achasse os meus sonhos uma bobagem.
Como eu queria alguém que se orgulhasse de mim, que vibrasse com as minhas vitórias e que adorasse brincar com o meu cachorro. Eu só precisava de alguma forma saber que alguém não iria desistir de mim na primeira dificuldade, e mesmo com todos os bloqueios que criei, não iria desistir de mim na primeira briga ou me abandonar no primeiro problema. Eu só precisava de alguém que tropeçasse nesse tal de amor, que esbarrasse em mim e me abraçasse como quem diz “esse foi o melhor tropeço da minha vida”.
Eu queria ter o meu tempo respeitado, na verdade, eu só precisava de alguém que fizesse eu me arriscar e que me desse coragem para tentar o novo.
Na realidade eu só precisava de alguém que me fizesse entender o porquê de nunca ter dado certo com ninguém antes. Logo eu que achava não precisar de ninguém, depois de tantas dores e de quase desacreditar do amor, hoje me vejo tão bem ao lado de um alguém que ao invés de espinhos, trouxe flores. 

Thamilly Rozendo

Qual é a sua concepção sobre o amor?
Já vi muitas pessoas suspirando de amores quando acabam de ver um filme de romance e dizer: “Isso só acontece na ficção, na vida real não é bem assim” em tom de desapontamento.  Realmente a realidade é bem diferente dos filmes romanceados que vemos por aí. E na maioria das vezes esse é o nosso problema, porque idealizamos demais algo que foge do certo e errado, de algo que não se enquadra em padrões, e, como consequência estamos sempre  nos decepcionando quando o assunto é esse tal do amor. Idealizamos um amor que está longe de ser e de acontecer, porque o amor não segue essa lógica idealizada. Na vida real o amor enfrenta o medo, encontra como bloqueio as diferenças e a insegurança.
Nem sempre o cara vai te levar para um jantar a luz de velas e o primeiro encontro será perfeito, daqueles que você chega em casa suspirando e corre contar para as amigas. Nem sempre ele vai te ligar incansavelmente até você atender depois do primeiro encontro. Talvez na realidade as coisas sejam um pouco diferentes, talvez vocês se conheçam comendo um "dogão", se lambuzando de sorvete e rindo de coisas bobas em uma noite qualquer, talvez ele vá de bicicleta te ver e não meça esforços para arrancar um riso teu.
Pode ser que o cara não seja o mais desejado pelas mulheres, não tenha tantas curtidas nas fotos, deteste academia e não dispensa assistir um jogo de futebol no domingo à tarde. Talvez ele seja aquele que te beija na testa enquanto vocês esperam o elevador, que leva você ao cinema para ver aquele filme que você tanto quer ver e te deixa escolher o sorvete do Mc Donald’s
Talvez ele seja aquele cara simples com o coração gigante que te encanta a cada dia, que te abrace quando você estiver triste e que sussurre em seu ouvido “eu estou aqui com você”.
Pode ser que ele seja o homem que te olha como quem te admira e depois diz o quanto você esta linda como quem espera o teu sorriso tímido disfarçado de amor. Aquele cara que te olha nos olhos sem medo do silêncio, sem medo do que possa vir depois e que encare as tempestades com você. Talvez ele seja o cara que ame a tua paixão por comida e sabe que te levar para comer um lanche com muita batata palha, é certo que arranca um riso teu.
Talvez ele não seja um príncipe como nos contos de fadas e tudo não aconteça tão rápido quanto nos romances, é que na realidade as coisas são diferentes.
Talvez ele seja o grande amor da sua vida, um amor que não se enquadra nos seus padrões, pode ser que ele seja o cara que realmente te deixa à vontade para ser quem você é, aquele que te da à liberdade para soltar a sua risada escandalosa, e te deixa à vontade para contar aquela piada sem graça que ninguém ri.
Pode ser que você esteja idealizando demais, vivendo de menos, esperando muito e se decepcionando em dobro, deixando de ser feliz com quem realmente te faz feliz. Saía dos padrões, se liberte dos status e permita-se, afinal, o novo é bonito e não assustador como parece. O amor na vida real é mais bonito que o conto de fadas, não nos garante finais felizes e nem um príncipe encantado, mas nos garante um coração disposto a amar, nos faz amadurecer e melhorar tanta coisa em nós que é bonito ver a evolução de nós mesmos com o tempo e com o outro. O amor na vida real nos permite pisar em terra firme e ao mesmo tempo alçar voo como quem deseja viajar no mundo do outro. O amor dos contos de fadas, dos filmes romanceados tem a sua trilha sonora, mas como é bonito se reinventar e poder escolher a nossa própria melodia. 

