Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

  • Sobre
  • Cranela
  • Colunistas
    • Camila Leal
    • Emir Bezerra
    • Thamilly Rozendo
    • Nathalia Cancella
    • Larissa Araújo
    • José Ramos
    • Ana Jackson
    • Camila Fencz
    • Renan Mozer
    • Victória França
  • Extras
    • SluttMag
    • WebSerie
  • Contato

Era mais ou menos umas sete da manhã, acordei, ouvia música no rádio, era um jazz, coisa que não ouvia á tempos, só quando ela ainda morava comigo. Levantei e fui seguindo até a cozinha, senti aroma de café, eu me perguntava da onde poderia surgir esse cheiro, procurei na memória se eu havia dormido com mais alguém ontem, não fazia sentido. Cheguei até a cozinha e lá estava ela, de costas, usando minha camiseta e só de calcinha, arregalei os olhos, observando aquilo tudo. Sentindo minha presença, se virou logo para mim com aquele mesmo sorriso em que eu me apaixonara meses atrás, aqueles olhos verdes ao quais me sentia hipnotizado quando se encontravam com os meus. Eu quis perguntar como ela foi parar ali sendo que na noite passada eu havia dormido sozinho, fumei alguns cigarros e dormi lendo um livro e as chaves de casa ela havia me devolvido a algumas semanas. Será que ela guardou uma cópia? Mas, qual o sentido sendo que brigamos e terminamos distantes um do outro, não havia por que voltar. Mas ao mesmo tempo, eu queria abraça-la, beija-la e sentir seu cheiro mais uma vez. Abri um sorriso, ela também, ficou me olhando por alguns minutos, eu fiquei sem reação, não sabia se isso era sonho ou realidade, não conseguia olhar em mais nenhum lugar a não ser em seus olhos. E ao mesmo tempo tudo começou a ficar distante, comecei a estranhar, ela começou a sumir, o rosto começou a ficar embaçado, eu queria correr até ela, mas não conseguia.
De repente, eu estava em meu carro, ao lado de mim mesmo, mas eu não percebia que estava lá, parei o carro, desci, fui até uma arvore e busquei uma flor. Nesse dia, estava próximo do seu aniversário e eu queria poder lhe dar algo simples, mas que fosse do seu agrado. Entrei no carro e eu fiquei me observando ali, sentado. Andei mais alguns quilômetros e achei mais uma arvore e fiz a mesma coisa, colhi as flores que mais combinavam com ela. Lembro-me bem, que pensava em escrever algumas poesias para ela, queria poder ser melhor para ela, melhor para mim também. Ao anoitecer, fui de encontro com ela, entreguei as flores, fiz um mini buque e lhe dei um beijo. Novamente tudo começou a ficar embaçado e os rostos foram sumindo, eu fiquei sentado observando, entendendo que minha mente estava buscando imagens sobre nós e projetando em meu sonho, mas eu não conseguia sair disso, apenas podia observar eu e ela, juntos.

Acordei assustado com meu despertador gritando, olhei para o lado, eu havia queimado a cama com os cigarros, estava tudo do jeito que eu deixei, o silencio profundamente absoluto, não havia um jazz no som e nem aroma de café no ar. Andei até a cozinha, apenas o sol refletia na janela, apenas o seu sorriso e seus olhos que continuam em minha mente.

A vida sempre acaba fazendo você seguir um determinado caminho, contra a sua vontade, contra sua força, mas pode ser que em um dia, em um ano ou pode demorar a vida inteira pra entender, que era esse caminho que tinha que seguir, que não tem aquela coisa de “e se eu tivesse feito isso?”.

As mudanças que acabam entrando na nossa vida, causa muita dor de cabeça mas é até você entender que ali tem uma mensagem escondida e você sabe do que eu estou falando, só insiste em não enxergar. As coisas vão se encaixando não por que é por acaso ou destino deu a louca e juntou as pessoas, não. São tudo pequenas e grandes escolhas que nos fazem ser quem somos, e onde chegamos. Tudo o que carregamos, resolvemos carregar e temos um por que, só que você insiste em não ver, não entender, apenas, deixa ai que logo passa.
Esse logo passa, vai te dar muita dor de cabeça ainda. Não o mesmo problema, mas sim, outros vários e você ainda vai continuar olhando e dizendo “deixa para lá, que isso tudo já passa”. Quando dizem que o tempo é curador, tem uma mensagem por trás disso, não é simplesmente “o tempo curar” e sim, a sua mente entender que aquele caminho que você queria seguir, não era exatamente o seu e isso também causa um desconforto mental. Tudo na nossa vida passa, mas volta, de um jeito ou de outro, aquela pagina que você resolveu pular, resolveu rasgar pra que isso não voltasse, vai voltar, são escolhas. A partir do momento que você entender que, aquele caminho vai dar de frente com um muro e não tem saídas, você para de se torturar.

O amor chove o tempo todo, ha milhares de pessoas molhadas por esse amor. O amor que soma, o amor que te passa uma energia diferente e você sabe o que é. Talvez esse caminho que eu escolhi seguir também não seja o certo, mas uma hora ou outra tudo isso vai mudar e vou sofrer até entender que esse ônibus da vida, ele passa de tempo em tempo e se você escolher perder, não entrar nele, acaba se perdendo, se agarrando em coisas que não suprem a necessidade e assim vai morrendo aos poucos. Morrendo por falta de amores, amores não correspondidos, amores que resolveram se perder, que não tiveram a real paciência e compaixão com o outro.


