Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Ana perdeu seu filho de 3 anos quando estacionava o carro na garagem, ele estava atrás do carro esperando por ela, mas ela não o viu, foi um acidente que ela não superou.
Pedro nunca levou a filha de 2 anos para a natação antes, mas naquele dia sua mulher estava doente e coube a ele levar. A neném estava dormindo, e assim ele passou direto para o trabalho, fechou a porta do carro e só se lembrou dela horas depois, tarde demais, ela já havia ficado completamente sem ar. Foi um acidente que ele não superou.
Eliza se descuidou da filha de 3 anos por 5 minutos enquanto ela arrumava a casa, a menina foi para a piscina e o som estava ligado,  como era costume. Quando ela se lembrou já era tarde, a fralda pesou na água e puxou-a para baixo. Foi um acidente que ela não superou.
O que você tem em comum com essas três pessoas? Tempo.
Elas dariam tudo para voltar horas ou minutos atrás e desfazer o já então feito. E se? Quantas vezes Ana pensou: E se não tivesse chovendo naquele dia e ela esperasse um pouco mais no trabalho. Pedro pensará: E se eu tivesse me recusado a levá-la na natação pois estava atordoado com o trabalho. E finalmente Eliza: E se eu tivesse trancado o acesso para a piscina como deveria e não tivesse me descuidado lavando a louça.
Sei que por certo você que me lê agora terá inúmeras ocasiões para pensar sobre o E se. Grande parte delas estaria ligada ao passado, ações já realizadas, erros a serem reparados. Mas não é sobre o e se, é sobre o tempo que você não mais vive que te ligo a essas 3 pessoas.
É o desperdício de tempo recusando convites de amigos pois você está mal demais para sair, é o desperdício se entupindo de comidas industriais, quando poderia se arriscar na cozinha. É o desperdício em não dizer “eu te amo”, pois tem medo. É o desperdício em se arriscar em algo que queira muito. Desperdício. Ana, Pedro e Eliza não mais vivem em função de seus traumas, e hoje passam horas na terapia e dormem com ajuda de medicamentos. Sei que um dia os três finalmente poderão se perdoar e seguir em frente.
Mas e quanto a você e seu trauma de viver? O seu excesso em dormir, o zelo com o corpo mas não com o que pensa sobre ele. Você não tem grandes feitos a serem perdoados, mas grandes a serem aceitos. Você precisa se aceitar primeiro, se amar primeiro, deixar o e se, e finalmente dizer: por que não?
São coisas que digo para mim, também.


Larissa Araújo, colunista. 


Suspiro, e me vem uma dor no peito que carrega consigo o nosso fim. E choro, pela falta de suas palavras quando meu zelo foi sempre deixar claro tudo que sentia por você, desde o nosso primeiro encontro, naquela praça.
Encontro da falta de intimidade, das novas ideias surgindo, e bem, gostei de você logo de cara, e lhe perdoei, quando você me ignorou por uns minutos e me deixou só, enquanto esperava o ônibus no ponto. Você  do outro lado falava com um amigo que eu nunca soube o nome.
Perdoei a sua falta de carinho, mesmo que quisesse dar, e a falta da carta que nunca sequer cheguei a receber. Quantas palavras não ditas, meu amor, para tantas tentativas de se garantir um amor futuro.
E insisti, insisti em recuperar todas as nossas chances, e me agarrei nos inúmeros bons momentos que tivemos, mas não se vive de passado, teríamos então que construir novos momentos no presente, mas não o fizemos, e assim demos lugar a frieza e o desencontro nos tomou.
Hoje, quando penso em você e em nós me vem um turbilhão de pensamentos, talvez muita decepção, pois seu silêncio inúmeras vezes me fez sentir pouco caso da sua parte.
Você que nunca soube encarar situações de peso com liderança, quando assumiu o fim do nosso nós, fez silêncio novamente, e ainda faz, o que me confirma que não deseja retorno algum da minha parte.
E suspiro, novamente, ao pensar que posso ter insistido sozinho durante um bom tempo, e me questiono: Será que só eu me perguntei o que houve com nosso relacionamento?
Pois se estava triste não disse, se queria algo diferente, não disse, se estava insatisfeita, com monotonia, se sentindo vazia, querendo algo diferente do que estávamos vivendo, não disse, nada, e aos poucos o não disse, nos matou. E eu, por outro lado, transbordei palavras, que nunca tiveram novamente sua resposta, apenas seu não dizer.


Larissa Araújo, colunista. 


É estranho, quero dizer, as pessoas julgam amar e no dia seguinte tudo muda. Então você nota os recados antigos na caixa de mensagem, com uma observação dizendo: eu te amo. Os bilhetes de cinema, os rascunhos no velho caderno, as listas de filmes e músicas que vocês prometeram que veriam, mas não tiveram tempo, o nós acabou antes mesmo da lista, e tudo deixou o sentido para dar lugar a estranheza.
Costumo pensar que verdadeiramente a maior estranheza acontece entre duas pessoas que se conheciam muito, mas que se tornam desconhecidas depois do fim, seja ele trágico ou não.
Você se pergunta então onde foi o erro, ou se o destino não resolveu ser gentil dessa vez, você não tem sorte no jogo e deveria ter no amor, mas parece que seu azar ocupa tudo e ela foi embora, ela foi embora e deixou a caixa de mensagens, os bilhetes, os rascunhos, as listas, as palavras, ditas e não ditas, malditas palavras.
Ficou o eu te amo, o silêncio, o fim comprovado, a ausência do amor, porque amor mesmo não acaba. Ficou o pré-amor, o projeto inacabado, a nota 0 naquele trabalho árduo que se esforçou, mas não obteve sucesso, o não que tanto evitou, o 9,8 quando o amor dependia do 0,2 que você não se preocupo, para que a relação fosse um 10 com louvor, se possível fosse claro quantificar uma relação. Mas não é, somos subjetivos demais e se tratando de amor o 0,2 corresponde a palavras, interrogações, discussões, lições, e tantos ões, e pouco nós.