Thamilly Rozendo


 Contos de fadas nunca me arrancaram suspiros. Talvez porque nunca acreditei neles. Por muito tempo levei fama de coração de pedra e evitei falar de amores e relacionamentos. Por um bom tempo eu fingi estar tudo bem, outras eu realmente estava, mesmo não acreditando. Já fui rotulada como a “garota grossa” que não demonstra o que sente, quando na verdade sinto até demais.
Eu não quero um príncipe encantado. Eu quero alguém que goste da realidade tanto quanto eu. Que assuma as suas responsabilidades e que não prometa ficar se na verdade pretende partir a qualquer momento.
Eu só quero alguém que assuma o que sente e que não me traga desculpas. Eu não quero um príncipe encantado porque isso me soa como previsível demais, e, sinceramente, eu gosto mesmo é de gente que se reinventa e que não tenha medo de recomeços.
Eu dispenso as aparências que não refletem uma alma bonita, quem é covarde para amar e quem deseja me oferecer metade. Dispenso quem não pretende ficar e quem usa da indiferença ao invés do diálogo. Quem insiste em machucar. Eu quero alguém que não dê as costas para a minha dor e mesmo tudo sendo vendaval decida ficar, que esbarre com outros risos, mas que ainda assim decida pousar no meu.
Não precisa chegar com um buquê de rosas, montado em um cavalo branco, esbanjando charme como nos filmes que vemos por aí. Pode me levar para tomar um café e comer aquela coxinha de padaria que eu tanto gosto. Não precisa vir montado num cavalo, só precisa vir carregado de coragem, só precisa não ter medo de amar.
Não precisa jurar amor eterno, só precisa me escolher todos os dias mesmo quando eu não merecer ser a tua escolha. Entender que a minha TPM me deixa insuportável e isso não tem nada a ver com você. O que as pessoas não conseguem entender é que não desejo me abrigar em qualquer abraço ou me envolver com alguém por tentativa. Não desejo alguém para calar a solidão ou para preencher algum vazio. Eu só quero uma companhia leve, alguém que some e não suma. Eu quero alguém que incentive os meus planos, que não esteja comigo por meras aparências e que contemple aquilo que os olhos não podem ver: A minha alma bonita.
Eu não quero um alguém idealizado, nem sonhado, longe de ser o príncipe encantado, eu só quero alguém encantado o suficiente para ser o meu príncipe. E embora isso, possa soar como semelhante, só quem vê para além, só quem decifra o amor nas entrelinhas é que percebe a discrepância gritante entre querer alguém idealizado e querer alguém para somar, até porque quando esperamos aquilo que não existe nos frustramos e na somatória dessa história quem sai perdendo é quem deixa escapar o que é nobre e sincero só porque ele não se encaixa nos seus “padrões.”. 

Thamilly Rozendo


Eu tenho crises criativas. Ápices e declínios. Dizem que as pessoas mais criativas são desse jeitinho né? Mas, eu nem me considero tão criativa assim, eu tenho aquele negócio de me sentir uma escritora de meia tijela, daquelas que enchem as páginas de clichês, mas é que tem clichês que são tão bonitinhos sabe? Que são tão esquecidos também, porque hoje você tem é que escrever coisa inovadora, irreverente e que nunca foi escrita antes. Mas, eu amo os clichês.
Eu tenho mania de cultivar hobbies, em parte porque todo dia eu quero aprender e fazer algo diferente e em parte porque eu enjoo fácil das coisas. Já fui viciada em listas, em aquarela, em céu, em tarô, em astrologia e hoje eu tô na vibe dos bordadinhos. Em parte cada coisinha dessas tem colaborado em me transformar em mim mesma.
Não sei se vocês entendem muito bem o que eu tô querendo dizer, é que eu tô no meio de uma dessas crises criativas sabe, mas não tem problema nenhum, certo? Nós somos todos humanos, feitos de carne, osso e poeira de estrelas. A gente pode errar mil e uma vezes e jogar a culpa nos astros, nos "crushes", no clima, nos clichês, no celular que não para de travar, na vida acadêmica que cobra muito de você. A gente também pode optar por carregar a culpa, se sentir pesado e chorar. "Choices", a vida é toda feita dessa palavrinha.
As crises, sejam criativas ou de qualquer outro viés, vão passar. Por mais que você ache a última frase desse texto demasiadamente clichê é exatamente o que vai acontecer, pois tudo acaba, inclusive a dor, inclusive a crise, inclusive os momentos bons também. Por isso, eu tenho um desejo, que a gente viva todo dia como se fosse carnaval, antes que chegue a quarta de cinzas.