Quando você começar a sentir que tudo está tentando te guiar para um caminho, não tenha medo, vá de cabeça, mergulhe mesmo não sabendo nadar, por que, na hora do desespero você vai entender o porque disso tudo.



Tomei o trem das 14h, olhei para trás e lá estava você, me olhando com cara de choro, como quem não queria perder o que mais tinha de bem, o amor. Olhei pela janela e senti que aquele não era o ultimo dos nossos encontros, engoli o choro e fiquei te olhando por alguns segundos, tentando não pular pela janela e agarrar você, tentando controlar aquele turbilhão de pensamentos que havia tomado meu ser. Sentei e lá estava você, me olhando com a mesma cara de choro, sem se mover. Abri um sorriso e ela também. O trem começou a andar e nesse sorriso eu vi a solidão, vi que mais uma vez alguém estava te deixando, mas talvez não teria volta. Queria tentar minha vida noutro lugar, eu amava você, porém, precisava me encontrar. Eu precisava que você entendesse isso, que o meu lugar, não tem lugar. Talvez nem eu entenda isso, mas é algo maior que eu, maior que a minha vontade de ficar. Olhei para trás e lá estava você, com o sorriso no rosto e a solidão ao lado. Respirei fundo, pensei, refleti sobre o que eu estava fazendo, mas senti que era o certo. Morávamos numa cidade longe da capital, eu queria tentar algo melhor por lá, fiquei sabendo que lá havia muito emprego bom e na minha cidade não, mas a única coisa que me segurava ali, era você. Porém, não mais.
Estávamos juntos a quatro anos, sabia muitas coisas dela que acho que nem ela mesmo sabia, ela guardava muitos segredos, tinha seus mistérios, seus medos. A única coisa que eu fiz, foi ser seu porto, apenas. Aguentei tantos vendavais, tempestades que uma hora cansei. Uma vez, adentrei em um de seus mistérios, abri a porta, comecei a andar e andar, descobri um medo, outro receio, fui adentrando cada vez mais e sem perceber, eu já era como uma parte sua, ou talvez eu me sentia assim, parte de você. Quando dei por mim, estava dentro de um labirinto de uma mulher que mal sabia quem era, mal sabia quem iria ser e cada vez mais eu me via perdido dentro disso, precisava respirar, mas mesmo assim, continuei ali.
Cheguei na capital, passei alguns dias absorvendo experiências, me enchendo de luz, mas sempre pensando naquela ao qual deixei com a solidão. Pode ser ignorância minha, em deixa-la mas necessito que ela se amadureça mais e um navio na tempestade sem um porto, aprende a se virar, só não sabe o seu potencial. Todos nós sabemos nos virar sozinhos, mas andar com alguém sempre é bom. Andei com a solidão por dias também, tomei há como parceira e amiga, estava sempre comigo nos bares, nas aulas de historia.
Mas, num certo dia, ela apareceu. Com aquele mesmo sorriso e a solidão, na capital. Olhei-a nos olhos, ela veio e me beijou, mas não um beijo qualquer e sim um beijo com um gosto de saudade, sem ódio, sem rancor, apenas amor. Ela me disse que passou por dias em tempestades, escondidas nos porões da alma e abraçada com a solidão, mas se sente uma nova mulher, por que morrer, não é morrer, é nascer novamente para vida.


Quero começar a falar sobre um assunto que a maioria das pessoas tem certo medo: mudanças. Por que nossa vida tem tantas mudanças? Você cresce, a vida começa a colocar obstáculos, começa a testar os seus passos para ver se aprendeu mesmo a andar. O que foi que eu perdi quando me pus à crescer? Quando dei por mim, a vida me levava por trilhas desconhecidas, acelerando a cada dia, e ai eu começo a perceber os meus sentimentos, descubro que tenho dor, medo, raiva, amor. É tempo que não volta mais. 

Vejo amigos de escola que cresceram comigo que hoje já estão se formando “homens”, já não são mais aquelas crianças. O mundo já começa a formar as pessoas, a lhes proporcionar caminhos, amizades, que mesmo estando longe, que não se veem no dia a dia, mas que estão sempre juntos no pensamento, no sentimento. Os lugares tão impossíveis de esquecer, tanta historia num passado que eu queria reviver. Por favor, você ai, que coloca a fita pra rodar, pode rebobinar ali na minha infância? Onde eu acho que é uma etapa muito importante de cada pessoa, onde a cabeça começa a ver o mundo de milhares de formas, varias visões, varias possibilidades e mais milhões de pessoas. Nossa vida seria como um rio, sempre procurando caminhos novos, queira você ou não. Pare e reflita, olha até onde você passou, cada pessoa que passou em sua vida, que te marcou, e as pessoas que você não queria que jamais tivesse passado nela, mas que trouxe um aprendizado enorme. Esse é o fardo da mudança, aprendizado. Cabe você aceitar ou não. Tipo uma encomenda sem devolução. 

