Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Quantas vezes eu acreditei no amor, quantas vezes eu achei que iria dar certo e no final era apenas mais uma decepção. Meu status de solteira não é carta branca para me envolver com qualquer história, com qualquer pessoa. Meu status não é referência de solidão ou desespero.
Quantas vezes ouvi o discurso cansado de quem acha que sou infeliz só porque estou solteira. Tentaram inúmeras vezes, me “arrumar” alguém, passando o meu telefone como quem está dando “uma ajudinha” sem eu ao menos ter solicitado, ou de fato precisar de auxílio para essas coisas do coração. E lá estava eu iniciando uma conversa com alguém que não demonstra interesse algum em de fato me conhecer, que aparece com falas prontas e que não sabe desenrolar uma conversa.
O fato de curtir a foto de alguém, já é motivo para piadas, brincadeiras como se isso fosse um sinal de que estou interessada. Eu, de fato não entendo e talvez jamais consiga entender a lógica de quem acredita que um relacionamento é de fato sinônimo de felicidade. Em primeiro lugar, partilho da ideia de que ninguém completa ninguém. Ninguém pode jogar a responsabilidade de ser feliz nas mãos de outro alguém, é pedir para se frustrar, é deixar o outro assumir as rédeas da sua vida e se submeter a qualquer coisa, muitas vezes.
Primeiro, seja feliz. Isso goste de você, do seu cabelo, do seu jeito e ao trombar com alguém partilhe disso. Que o encontro seja algo que transborde e não que complete.
Eu estou solteira sim porque ultimamente tenho esbarrado tanto no desinteresse e nas desculpas que não tem como se envolver. Eu não quero um amor meia boca. Cansei de gente que só pensa no corpo, no sexo, no beijo, no físico. Cansei de gente que não se envolve, não se entrega não assume. É difícil quando você acredita no amor e nas coisas bonitas e sinceras quando alguém na verdade não vê nada além de um rosto bonito. Não vê a sua coragem, a sua força, não vê os seus medos bobos e nem se importa quando você não está bem.
Cansei de gente que vê uma boca bonita, um cabelo arrumado, mas não vê o meu companheirismo e o quanto sou disposta quando o assunto é ajudar alguém. De gente que está do nosso lado fisicamente, mas quando a tempestade vem é o primeiro a soltar a nossa mão. Eu cansei de quem não vê a minha fé bonita na vida e no amor e que não percebe o quanto dou valor as pessoas e não as coisas.
Quanta gente acompanhada e mesmo assim anda sentindo-se tão só, quanta gente sentindo-se invisível mesmo rodeada de pessoas e ainda escuto o discurso de que, quem está solteira, está carente e que, necessariamente precisa de alguém para ser feliz? Que eu faço academia porque quero que alguém repare nas minhas curvas e goste delas? Quantas falas clichês que anulam as nossas histórias e escolhas e nos colocam no patamar de coração de pedra.
Eu faço todas essas coisas por mim, meu sorriso é resultado das minhas conquistas, depois de tantas lutas diárias eu esboço um riso cansado como quem acredita que valeu a pena todos os esforços. Cuido do meu corpo, da minha saúde e principalmente da minha vida. Eu quero alguém que repare na curva do meu sorriso, que entenda as minhas vírgulas como pausa, como cautela enquanto muitos entendem como ponto final e decidem partir porque acreditam que investir em alguém é perder tempo. 

Thamilly Rozendo


E a gente aprende.

Com o tempo aprendemos a deixar de lado tudo o que não nos leva paz. Aprendemos que, infelizmente, algumas amizades não são tão verdadeiras, mas que nem por isso precisam ser esquecidas. Aprendemos a não guardar mágoas de palavras ditas. Aprendemos que muitos de nossos problemas são, na verdade, inexistentes. Aprendemos a não ter tanto medo do que vem pela frente.
Aprendemos a não levar a vida tão a sério. Aprendemos a viver e não somente sobreviver. Aprendemos a dar valor nos pequenos detalhes do dia a dia. Nos sorrisos espontâneos, nas gargalhadas sinceras. Aprendemos a ter gratidão.

Pensamentos positivos tornam-se realidade. Você trilha seu próprio caminho, você é dono da sua felicidade. Lembre-se: você é maior do que qualquer tempestade e o mundo nos dá um mar de possibilidades, basta se entregar.


Ana Jackson

Amadureci como escritora, hoje sexo já não se faz um tabú, sexo sexo sexo, ao longo dos meus 20 anos a palavra já não causa risadas. Recordo-me que no Ensino Fundamental, quando a professora mencionava sexo todos riam, faziam graças, ninguém levava a sério, hoje a gente ri para não chorar.
Eu quis crescer, com 12 anos batia o pé que era uma pré-adolescente quando era chamada de criança, que tolice, hoje penso. Que preocupações grandes eu tinha na infância, que se resumiam na minha mãe me chamar para entrar para dentro de casa logo, justo quando a brincadeira com os amigos da rua estava ficando boa.
Hoje os problemas da vida adulta são contados nos dedos e ainda faltam, e se não existem problemas a gente os cria, na terrível mania de achar que tem algo errado quando se está feliz demais, visto que a felicidade bater na porta parece coisa rara.
Meu professor, chamava os jovens do terceiro ano do Ensino Médio, de futuro do Brasil, hoje sinto o peso de tais palavras nas costas, quando se tem tantos motivos para se lutar, e tão pouca gente para ouvir nossa voz.
Mas ainda somos o futuro, ou talvez já sejamos o presente, quando temos que lutar todos os dias para ter motivos para sorrir, para encarar a vida com um sorriso aberto, para aprender a compreender, para não tolerar a hipocrisia, para seguir em frente, um dia de cada vez, fazendo nossa parte, e as vezes a parte do outro.
Demorei muito para entender enfim que o que me cabe é ser humana, fazer o que posso fazer e além, olhar o outro mais devagar, não ignorar a dor, lutar por quem já perdeu as forças, e enxergar os seres humanos hoje invisíveis pela sociedade, morando na rua, passando frio, fome, necessitando do básico, que a gente esbanja todo dia e não se recorda nem de agradecer pelo que tem.
Porque somos os animais mais egoístas desse planeta, e ainda não aprendemos bem sobre amor, sobre partilha, mas ainda tenho esperanças, aquela mesma esperança da criança que ria com uma palavra, mas que acreditava que o mundo todo era assim, uma graça, cheio de motivos para a gente sorrir, bonito até na flor do quintal de casa

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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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