Quantas vezes eu acreditei no amor, quantas vezes eu achei que iria dar certo e no final era apenas mais uma decepção. Meu status de solteira não é carta branca para me envolver com qualquer história, com qualquer pessoa. Meu status não é referência de solidão ou desespero.
Quantas vezes ouvi o discurso cansado de quem acha que sou infeliz só porque estou solteira. Tentaram inúmeras vezes, me “arrumar” alguém, passando o meu telefone como quem está dando “uma ajudinha” sem eu ao menos ter solicitado, ou de fato precisar de auxílio para essas coisas do coração. E lá estava eu iniciando uma conversa com alguém que não demonstra interesse algum em de fato me conhecer, que aparece com falas prontas e que não sabe desenrolar uma conversa.
O fato de curtir a foto de alguém, já é motivo para piadas, brincadeiras como se isso fosse um sinal de que estou interessada. Eu, de fato não entendo e talvez jamais consiga entender a lógica de quem acredita que um relacionamento é de fato sinônimo de felicidade. Em primeiro lugar, partilho da ideia de que ninguém completa ninguém. Ninguém pode jogar a responsabilidade de ser feliz nas mãos de outro alguém, é pedir para se frustrar, é deixar o outro assumir as rédeas da sua vida e se submeter a qualquer coisa, muitas vezes.
Primeiro, seja feliz. Isso goste de você, do seu cabelo, do seu jeito e ao trombar com alguém partilhe disso. Que o encontro seja algo que transborde e não que complete.
Eu estou solteira sim porque ultimamente tenho esbarrado tanto no desinteresse e nas desculpas que não tem como se envolver. Eu não quero um amor meia boca. Cansei de gente que só pensa no corpo, no sexo, no beijo, no físico. Cansei de gente que não se envolve, não se entrega não assume. É difícil quando você acredita no amor e nas coisas bonitas e sinceras quando alguém na verdade não vê nada além de um rosto bonito. Não vê a sua coragem, a sua força, não vê os seus medos bobos e nem se importa quando você não está bem.
Cansei de gente que vê uma boca bonita, um cabelo arrumado, mas não vê o meu companheirismo e o quanto sou disposta quando o assunto é ajudar alguém. De gente que está do nosso lado fisicamente, mas quando a tempestade vem é o primeiro a soltar a nossa mão. Eu cansei de quem não vê a minha fé bonita na vida e no amor e que não percebe o quanto dou valor as pessoas e não as coisas.
Quanta gente acompanhada e mesmo assim anda sentindo-se tão só, quanta gente sentindo-se invisível mesmo rodeada de pessoas e ainda escuto o discurso de que, quem está solteira, está carente e que, necessariamente precisa de alguém para ser feliz? Que eu faço academia porque quero que alguém repare nas minhas curvas e goste delas? Quantas falas clichês que anulam as nossas histórias e escolhas e nos colocam no patamar de coração de pedra.
Eu faço todas essas coisas por mim, meu sorriso é resultado das minhas conquistas, depois de tantas lutas diárias eu esboço um riso cansado como quem acredita que valeu a pena todos os esforços. Cuido do meu corpo, da minha saúde e principalmente da minha vida. Eu quero alguém que repare na curva do meu sorriso, que entenda as minhas vírgulas como pausa, como cautela enquanto muitos entendem como ponto final e decidem partir porque acreditam que investir em alguém é perder tempo. 

Thamilly Rozendo


É estranho, quero dizer, as pessoas julgam amar e no dia seguinte tudo muda. Então você nota os recados antigos na caixa de mensagem, com uma observação dizendo: eu te amo. Os bilhetes de cinema, os rascunhos no velho caderno, as listas de filmes e músicas que vocês prometeram que veriam, mas não tiveram tempo, o nós acabou antes mesmo da lista, e tudo deixou o sentido para dar lugar a estranheza.
Costumo pensar que verdadeiramente a maior estranheza acontece entre duas pessoas que se conheciam muito, mas que se tornam desconhecidas depois do fim, seja ele trágico ou não.
Você se pergunta então onde foi o erro, ou se o destino não resolveu ser gentil dessa vez, você não tem sorte no jogo e deveria ter no amor, mas parece que seu azar ocupa tudo e ela foi embora, ela foi embora e deixou a caixa de mensagens, os bilhetes, os rascunhos, as listas, as palavras, ditas e não ditas, malditas palavras.
Ficou o eu te amo, o silêncio, o fim comprovado, a ausência do amor, porque amor mesmo não acaba. Ficou o pré-amor, o projeto inacabado, a nota 0 naquele trabalho árduo que se esforçou, mas não obteve sucesso, o não que tanto evitou, o 9,8 quando o amor dependia do 0,2 que você não se preocupo, para que a relação fosse um 10 com louvor, se possível fosse claro quantificar uma relação. Mas não é, somos subjetivos demais e se tratando de amor o 0,2 corresponde a palavras, interrogações, discussões, lições, e tantos ões, e pouco nós.

Larissa Araújo, colunista. 

Sim, eu vou bater na mesma tecla mais uma vez - e não prometo ser última vez - pois, acho que vocês ainda não entenderam muito bem o recado de alguns textos atrás. Vocês continuam seguindo um manual de instruções para dizer um "oi". Continuam pisando em ovos e tomando canja de galinha. Vocês nem sequer pensam em comer peixe, até porque, tem espinhas, tem que tirar e dá trabalho demais - imagina ai se fosse caranguejo?
Vocês digitam e depois apagam. E ficam esperando por um sinal que vem sei lá de onde para falar o que sente até para a própria mãe, é mais fácil ela adivinhar, ou ela ter algum poder especial - que a maioria das mães tem - do que você dizer que está triste, que quer conversar, que quer deitar no colo dela.
É o mal do século, esse tal do desapego. As vezes você nem é realmente desapegado, guarda até o papel de bala do primeiro encontro e fica remoendo a primeira vez que a viu naquele bar, naquele club, naquela boate, mas hoje em dia ninguém se apega a ninguém e mesmo sua mãe sempre tendo dito que você não é todo mundo, você é teimoso demais para acreditar nela.
Vocês preferem mil vezes a loucura de namorar alguns anos, noivar por mais uns e depois se casar, mas não ter um pingo de tesão na lua-de-mel, do que arriscar por alguém que além de tesão é capaz de te dar o mundo inteiro. Hoje, é feio demais ir atrás de alguém que perde a razão, é melhor ficar com alguém que te leve para jantar num lugarzinho chique e depois durma sem sequer te tocar, mas que faça aquela boa pose para selfie que vai ser postada no instagram e compartilhada em todas as suas redes sociais.
Esse texto - que é pequeninho assim - é para te dizer que rasgue o manual de instruções que tu comprou dessa sociedade que prega o desapego de afeto, mas o apego do preconceito. Rasga ele todinho. Perde a razão, os princípios, a cabeça, a harmonia, a roupa, a saúde mental. Podem até chamar isso que tu vai fazer de loucura, mas antes viver sem a mente sã e arriscar do que mais na frente olhar para trás e vê que na verdade, você não viveu nada.