Toda mudança exige uma interação sua, ela quer chamar sua atenção para esse novo obstáculo e não adianta você não querer, isso virará um fardo irritante, gritante. Quem eu me tornei até hoje? Aquela velha frase: eu seria espelho de mim mesmo, se fosse criança? Você se espalharia em si para crescer?! Andar por andar, não ajuda. Você precisa de uma direção, andar perdido é estar perdido dentro de si mesmo, seja tua luz, não tua escuridão. Você é o seu templo, sua morada. 



Os três indivíduos também correram para dentro da casa e fecharam a porta. Eu estava atrás do balcão da recepção agachado, eles, estavam pendurados na janela olhando para fora, o que deve se passar na mente dessas pessoas? Com a chegada da polícia, veio também a imprensa, ouço barulho de helicópteros também, estamos cercados e daqui eles não escapam mais. 
Novamente os três começaram a discutir culpando um ao outro pela merda feita nessa noite, tudo começou num roubo e acabou numa chacina, começaram a gritar com os policiais dizendo que não iam se entregar, que tinham reféns. Reféns? Será que pegaram Marcia, Marcos e Alice? Não pode ser, entrei em pânico mas eu não podia agir pois eram três contra um e com certeza eu morreria, mas consegui pensar por um momento que não ouvi a voz de mais ninguém a não ser dos três ladrões de merda, ou seja, não pegaram eles, devem estar mentindo, assim espero.
Do outro lado da porta a polícia tentava contato com os três, dizendo que eles tinham que se entregar ou eles iam invadir, eles riram, dizendo que iam arrancar dedo por dedo dos reféns, parece que eles tão levando como se isso fosse uma brincadeira de criança, estamos brincamos de polícia e ladrão. Filhos da puta! Seres humanos são ridículos, não sabem respeitar, só sabem destruir! Lixos! 
Sentia muita raiva em mim, eu queria estourar os miolos desses três, não aguentava mais esperar. Engatilhei minha arma, respirei fundo e pensei, essa é a minha hora, tenho que fazer meu trabalho, segurei minha arma forte, respirei fundo mais uma vez e quando pensei em levantar, um deles veio para perto do balcão, gelei. Acho que meu psicológico ainda não está muito bem preparado para esse tipo de acontecimento. 
Por um minuto achei que um deles havia me visto, começou a falar que ouviu algum barulho perto do balcão, o outro responde que era paranoia e que era para ele prestar atenção na janela, ufa, salvo pelo inimigo. A multidão começou a se aglomerar lá fora, jornais de todo mundo queriam saber o que estava acontecendo naquele hotel, o porquê de tanta polícia, eu podia ouvir o barulho do helicóptero como se estivesse dentro da casa, um dos ladrões ligou a tv da recepção, eles estavam no principal jornal da cidade e do mundo e comemoraram com isso, tiveram a ideia então de “matar” um refém, deram vários tiros contra a parede e pegaram um corpo que mataram quando chegaram e jogaram pela janela, fazendo com que a multidão se revoltasse e começasse a gritar para a polícia invadir. 
Já se passaram mais de 10 horas que isso tudo está acontecendo, eu não pude fazer nada a não ser segui-los, pensei em Marcia, será que está segura? Será que está bem?  

João Pedro Sanches, Colunista

Eu não tinha informações nenhuma deles, não sabia quem eram. Só estava eu, minha pistola e 3 criminosos, não dou conta dos três e também não posso arriscar. A discussão começou a aumentar e de repente uma delas pega e acerta um taco de baseball na cabeça do cara, fazebndo-o desmaiar, elas se entreolharam por um tempo e começaram a rir. Logo em seguida, as duas começaram a conversar sobre a possibilidade de levar essa criança, discutiram cerca de 5 minutos, pegaram a criança no colo e desceram em direção a recepção, precisava avisar Marcia e os outros, elas iam dar de cara com eles e iam mata-los. Mas, cade essa polícia que não chega? Pensei em ligar no telefone da recepção, elas iam ouvir e saberiam que tinha gente também.
Liguei no celular de Marcia, consegui explicar a situação muito bem resumida e pedi que se escondessem, perguntei pela polícia, ela me disse que o posto policial mais próximo, era 200km. Já passava das quatro horas da manhã. Me aproximei do cara desmaiado, chequei sua respiração e estava vivo, mas muito bem apagado, essa mulher devia ter uma mão muito pesada. Peguei seus documentos, o nome dele era Maicon Souza Santos, 29 anos, e brasileiro, legal, mais um brasileiro metido em merda no estrangeiro. Chequei mais uma vez seu corpo e só havia uma pistola.
Olhei pela janela, as duas mulheres levaram a criança para um carro, colocaram no banco de trás e fecharam a porta, depois voltaram sentido a recepção. Maicon esboçou uma reação, estava acordando de novo, corri para o banheiro e me escondi lá. Ele levantou muito rápido e saiu procurando alguma coisa, estava bastante tonto, dava para perceber em seu andar, sua cabeça bem confusa, devia estar procurando a criança, talvez?
Cinco minutos depois desceu em direção a recepção. Corri para o quarto e fiquei olhando pela janela, não via nada, nem sinal de polícia, filhos da puta! Pelo menos a polícia na Inglaterra é bem mais eficiente, não demoram nem 15 minutos para chegar no local, não importa onde! Eu não posso fazer nada ainda, preciso de reforços.
Saí do quarto em sentido a recepção também, podia ouvir barulho de conversa entre eles. Maicon parecia bastante irritado com a atitude de uma das moças em bater na cabeça dele com um taco e foi na direção do carro. Ao ver a criança no banco de trás soltou uma gargalhada de alívio, dizendo que essa criança não merece ficar sozinha no meio dessa chacina toda, que não tinha sobrado ninguém vivo.

Entrei em choque, ninguém vivo? Marcia devia estar escondida, certeza. Mas quantas pessoas eles mataram? Pensei que agora eu deveria agir já que estou sem saída e sem reforços e não posso deixar isso acontecer, eles não podem levar essa criança daqui. Resolvi andar em direção a porta para fora do hotel, ouço barulhos de sirenes bem alto, ótimo, é a polícia, e voltei para me esconder novamente.
Conto enviado pelo leitor João Pedro Sanches

Porra, todos mortos? Como assim? Quem fez isso? Ouço barulhos de passos correndo no corredor, também vou atrás, quero descobrir quem fez isso e o porquê. Ao alcançar os passos pelo corredor, avisto três pessoas, duas mulheres e um homem.

Duas mulheres e um homem? Mas, o que diabos estão fazendo aqui e o que querem, roubar? Eles entraram num quarto e ficaram em silencio por 10 minutos, começou uma discussão em um tom de voz muito alto como se, pra eles, não tivesse mais ninguém ali ou não teria perigo de alguém chegar.

Começaram a discutir se iam levar ou não um bebê. Entrei em estado de alerta, queria entrar naquele quarto e meter bala em todo mundo, como podem fazer isso e agirem com naturalidade, filhos da puta. Mas permaneci de guarda, fiquei esperando alguma reação deles ou pra onde iam mas nada acontecia.

O cara que estava no quarto começou a chorar no momento em que elas disseram que não teria possibilidade em levar a criança, mas o marmanjo queria levar, dizendo que não podia deixar esse bebê sozinho sem os pais. Sem os pais? Mataram mais dois? Filhos da puta, agora não vou deixar barato, vão pagar caro por cada alma tirada nessa noite e por estragar nosso passeio, de novo.

Com a arma em mãos, andei mais 10 metros e podia ver eles perfeitamente, estava escondido atrás de uma porta e ali eles não iam me ver. O marmanjo começou a discutir com elas e o clima começou a ficar muito tenso, pensei, isso é um trio de patetas? Acho que só vieram roubar e acabaram matando alguém e perdendo o controle da situação, com certeza.

Continuaram a discutir e o cara batia o pé em relação ao bebê e as duas moças não queriam dizendo que ia atrapalhar a missão. Missão? Não sai do meu canto, fiquei observando como eles se comportavam nessa situação de perigo e pareciam que não sabiam como lidar com isso, fiquei pensando, como assim missão? Quem são esses três patetas?


Texto enviado pelo leitor João Pedro Sanches

Saímos do nosso puxadinho, felizes, parecia que tudo estava se encaixando perfeitamente, as pessoas, lugares bem bonitos, eu e você, juntos. Fomos de carro até o restaurante no norte da cidade, encontramos Marcos e Alice, nossos novos amigos. Conversa vai e conversa vem, bebemos muito uísque, ou seja, saímos bêbados e foi um ajudando o outro, carregando e escorando. 

Chegamos até o carro e chamamos o casal do ano para irmos em casa para beber mais um pouco, fumar, os dois também curtiam fumar um bom baseado. Logo chegando em casa, estacionei e ouvi barulhos de tiro vindo da casa onde estávamos hospedados. Entrei em choque, pensei “tiros?! Como assim? Quem será?”, minha adrenalina veio a mil, minha respiração estava bem ofegante.

Olhei pra trás, todos que estavam comigo, estavam com cara de desespero e susto por que eram tiros e não foi apenas um, para ajudar minha arma ficou na mala, eu estava de férias, por que eu iria sair armado? Ou, quem iria imaginar que poderia haver um maníaco na cidade? Marcos quis ir embora, entrou desesperado no carro junto a Alice. Marcia, ficou ali do meu lado, sabia que eu era capacitado para esse tipo de situação por mais novato que eu seja na policia,  se manteve um pouco mais confiante. 

Estava tudo muito quieto, não ouvia barulho de pessoas conversando, nada, entrei mais em choque ainda pois ali antes de sairmos haviam pessoas passando o tempo todo pelos corredores do puxadinho, peguei meu celular e liguei para a polícia, disseram que em 10 minutos estavam chegando. Que bosta, 10 minutos? Eu preciso dar um jeito nisso, preciso saber se ainda há pessoas vivas lá dentro e nisso eu fui entrando, bem devagar e ao chegar na recepção, vi um corpo num canto da parede com 4 tiros no peito.

Porra! 4 tiros no peito, que merda é essa? Chequei para ver se havia pulsação e nada. Morto. Meu quarto era uns 300 metros da recepção, estava perto e eu precisava ir até a minha mala pegar a merda da pistola e não entendia o que estava acontecendo. Marcia ficou na recepção com Marcos e Alice, esperando a polícia chegar e enquanto isso, eu fui indo até o meu quarto. Não havia barulho nenhum , nada, silêncio total e esse silêncio arrepia, me deixa incomodado. 