Sua chamada esta sendo encaminhada para a caixa de mensagens, estará sujeita a cobrança após o sinal. 

Olá, lembra de mim?! Pois é, acho que não. Não sei se você mudou de número mas hoje eu acordei pensando MUITO em você. Sua vida deve estar corrida, você deve estar trabalhando bastante, e estudando pra cacete. Não é de se admirar. Você sempre foi muito esforçada e dedicada com os seus objetivos. 

Você não deve ter meu contato salvo no seu celular. Talvez tenha até me bloqueado. Mas eu vou facilitar pra você caso não lembre da minha voz: Eu sou aquele cara que você conheceu no bar, em um dia que você saiu com os seus amigos pra se divertir, e eu peguei uma carona com você. Isso, aquele cara que você deixou na esquina da casa dele, e fingiu não saber o caminho de volta pra casa para ele poder te explicar o trajeto, enquanto você admirava o sorriso e o jeito como ele falava. Aquele cara que você saiu na próxima semana com ele, e vocês ficaram mais uma vez, e depois ficaram de novo, e de novo, e de novo. Aquele cara que se preocupava quando você estava triste, tentando te ajudar com os seus problemas. Aquele cara que compartilhava as conquistas dele com você. Talvez você ainda não tenha lembrado de mim.. Afinal, já se passou um bom tempo. Mas vou dar uma incrementada na história, ok? Lembra aquele dia em que fomos ao cinema, assistimos o Magico de Oz de mãos dadas, e eu dava risada das cenas do filme eras depois? É, eu sempre fui um tanto quanto "lento". Mas vamos lá... Eu fui o cara também que teve ciúmes, que brigou, que não acreditava nas coisas que você dizia, e sempre ouvia os outros ao invés de te ouvir. Sou aquele cara que não suportava te ver com outras pessoas, sabendo que as mesmas tinham segundas intenções pra cima de você. Sou aquele cara que emburrava fácil, e parava de falar com você quando eu estava chateado. 

Bom, acho que agora você lembrou de mim. Talvez você ainda tenha muita mágoa por conta do que passamos, mas eu quero dizer que eu sinto a sua falta. Sim, eu sinto a sua falta. Eu quero te ver, e espero uma resposta sua. Tomara que você possa me perdoar pelas coisas que te fiz, e que você possa enxergar o quanto eu realmente gosto de você. Estou com saudades, beijos, fique com Deus. 


É estranho, não estive preparada para adotar o discurso de adulta, os anos passaram mas minha mente teima em permanecer jovem, por um lado isso parece incrível, mas só por um lado. Percebi isso em uma festa, e já vou lhe explicar as razões. 

Olha, eu não compreendo mesmo o que é ser adulta. Em uma instância sei que é assumir para si inúmeras responsabilidades, mas digo que em outra é participar de diálogos chatos, em que o único assunto que parece ser interessante para as pessoas falarem é: sexo. Algumas vezes parece conter uma conotação de oitava série, afinal provoca risos. 

É, ser adulta é ver na festa as primas que você brincou na infância, e as ouvir falar sobre casamento, vestidos de noiva, e conselhos para o casamento durar, como por exemplo: não deixar o buraco esfriar. E eu entendi que era para ser engraçado, mas o mais engraçado da noite em que vi minhas primas, foi perceber que a conversa mais interessante que tive não foi com as adultas da minha idade, mas com jovens de 15 e 16 anos.

Não por um mente ainda jovem, mas porque elas estavam interessadas em falar sobre seus anseios, sonhos, os objetivos que já concretizaram e os que ainda pretendem concretizar. A paixão do primeiro namoro, a empolgação para a faculdade, o gosto pelos estudos, e o ódio pela matemática. 

Bem, nós conversamos a noite inteira, e foi agradável estar perto delas, foi agradável não ouvir como é difícil criar os filhos, como é difícil manter casamento hoje em dia, como a mulher conhecida está cheia de plásticas, dentre outros assuntos. Sei que achar agradável não ouvir, parece errado, mas eu entendi que se ser adulta significa parar de sonhar, de lutar pelos seus objetivos, adotar uma vida de comodidade, e ter como a única felicidade, a felicidade dos filhos, eu não quero ser adulta, e digo isto de forma fervorosa, como quando criança dizia: eu não sou criança. 

Eu entendi, mesmo, e tenho para mim que ser adulta é mais, mas que talvez a maioria se esqueceu, ou lhe faltem a compreensão de que além das responsabilidades, é falar sobre assuntos agradáveis, e ser feliz por si, verdadeiramente. É, não sei mesmo o que é ser adulta, e talvez não queira. Anseio que entenda caro(a) leitor(a). 