Cheguei até o quarto, peguei a arma e chequei as coisas, estavam todas lá ainda, o quarto estava intacto, do jeito que deixamos e isso me deixou mais confuso, por que no corredor não havia nada que pudesse servir de pista ou rastro, tudo normal também. Ouvi mais tiros e gritos nos fundos do puxadinho, saquei a arma e fui correndo, passando de quarto em quarto para ver se sobrou alguém. 

No quarto 450, ao abrir a porta me deparei com uma cena muito forte, 3 pessoas com vários tiros pelo corpo, quem teria coragem de fazer isso? Uma chacina em plenas férias? Ótimo. Procurei documentos dessas pessoas, uma se chama Emili Clarck, tinha 34 anos, o outro Tom Thomas, 41, Oscar Miller de 52,  todos mortos. 

Texto enviado pelo leitor João Pedro Sanches

Eu nunca tive sorte com mulheres, meus relacionamentos não duravam muito. E isso me intrigava, porque eu sempre tratei elas muito bem e parece que isso acaba fazendo elas fugirem, não sei, nunca entendi muito bem. 

Mas, enfim, Marcia conseguiu tirar umas férias do café, juntamos nossas coisas e fomos à praia de Nice, ao sul francês. Nice é uma cidade muito bonita, fica na costa do mar mediterrâneo, rodeado por montanhas e é uma cidade muito medieval e isso me excita demais. Pegamos um puxadinho perto da praia, praticamente de frente com a mesma, ali chegamos e ali ficamos. Nem pensamos em descer, apenas descansar pois sair de Londres até aqui é muito cansativo e ficar no aeroporto por horas esperando uma extensão, é mais desgastante ainda. À princípio, viemos ficar pelo menos 20 dias, descansar bastante, pois meu primeiro ano na polícia foi exaustivo, até porque calouros fazem de tudo, desde rondas até limpar o quartel e isso é estressante. Aprendi a atirar, tive muitos treinamentos e fiz várias rondas nas ruas da capital inglesa, me ajudando a ficar pronto para se caso acontecesse algo, eu sairia bem. Porém, não foi isso que aconteceu.

Resolvemos descer a praia só no dia seguinte, mas antes disso ver o pôr-do-sol na areia. Acho que ali seria a melhor paisagem para poder curtir uma boa maconha, maconha de primeira ainda. Eu estava muito bem carregado, obrigado, tinha cigarros para meses ali e Marcia também fumava, então éramos dois fumantes excessivos. O pôr-do-sol ali, é de bater palmas de pé, ainda. E não tinha só a gente ali, havia vários adolescentes fumando também, casais, idosos, crianças, de tudo um pouco. Ali ficamos até umas 23 horas do horário local, fizemos amizade com um casal, Marcos e Alice, eram dois brasileiros que estavam de lua de mel, recém casados e esbanjando felicidades, qualquer um que passasse por eles, saberia disso. Marcos é um empresário de São Paulo, bem rico, tem 35 anos. Alice, tem 32, mulher de empresário geralmente tem seu próprio negócio e ela tem uma botica de roupas bem no centro da capital paulista. Marcamos de jantar em algum restaurante no dia seguinte, pra poder comemorar esse casamento dos dois e fomos pra casa, dormir. Tivemos uma noite maravilhosa. Fui tomar um banho e quando voltei, Marcia estava usando minha camiseta bem larga e só de calcinha, me esperando, linda, com aquele sorriso ao qual me fez apaixonar, não pensei duas vezes, deitei ao seu lado, acariciei seu corpo como se um historiador estivesse achado um artefato raríssimo, com cuidado, sem machucar, sem danificar sua pele. Nossa relação está pegando fogo, não podemos ficar um minuto sozinhos que parece que um furacão passou ali e essa noite passou, com força. Fizemos muito sexo com muito amor e tesão. 

Acordamos no outro dia mais ou menos umas 10h, tomamos café juntos, fumamos alguns cigarros e resolvemos descer a praia, pegar um bronze, começar a curtir nossas férias. Marcia ficou tomando um sol, colocou um biquíni branco, que em seu corpo moreno ficou ótimo e eu não conseguia tirar meus olhos do seu corpo, daquela forma, tão exposto ao público. Ela sempre foi muito bem reservada, não gostava de usar roupas curtas, sempre preferiu uma calça, um vestido, mas pra quem mora em Londres, onde praticamente é frio o tempo todo então tá sempre escondendo seu corpo. Entrei um pouco na água, gelada por sinal, mas bem gostoso. Aproveitamos nosso dia, almoçamos juntos e fumamos mais algunscigarros. Ao anoitecer, encontramos Marcos e Alice, fazendo um tour pela cidade, estavam tirando fotos de casal apaixonado e isso era engraçado pois eu nunca tinha feito isso e ver os outros fazerem é mais engraçado ainda. Fomos ao nosso cantinho para nos arrumar para nosso jantar com os recém casados, Marcia colocou um vestido longo lindo e em seu corpo encaixou perfeitamente. Ah, Marcia, como você me encanta, como você me faz flutuar nos seus olhos, no seu sorriso, nos seus jeitos de menina mulher. 

Eu? Bom coloquei um paletó. Incrível! Quem diria que eu usaria um paletó.

Texto enviado pelo leitor João Pedro Sanches 


Chegou a primavera aqui em Londres, na minha opinião a melhor época do ano. A cidade fica muito mais agradável, um tempo muito bom pra estar com alguém, ter a companhia de alguém, poder passear no bosque, ver os parques cheio de folhas caídas ao chão, deixa a cidade muito mais bonita. Não pra mim. Hoje completara um ano que Marcia se foi, não tive mais notícias, não sei nem se ela esta viva. Quer dizer, eu sinto que ela está viva, sei que ela está muito bem, por sinal. Estou aqui sentado na mesma praça onde venho todos os dias no mesmo horário, sento no mesmo banco. Acho que acabou se tornando meu santuário, onde coloco as feridas pra fora, a magoa e a deixo escorrer. Bruce fica sem entender nada, fica me olhando com uma cara de quem quer saber o que está acontecendo. Bruce é um cachorro inteligente, sabe muito bem quando estou ou não bem, chega a ser engraçado. Dias atrás, estava escrevendo um livro, bebendo um vinho, mas estava triste, ele chegou perto de mim, e ficou ali, me fazendo companhia sem pedir atenção, nada.

Hoje faz um ano. As coisas passam em um piscar de olhos né? Mas quando o sentimento é forte, permanece durante anos, te perturbando. Uma hora passa, outra hora nem se manifesta mas quando resolve dar as caras, cara, não há força que resista.


Quando estou sentado nesse banco, me recordo de cada detalhe seu e isso na mesma hora que me faz sentir feliz por ter essas lembranças, fico irritado, triste, nervoso por te-las também. Seu perfume me procura, cruza o meu caminho e isso não é legal, andar sentindo seu perfume como se ela estivesse ali do meu lado novamente, me faz te procurar sem pensar. Ando pelas ruas, tento me reerguer, tenho projetos com meus livros mas isso está ficando só no “quem sabe mais para frente”, acho que dei uma pausa na minha vida, no tempo, tudo. Posso dar uma adiantada sobre o que aconteceu com a gente, mas nada detalhes, ok? Tivemos uma briga, e essa briga nos devastou, abalou tudo o que a gente tinha vivido e foi jogado fora como se fosse um papel amassado, que você nem se importa em ler. E nesse problema envolve também Carol, amiga de Marcia.

Texto enviado pelo leitor João Pedro Sanches

Aproveitei a brecha do sistema da favela, corri para longe. Eu e minha mala, apenas. Deixei meus pais pra trás, senti que estava na hora de criar asas e voar pra bem longe dali. Não queria ser do crime, não queria andar com um fuzil na mão e morrer a qualquer momento. Não. Minha vida é mais que isso, não tenho planos ou metas mas ali eu não queria continuar minha vida e, foi então que acabei vindo para Londres, vim fugido do meu passado, do meu medo de continuar naquele lugar, onde a calada da noite era muito mais sombria que qualquer filme de terror, onde a qualquer momento você poderia ser morto por nada.
Chegou o dia do concurso, estava muito preparado, sentia que dessa vez eu acertaria o rumo da minha vida. Primeiro dia, tinha muitas questões de história local, caiu muita história de Londres, sobre a participação da Inglaterra na Primeira e Segunda Guerra Mundial e mais a Guerra Fria. Caiu bastante raciocínio lógico e nisso minha cabeça travava, sou péssimo com pensamento rápido. Caiu também, direitos dos cidadãos e leis nacionais. Marcia também estava muito esperançosa para esse curso, num dia anterior ficamos em casa, pedimos pizza e resolvemos assistir vários filmes só para descansar um pouco a mente, estudei muito e precisava passar. Marcia resolveu colocar uma camiseta minha, ficou só de calcinha, ah, isso me deixa louco. Toda vez que ela vem para casa, ela decide colocar uma camiseta larga minha e ficar só de calcinha, bendito seja o homem que tem um corpo só pra si, e eu sou esse sortudo. Sou eu o sortudo de ter seu sorriso pra mim. De ter seu carinho, seu amor, tudo, só para mim. Já fazia mais ou menos uns cinco meses que estávamos juntos e parecia que eu a conhecia a muito tempo, tínhamos uma cumplicidade que era fora do normal e isso me deixava muito feliz. Sabia cada parte do seu corpo, cada pinta, cada curva.
Segundo dia de concurso era a avaliação física, tinha que correr 15 km, fazer várias flexões em 3 tipos de barras e logo em seguida era avaliação em grupo, tínhamos que correr e revezar os bastões e isso foi muito bom, acabei fazendo mais amizades que eu acharia que fizesse. Conheci o Marcos, Fernando e Carlos, cada um tem uma vida muito diferente um do outro e isso eu vou relatar, cada um teve um tipo de superação, cada um veio de um lugar da terra.

Terceiro dia de avaliação era social, onde o avaliador, que era o Tenente Shindler, nos deu horas e horas de palestras sobre a política policial e cara, que saco ter que ouvir esse blá blá blá todo durante horas. Queria estar atrás desses vagabundos que acham que podem roubar as pessoas e saírem ilesos, bando de filho da puta. Isso não vai ficar assim.

Texto enviado pelo leitor João Pedro Sanches.
Uma pergunta que grita em minha mente “O que o ser humano é capaz de fazer para proteger o seu?”. Eu não tive uma resposta concreta, mas estou vivendo isso.