Larissa Araújo

Pensei que tudo estava dando certo pra gente, cheguei a acreditar que nada ruim aconteceria outra vez, que você tinha realmente mudado. Pensei errado, de novo. O pior de tudo, não foi nem o que você fez, mas o que falou depois, com a cara deslavada me dizendo que era só bobeirinha, que eu era tua mulher e que não teve nada físico com ela. 

Mas traição não precisa ser físico, a intenção já é uma traição. Entrei em estado de choque e não sabia como reagir, só tremia e chorava, pensando em como tenho vocação pra ser trouxa. Me vi ali sem chão sob meus pés, pois depois de tudo que sonhamos juntos e planejamos, depois de tudo que construímos, foi como se você jogasse uma bomba e destruísse tudo.

Você me pediu desculpa, disse que estava arrependido, que não faria de novo, mas e se? E se eu te  perdoar, esquecer essa sua conversa e depois você fazer de novo, e pior? Mas se eu não perdoar, tudo acaba aqui e agora. Todos os nossos planos, nossa mudança pra outra cidade, nosso casamento oficial que não passaria desse ano, que já começou mal. Falando nisso me lembro de uma música: "Tudo que começa mal, acelera o final. A dor é inevitável, o sofrimento é opcional." 

E temo que isso seja real. 

Confiei a você minha vida, minha história, minha felicidade. Coloquei expectativas em você, fui sua mulher, sua parceira, sua amiga. Te entendi quando você precisou, te dei seu espaço, sua privacidade. Eu confiei em você! Agora me sinto mal, nem palavras podem definir isso. Inefável. 

Me diz o que aconteceu? O que te faltou? Me diz, por favor, quando parei de ser suficiente. Eu já fui suficiente? 

Era pra ser diferente, mas você sempre faz igual. No lugar onde só tinha amor, só consigo encontrar decepção e dor. 

Se é aquele tipo de mulher que te satisfaz, uma pessoa mesquinha que aceita isso, mesmo sabendo que você tem um relacionamento sério, então fica com ela. Vai, fica. Porque eu te amo, mas me amo em primeiro lugar. 

Segue sua vida, já vou seguir a minha. E dessa vez não vou me lamentar, porque hoje eu sei que quem perdeu não foi eu.


Nathalia Cancella

Sejamos sinceros, escrever não é uma tarefa fácil.. A atividade exige muito de nosso cérebro e, por mais que você tenha se dedicado e dado o seu melhor naquele texto, ele nunca parece bom o suficiente. Sofro desse mal desde quando resolvi fazer jornalismo pela simples paixão de escrever. Nada parecia digno. Lia aqueles autores renomados com a escrita perfeita e nunca conseguia igualar minha produção textual com eles. Mas é claro, quanto pretensiosismo. Com simplórios 22 anos nas costas e muitos textos para serem lidos pela frente, nunca poderia ser como esses autores. Parei de sofrer com isso enquanto produzia meu TCC e a lição que tirei é a de que devemos confiar naquilo que escrevemos quando o fazemos com o máximo de nossas capacidades.

Quando a autora de Um beijo no escuro me procurou, confesso que encarei o livro com as mínimas expectativas possíveis, mas lá no fundo me senti orgulhosa de ver pessoas como a Brenda conseguindo realizar o sonho de publicar um livro. A história de uma jornalista com a vida destruída por conta de um acidente prometia seguir apenas o rumo do romance. Principalmente no momento em que ela se encontra com o novo médico bonitão do marido, que está em coma por cinco anos. Mas a descoberta de uma possível traição mexe com a história e nos leva rumo ao suspense quase policial que Brenda conseguiu criar. O que mais me surpreendeu foi a criação de um enredo que, ao final do romance, não deixou nenhuma ponta solta.
Com a estrutura muito parecida com romances policiais no estilo Arthur Conan Doyle, Brenda consegue segurar o seu leitor até a última página para a total revelação de tudo que estava suspenso ao longo do livro. Apesar da escrita um tanto imatura, o que é completamente normal para quem está entrando agora no mundo da literatura, sinto que existe muito potencial dentro da autora.
Se eu pudesse aconselhar a novos escritores como ela, diria para não pararem de escrever. Nunca. E também, não parem de ler. Nunca. Quanto mais se lê e mais se pratica a escrita, mais se aperfeiçoa o texto.
Decidi começar esse texto falando sobre minha insegurança na escrita, pois foi o livro de Brenda que me fez, mais uma vez, perceber que o crescimento é constante. E que mesmo que talvez não esteja tão bom agora ou não seja a sua obra prima, o esforço e a dedicação vão se encarregar de aprimorarem suas capacidades. Escrever requer vontade e paixão, que muitas vezes fraquejam e nos fazem ficar frustrados. O ímpeto de Brenda de seguir com um romance e organizá-lo tão bem servem de lição para quem ama escrever, mas que ainda se esconde sob a sombra da insegurança.

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   Não se desespere se ele não estiver muito "afim" de você. Ele quer aproveitar a vida, deixando de lado as preocupações do dia a dia, sendo nada mais e nada menos, do que ele. Provavelmente ele não está muito afim de compromisso, pois o negócio dele é outro: ele quer ser da vida, ele quer ser do mundo. Se ele quer ser assim pra sempre? Isso nem ele sabe, garota! Ele vive um dia de cada vez. O passado já não interessa a ele, o futuro, muito menos. Ele quer ter a oportunidade de viver tudo o que a vida o proporciona. Ele quer viajar, ele quer fazer as coisas que sempre teve vontade.