Acordamos pra mais um dia de treino. Treino pesado e o resultado não estava vindo só para mim e sim para nós! Marcia também estava começando a ficar em forma, nunca foi muito fã de exercícios, preferia muito um livro do que pesos, um bom café do que tomar suplementos para manter a forma. Eu também não. Cresci na rua, joguei bola, andei de skate, sou tatuado e sou fora dos padrões sim e sempre odiei academia, sempre odiei ficar puxando horas e horas de sessões de academia. Mas para esse concurso eu me foquei, pois agora sim eu queria entrar, agora sim eu queria matar esse cara que atirou em mim. Nunca falei disso pra Marcia, até por que guardar rancor de uma pessoa é um sentimento pesado, ruim, péssimo para nossa alma e Marcia sempre foi do bem, nunca ouvi ela abrir a boca para falar mal de alguém, nunca teve problemas com clientes e todos gostam dela, sorte. Eu já sou uma pessoa meio mal encarada, mais fechada, não sou muito de ter amigos ou fazer amigos.


Acho que não falei muito da minha história né? Eu cresci em São Paulo, na favela de Pirituba. Cresci vendo o crime de todas as formas, armas, eu já tinha até aprendido a tirar, mas não queria essa vida pra mim. Peguei minha mochila e fui embora, sabia que se eu me mantivesse naquele lugar, entraria para o crime. Cresci numa favela onde o governo tinha parceria , corrupção a luz do dia era o que mais rolava, os donos do morro tinham que dar uma quantia a cada 6 meses para o governo, para manter os policiais longe dali. Éramos muito bem protegidos na nossa comunidade, ninguém mexia com ninguém, os donos do morro ajudavam muito o pessoal de lá. Nossas escolas eram muito bem estruturadas por incrível que pareça. Tive aula de música na quinta até a oitava série do colegial, por que, Marcos vulgo Cachoeirinha (dono da boca) contratou um músico para dar aulas para gente. Cachoeirinha não queria nenhum analfabeto morando em sua comunidade. Agora por que ele faz isso? Assim que a criança crescia e ia tomando um rumo pra vida, estudado primeiramente, Cachoeirinha fazia duas escolhas a essas crianças: “Eles entravam pro crime junto a ele, ou tinha que ir embora da comunidade.” Ele estava montando um exército para tentar dar um golpe de estado no presidente do Brasil, que na época, o país vivia uma ditadura militar com Ernesto Geisel na presidência. Que loucura, querer derrubar uma ditadura militar? Onde esse cara tá com a cabeça?
Todos os dias acordamos, olhamos para o relógio e são horas atrasado ou horas de “um pouquinho mais de sono”. Nossa vida é sempre nessa correria de levantar, trabalho, faculdade, lazer, beber, amigos, cigarros e dormir. Não acha que falta uma coisinha? Uma coisinha que te completa, que te faz se sentir vivo, te faz se sentir no tal sonhado paraíso cristão. O que seria essa coisinha? Vamos lá, você consegue! Força seu pensamento, não é difícil.



Sim, o amor. Ahhh, o amor! Amor, uma palavra com poucas letras e com um sentimento indescritível. Amor, um sentimento que te vira do avesso, deixa seu mundo de pernas para o ar, cabeça pirada como se estivesse usado uma droga tão forte que se torna um vício. Amor, um sentimento que hoje, por muitos, não é mais valorizado, um sentimento onde todos têm medo de que venha, medo de que esse sentimento tão gostoso, maravilhoso, se torne sofrimento, que te leve do céu ao inferno num estalar dos dedos. Mas não vim aqui publicar meu texto ensinando como amar, não.

Só vim aqui para dizer que no natal de 1995, conheci Márcia, uma mulher meiga, tão linda quanto esse sol que está raiando lá fora. Conheci ela num bar/cafeteria em Londres, e ainda foi por acaso, acredita? Ela trabalhava nesse bar e eu estava desanimado com a vida, pensante e desesperado pois essa coisa que se chamava amor, eu não sentia mais, não sabia mais como era depois que minha mulher, Amanda, morreu de câncer. Mas no exato momento em que vi Márcia, acho que esse sentimento veio à tona. Sabe quando você fica viajando no jeito da pessoa, fica ali, como se o tempo não existisse mais ou que tudo parasse e só estava Márcia em pé com uma garrafa de café passando de mesa em mesa? Até chegar na minha. Fiquei sem reação quando ela me viu e me abriu um sorriso. Cara, que sorriso lindo, faltava um dente mas era maravilhoso da mesma forma. Sim, era o amor. E, ao som de Tim Maia eu estou escrevendo e lembrando dessa história que nunca mais voltou. 

Com muito custo voltei no outro dia e sentei na mesma mesa e lá estava Márcia com o seu jaleco e com o seu corpo bronzeado que só uma brasileira tem e que corpo, hein?

Depois de muitos dias indo e vindo naquele bar, resolvi pedir seu telefone e chama-la para sair, mas sou desastrado com as palavras e não sabia como falar com essa mulher, ao qual estava na minha cabeça durante 24 horas e milhares de minutos. Mas enfim, consegui chama-la para sair e fomos ao cinema ver um filme de terror. Sim, terror. Era o gosto da Márcia, apaixonada por coisas que assustavam e isso me fez gostar de filmes de terror também, mesmo que eu odiasse, mas tem aquela, o que o amor não faz? E nisso fui descobrindo seus gostos, seus defeitos, qualidades, que me faziam apaixonar cada vez mais por ela. 

Me peguei esses dias pensando na Amanda, minha mulher que morreu de câncer, lembra? Ela também despertou em mim esse sentimento ao qual quase ninguém tinha conseguido. Elas eram diferentes, pessoas totalmente diferentes. Amanda era loura, dos olhos azuis e com um sorriso muito largo e lábios carnudos. Márcia era morena de cabelos longos, olhos escuros e lábios ralos mas que me chamavam de uma maneira que eu não conseguia me controlar quando estava ao seu lado.


Passou dias e fomos nos conhecendo cada vez mais e acho que fomos nos apaixonando cada vez mais também, pois quando Márcia me via, ela se enchia de felicidade e seu rosto ficava brilhando feito lua em uma noite de cheia, mas não demonstrara, era muito fechada, porém muito doce. Saímos mais uma vez, fomos a um outro bar na cidade de Liverpool e acabamos bebendo demais, saindo de lá trançando as pernas e quase que não conseguíamos andar. Rindo sem parar, feito duas crianças que tinham acabado de ganhar o melhor presente do mundo. Levei Márcia para minha casa em Manchester. 

Moro num apartamento/sala que ficava na rua Sr. Alex Ferguson, nº 009, era um prédio meio antigo com mobílias mais antigas que o próprio prédio mas eu era feliz em morar naquele lugar. Moro lá desde que cheguei do Brasil em 1989, fui resolver minha vida, fazer uma faculdade pra ver se conseguiria tomar um rumo em minha vida e acabei ficando por lá mesmo, mas havia uma coisa que ficava me incomodando o tempo todo, o que era? Eu me perguntava, e sempre quando via documentários de viagens eu me sentia triste de um lado, mas muito feliz em imaginar cada ponto em que eu poderia passar desse mundo. 

Chegamos em meu apartamento, um agarrado ao outro de tão bêbados e fomos fumar alguns cigarros para terminar a noite, mas pressentia que algo poderia rolar entre nós. Aproveitei, liguei o som e coloquei Tim Maia, sim, era apaixonado pelas musicas do Tim, posso chama-lo de Tim né? Acho que a maioria que gostava dele o chamava assim, e por incrível que pareça Márcia também tinha afinidade com as músicas de Tim, mas nada a mais, eu que era apaixonadamente apaixonado pelas suas músicas e pelas suas palavras. E foi ai que Márcia começou a dançar, a remexer e mexer aquele corpo que eu dizia ser como um violão, aqueles cabelos passavam em minhas mãos e tudo rodava, até que segurei sua mão e a puxei logo tascando um beijo. Na hora eu achei que ela iria hesitar, iria me empurrar e perguntar o por que eu fiz isso, mas não, na mesma hora ela me abraçou e me beijou também. Nessa noite eu senti sim que o amor havia voltado, que o amor estava exalando em mim. 

(Conto escrito por João Pedro Sanches) 
Postagens mais antigas Página inicial

Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

Redes Sociais

FANPAGE

Youtube

Instagram

POPULARES

  • A criatividade através das páginas
    Olá pessoal. Vocês já ouviram falar no livro "Destrua este diário" da Keri Smith?! Não? Então está na hora de conhecer como func...
  • Eu amo um ariano
    Se você abriu este link por mérito do título, você já ganhou toda a minha atenção. É por este motivo que eu te digo que este texto fala ...
  • Eu sou de câncer, ou seja, ferrou!
    Sempre que começo a falar de alguma coisa sou meio intensa, meio dramática. É coisa minha, penso. Mas aí que me engano. Bom, por um acaso...
  • Vem cá que eu te conto porque eu to solteira
    Primeiro tira da sua cabeça essa ideia vazia de achar que estou infeliz. Depois se despida desse discurso de que quem muito escolhe aca...
  • Eu só precisava de alguém que me fizesse acreditar de novo no amor
    Eu achava que não precisava de ninguém, depois de tantos tombos e feridas me fechei para esse tal do amor. Na verdade eu não sabia q...
  • Você não disse, nada.
    Suspiro, e me vem uma dor no peito que carrega consigo o nosso fim. E choro, pela falta de suas palavras quando meu zelo foi sempre d...
  • Odiar alguém pelo erro cometido não te fará se sentir melhor!
    Conversando com umas amigas sobre relacionamentos passados, percebi o quanto nós nos enchemos de ódio e raiva quando algo sai do planejad...
  • Os canibais de Garanhuns
    A algumas semanas atrás vocês ouviram falar de três pessoas (um homem e duas mulheres) que assassinaram, esquartejaram e comeram carne de tr...
  • Por que não?
    Ana perdeu seu filho de 3 anos quando estacionava o carro na garagem, ele estava atrás do carro esperando por ela, mas ela não o viu,...
  • O amor na vida real é bem melhor do que os contos de fada
    Qual é a sua concepção sobre o amor? Já vi muitas pessoas suspirando de amores quando acabam de ver um filme de romance e dizer: “Iss...

Copyright © 2016 Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro. Created by OddThemes. Adapted by Camila Leal.