   Ele gosta de esportes, gosta de um boteco barato, com aquelas mesinhas de plástico, onde ele pode falar merda com os amigos, dar risada alta e escandalosa. Provavelmente esse cara já passou por muita coisa na vida dele, coisas as quais com toda a certeza, o fizeram mal. Mas eu digo uma coisa a ti: não vai ser você que vai conseguir curar tudo isso. Ele quer ir pra balada, dançar como se nada mais o importasse, fazendo com que aquele momento presente, vire um passado de coisas boas.

   O simples lhe agrada. Não adianta você comprar presentes caros pra ele, pois ele vê nas coisas pequenas da vida, o amor! Ele não liga pra riqueza, muito menos para a ostentação. Ele não está nem aí se você uma roupa de grife, ou se você vai pra balada com uma blusinha de dezenove e noventa. Preste atenção, garota! Ele gosta do simples. O simples lhe agrada.

   Ele é aquele cara, que todo mundo sente prazer em estar ao seu lado. Ele ajuda, ele ampara, ele colabora. Ele vai entrar na sua vida, fazendo você se admirar por ele, e não o culpe se você se apaixonar, pois essa com toda a certeza, não foi a sua intenção.

   Se ele tem defeitos? Porra, ele é cheio deles. Ninguém é perfeito, moça! Mas ele não liga para os defeitos dele, apesar de sempre querer estar corrigindo estas falhas.

   Ele não desmerece ninguém, todo mundo é igual perante a ele. Nem mais, nem menos. Ele vive a vida de uma maneira saudável, sem ter que passar por cima de uma pessoa para poder se dar bem. Ele só quer viver a vida dele! Ele não quer pessoas na cola dele, dizendo o que ele deve fazer.

   É um ótimo amigo, um parceiro excepcional. Mas te dou um conselho: não pise no calo dele. Ele faz de tudo para não discutir com uma pessoa, mas se for preciso, ele sabe ser ruim também. Ele sabe ignorar, ele sabe vencer uma guerra.

   A preocupação dele é em ser o que ele quer ser. Ele só quer aproveitar a liberdade.

   Renan Mozer



   As vezes não entendemos que precisamos desapegar. Desapegar daquilo que nunca foi nosso, daquilo que já nos pertenceu, e as vezes, até desapegar das coisas que são nossas. O desapego pode durar dois dias, dois anos ou pode nunca acontecer. A vida vem com umas dessas as vezes. 

   A verdade, é que precisamos compreender que sempre o melhor está por vir, mas (ás vezes) temos que enfrentar barreiras para ter o sucesso desejado. Imagine você daqui quatro anos, e lance uma meta. Trabalhe nisso. 

   A sociedade as vezes impõe um certo padrão, e como não temos (na maioria das vezes) uma opinião formada, tentamos seguir estes padrões impostos. NÃO! Não vamos ser padrões não. Joga fora esse seu hábito de achar que deve ser igual aos outros. Dispensa esse pensamento que diz que você deve ser magro, alto, loiro e fitness. Seja você, seja quem você sempre foi (se isso te agradar, é claro). 

   Quando você se vê como dono do seu corpo, dono da sua alma, você vai conseguir ter a percepção de que você está no comando. Você tem o livre-arbítrio de decidir o que é melhor para a sua vida, o que é melhor para o seu bem estar. Você está no comando! 

   A felicidade chega quando a gente menos espera. Desapega. Desapegue de pessoas desnecessárias, desapegue de hábitos fúteis, mas nunca esqueça de ser você, sempre! Nada e nem ninguém pode tirar a sua essência. Viva, seja feliz, não perde tempo não. 
  


[texto inspirado na música do Liniker - Zero]


Quero começar te dizendo para parar de ficar se corroendo por coisas que já aconteceram, isso nunca levou ninguém a nada e não vai ser diferente contigo. Guarda essas coisas ruins que te aconteceram numa caixinha e depois joga fora, deixa só as lembranças boas. Eu sei que essa conversar de jogar fora o que foi ruim é clichê, mas é desses clichês que precisamos de vez enquanto - principalmente na primeira semana do ano.
Experimenta coisas novas. Come aquela salada de brócolis com abacaxi que você tanto teve receio de experimentar no natal. Mistura uva passa com tudo, mesmo que você não goste dessa coisinha roxa e murcha. Lê Clarice Lispector e assiste aquela série que todo mundo disse que é ruim, vai que você não é esse todo mundo. Corta o cabelo de um jeito que você nunca se imaginou cortando, pinta de rosa, cobre, azul ou da cor que te fizer feliz. Se arrisca viajar só para alguma praia. Conhece os novos points da cidade. Tenta ficar sem acesso a internet por uns dias. Faz tudo o que for novo.
Que te dizer também que você merece tanta coisa boa. Beijar na chuva. Conseguir maratonar suas séries sem se sentir culpada por ter de trabalhar no dia seguinte. Café quentinho com espuma e tudo. Pão de queijo na chapa. Acordar com o cabelo mais macio que no dia anterior. Não ter pesadelos. Ter férias fora de época - porque os pacotes de viagem são mais baratos e você pode aproveitar para conhecer o mundo, nem que comece só pelo seu estado.
Você merece alguém que te toque a pele, mas principalmente a alma. Que ria das suas piadas toscas e goste das mesmas músicas que você. Que saiba que 10 da manhã ainda é madrugada e te leve para tomar uma cervejinha no meio da semana. Essa pessoa vai entender sua cara de nada, sua cara de mal humor, sua cara de fome e todas as outras caras que você tiver. Não vai se importar se você só quiser ver um filme e tomar iorgute de cajá ao invés de ir para balada e tomar umas. Vai te levar para praia, pro sítio do bisavô, pro parque, pra pracinha que só tem um banco, pra serra, pra acampar ou pra uma pousada. Ela vai te mostrar tanta coisa nova e você a ela. Vocês vão dividir um mundo.
Deixa alguém te bagunçar, te tirar do chão, mudar os seus horários e os seus planos de futuro. Se deixa ser feliz de novo e se não der certo faz tudo de novo, vale a pena.


[leia ao som de Tua - Liniker]

Eu sou mais eu. Sozinha e enrolada num edredom azul todo pontilhado com estrelas. 
Descalça sem nada e ao lado de um vinho bom, como na música do Liniker. Andando por aí, descabelada, irritada, abraçando a minha alma.
Com cheiro de acerola, margaridas e maçã. Vestida com roupas velhas, porém tão confortáveis. Descuidada e amada.
Cresci, crescemos. Um dia todos crescerão, mas ainda existem muitas crianças de 20 e poucos anos por aí.
Solidão, não é algo tão ruim assim. Eu tenho meus gatos, meu lençol, minhas meias e livros. Isso me basta, as vezes.
Quando me via só olhava no espelho e eu estava literalmente acabada, cheia de olheiras, rugas, cabelos estragados, gorda, espinhas espalhadas por todo rosto. Eu estava cansada. A vida me cansava, a rotina, a terra girando ao redor do sol. Eu nem sequer olhava o céu, mas hoje é tão diferente, porque eu cresci.
Minha altura é a mesma há mais de 4 anos. Meu peso oscila para mais e para menos de 6 em 6 meses. Só que isso não importa tanto. Eu consigo olhar para dentro de mim e ver a mulher que eu lutei para me transformar e a vejo - na maioria dos dias, porque sim, ainda existem dias difíceis - sorrindo, realizada, cativada por si mesma.
Eu sou apaixonada por mim mesma. Desde o cabelo desgraçado, as olheiras e aquelas espinhas que ainda teimam em aparecer em alguns dias do mês. Eu me amo, apesar de não apoiar minhas próprias atitudes impulsivas e repudiar minha mania de ficar me culpando por tudo que ocorre no universo e isso faz parte do crescer e amadurecer.
E bem, eu sou mais eu. Sozinha, acompanhada, com os gatos, lendo, ouvindo uma música qualquer e até sacudindo o esqueleto nas baladinhas da vida. Me amando de verdade, não tendo receio de arriscar, de viver. Eu cresci, apesar de ainda ter exatos 1,55cm.


PS.: texto antiguinho do meu tumblr, mas adaptado.



E sem esperar acontecer, acontecemos. Assim, sem data ou hora marcada, assim, da melhor forma. E as inúmeras vírgulas no texto representarão as minhas pausas entre os nossos beijos, as pausas para te olhar, para sorrir, e para me questionar tanto se você existe mesmo, pois parece tão irreal, como faz?
Como faz para não te querer tanto e esperar sua mensagem, voz, olhar, cada parte de você? Fiquei zonzo na primeira vez, e permanecerei assim nas outras, afinal pensar em você é me tomar de arrepio, ternura e amor, é louco, eu sei, mas transborda.
Agora parando com o excesso de vírgulas eu quero estender esse sentimento, e reviver essa imensidão que é você e nós. É cedo para dizer nós, é cedo de fato, e se me perguntar como tudo aconteceu não vou saber dizer, e se me disser que não é boa o suficiente, só saberei te calar com um beijo, como em todas as outras vezes. Mas, dessa vez sem pausas, um longo beijo, para te afirmar o quanto quero você, e o quanto estar com você é não querer estar em mais nenhum lugar.
Eu quero, eu juro, sentir seu corpo passar de frio a calor, de calor a frio, de forma instantânea, quero ouvir sua respiração, o seu ”nossa”, os nossos, nossa! Eu quero te mostrar que você é linda, incrível, espirituosa. Que estar perto de você é ter paz, é esquecer que o mundo lá fora existe e desejar (mesmo que de forma clichê) que o tempo passe bem devagar.
Falando em devagar, entendo sua preocupação de estarmos indo depressa demais, mas se soubesse, e por certo não sabe, que dentro de mim o desejo é parar cada momento com você, não teria tanto receio. Não, não encontrarei alguém melhor, não mudarei com você de um dia para o outro, não esquecerei de me questionar se está bem, ou sobre como está sendo seu dia.
Não tenho a pretensão de que as coisas morram, antes mesmo de nascerem de fato. Eu sei que assim como eu você quer e entende sobre reciprocidade, apesar de não termos vivido em nosso passado. Sei que assim como eu você almejará fazer isso dar certo de verdade, seja como for. Então vamos? Entre nessa viagem comigo, me permita te conhecer todos os dias, cada dia mais, mesmo não sabendo onde nossa viagem terminará, onde é que iremos estacionar.
Vamos viver primeiro 24 horas, pois ”em um dia dá para fazer coisa demais”, e depois, somente depois, eu deixo você pensar sobre o que fazer com as próximas 24 horas. Mas afirmo, minhas intenções com você são as melhores, e se quiser digo isso até para seus pais, ou para quem quiser ouvir.
E se um dia eu me perguntar a razão de não ter lhe conhecido antes, vou dizer para mim e até mesmo para você, que nos conhecemos quando era preciso, e agora preciso de você, não somente para completar as diferenças, mas para transbordar o que já temos, para ser tanto para você, quanto és para mim.



Um dia meu melhor amigo me disse que o bom não é ser um namorado perfeito, e sim um ex inesquecível. Sou inesquecível para todas as minhas exs, um inesquecível filho da puta.
E não tem nada a ver com traição, sei que é a primeira coisa que deve ter pensando, mas garanto que existem outras inúmeras formas de praticar a “filhadaputagem”. Já experimentou, por exemplo, não dar atenção a sua mulher?
Eu poderia dizer para você nem se arriscar a experimentar, mas provavelmente já deve ter efetuado essa ação, e a consequência não é nada agradável, claro. Mas, é isso, não dei atenção.
Eu fui tão filho da puta quanto poderia ser, quando ela queria tagarelar e eu só queria beijá-la, ela queria um jantar romântico, e meu jeito grosseiro estragava todas as expectativas.
Sei que agora estou falando de uma ex, mas quero dizer que meu jeito estragou com tudo, todas as vezes, e sem querer segui o conselho do meu melhor amigo.
Acabei sendo o ex inesquecível, o que vai ser lembrado por não se lembrar das datas importantes, por não retribuir os presentes ganhados, não entregar as cartas que escreveu, e até em outra instância, ser o cara que só pensa em sexo.
Ah, se todas elas soubessem que o que eu queria mesmo era ser o namorado perfeito, não o ex. E provavelmente elas diriam que não fiz nada para isso, sem saber que tentei mudar para melhor mil vezes, que fiz coisas que nunca se passaram sequer pela minha cabeça, que chorei na calada da noite como aqueles poetas, mesmo que eu seja escritor mesmo é de boteco.
E por fim, se soubessem, que eu amava mais que demonstrava e que por medo transparecia o oposto, eu seria lembrado da forma mais bonita, lembrado por amor.


Era mais ou menos umas sete da manhã, acordei, ouvia música no rádio, era um jazz, coisa que não ouvia á tempos, só quando ela ainda morava comigo. Levantei e fui seguindo até a cozinha, senti aroma de café, eu me perguntava da onde poderia surgir esse cheiro, procurei na memória se eu havia dormido com mais alguém ontem, não fazia sentido. Cheguei até a cozinha e lá estava ela, de costas, usando minha camiseta e só de calcinha, arregalei os olhos, observando aquilo tudo. Sentindo minha presença, se virou logo para mim com aquele mesmo sorriso em que eu me apaixonara meses atrás, aqueles olhos verdes ao quais me sentia hipnotizado quando se encontravam com os meus. Eu quis perguntar como ela foi parar ali sendo que na noite passada eu havia dormido sozinho, fumei alguns cigarros e dormi lendo um livro e as chaves de casa ela havia me devolvido a algumas semanas. Será que ela guardou uma cópia? Mas, qual o sentido sendo que brigamos e terminamos distantes um do outro, não havia por que voltar. Mas ao mesmo tempo, eu queria abraça-la, beija-la e sentir seu cheiro mais uma vez. Abri um sorriso, ela também, ficou me olhando por alguns minutos, eu fiquei sem reação, não sabia se isso era sonho ou realidade, não conseguia olhar em mais nenhum lugar a não ser em seus olhos. E ao mesmo tempo tudo começou a ficar distante, comecei a estranhar, ela começou a sumir, o rosto começou a ficar embaçado, eu queria correr até ela, mas não conseguia.
De repente, eu estava em meu carro, ao lado de mim mesmo, mas eu não percebia que estava lá, parei o carro, desci, fui até uma arvore e busquei uma flor. Nesse dia, estava próximo do seu aniversário e eu queria poder lhe dar algo simples, mas que fosse do seu agrado. Entrei no carro e eu fiquei me observando ali, sentado. Andei mais alguns quilômetros e achei mais uma arvore e fiz a mesma coisa, colhi as flores que mais combinavam com ela. Lembro-me bem, que pensava em escrever algumas poesias para ela, queria poder ser melhor para ela, melhor para mim também. Ao anoitecer, fui de encontro com ela, entreguei as flores, fiz um mini buque e lhe dei um beijo. Novamente tudo começou a ficar embaçado e os rostos foram sumindo, eu fiquei sentado observando, entendendo que minha mente estava buscando imagens sobre nós e projetando em meu sonho, mas eu não conseguia sair disso, apenas podia observar eu e ela, juntos.

Acordei assustado com meu despertador gritando, olhei para o lado, eu havia queimado a cama com os cigarros, estava tudo do jeito que eu deixei, o silencio profundamente absoluto, não havia um jazz no som e nem aroma de café no ar. Andei até a cozinha, apenas o sol refletia na janela, apenas o seu sorriso e seus olhos que continuam em minha mente.
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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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