Larissa Araújo, colunista. 

É estranho, não estive preparada para adotar o discurso de adulta, os anos passaram mas minha mente teima em permanecer jovem, por um lado isso parece incrível, mas só por um lado. Percebi isso em uma festa, e já vou lhe explicar as razões. 

Olha, eu não compreendo mesmo o que é ser adulta. Em uma instância sei que é assumir para si inúmeras responsabilidades, mas digo que em outra é participar de diálogos chatos, em que o único assunto que parece ser interessante para as pessoas falarem é: sexo. Algumas vezes parece conter uma conotação de oitava série, afinal provoca risos. 

É, ser adulta é ver na festa as primas que você brincou na infância, e as ouvir falar sobre casamento, vestidos de noiva, e conselhos para o casamento durar, como por exemplo: não deixar o buraco esfriar. E eu entendi que era para ser engraçado, mas o mais engraçado da noite em que vi minhas primas, foi perceber que a conversa mais interessante que tive não foi com as adultas da minha idade, mas com jovens de 15 e 16 anos.

Não por um mente ainda jovem, mas porque elas estavam interessadas em falar sobre seus anseios, sonhos, os objetivos que já concretizaram e os que ainda pretendem concretizar. A paixão do primeiro namoro, a empolgação para a faculdade, o gosto pelos estudos, e o ódio pela matemática. 

Bem, nós conversamos a noite inteira, e foi agradável estar perto delas, foi agradável não ouvir como é difícil criar os filhos, como é difícil manter casamento hoje em dia, como a mulher conhecida está cheia de plásticas, dentre outros assuntos. Sei que achar agradável não ouvir, parece errado, mas eu entendi que se ser adulta significa parar de sonhar, de lutar pelos seus objetivos, adotar uma vida de comodidade, e ter como a única felicidade, a felicidade dos filhos, eu não quero ser adulta, e digo isto de forma fervorosa, como quando criança dizia: eu não sou criança. 

Eu entendi, mesmo, e tenho para mim que ser adulta é mais, mas que talvez a maioria se esqueceu, ou lhe faltem a compreensão de que além das responsabilidades, é falar sobre assuntos agradáveis, e ser feliz por si, verdadeiramente. É, não sei mesmo o que é ser adulta, e talvez não queira. Anseio que entenda caro(a) leitor(a). 


Larissa Araújo

Um dia meu melhor amigo me disse que o bom não é ser um namorado perfeito, e sim um ex inesquecível. Sou inesquecível para todas as minhas exs, um inesquecível filho da puta.
E não tem nada a ver com traição, sei que é a primeira coisa que deve ter pensando, mas garanto que existem outras inúmeras formas de praticar a “filhadaputagem”. Já experimentou, por exemplo, não dar atenção a sua mulher?
Eu poderia dizer para você nem se arriscar a experimentar, mas provavelmente já deve ter efetuado essa ação, e a consequência não é nada agradável, claro. Mas, é isso, não dei atenção.
Eu fui tão filho da puta quanto poderia ser, quando ela queria tagarelar e eu só queria beijá-la, ela queria um jantar romântico, e meu jeito grosseiro estragava todas as expectativas.
Sei que agora estou falando de uma ex, mas quero dizer que meu jeito estragou com tudo, todas as vezes, e sem querer segui o conselho do meu melhor amigo.
Acabei sendo o ex inesquecível, o que vai ser lembrado por não se lembrar das datas importantes, por não retribuir os presentes ganhados, não entregar as cartas que escreveu, e até em outra instância, ser o cara que só pensa em sexo.
Ah, se todas elas soubessem que o que eu queria mesmo era ser o namorado perfeito, não o ex. E provavelmente elas diriam que não fiz nada para isso, sem saber que tentei mudar para melhor mil vezes, que fiz coisas que nunca se passaram sequer pela minha cabeça, que chorei na calada da noite como aqueles poetas, mesmo que eu seja escritor mesmo é de boteco.
E por fim, se soubessem, que eu amava mais que demonstrava e que por medo transparecia o oposto, eu seria lembrado da forma mais bonita, lembrado por amor.



Gostaria de ouvir a sua versão da história, que pudesse assim como eu escrever sobre o início até o fim de nossos dias. Me pergunto se ainda se lembra do dia em que me conheceu, da primeira vez que falou comigo, ou será que fui eu a falar? Do primeiro abraço, do beijo, do eu te amo, da primeira transa, da briga, do primeiro e último adeus. Me pergunto se você se lembra de cada primeira vez, e me deparo com a verdade que sempre bateu a minha porta, sempre vivemos cada momento como se fosse o último, pois no fim sabíamos que nosso para sempre seria breve.

Foi tempo suficiente para que continuasse aqui mesmo quando virava as costas, tempo para guardar os sorrisos como os melhores, e os abraços como moradia. Sabe, sempre te vi desistir de coisas que queria muito, mas essa regra não se aplicava a mim, pois quando queria fugir do mundo me transformava em seu planeta particular, e quando o frio lhe tomava eu era a chama que te aquecia e derretia seu coração com o mais fervoroso e sincero, amor.

Então por que não me escuta mais? Já não descobre quando não estou bem sem que eu precise falar, e já nem sequer nos falamos. Não sei o motivo pelo qual iria querer me ver só, mas saiba que estou completamente. As pessoas a minha volta não me compreendem como você compreendia, elas não me decifram só de olhar, e já não me dão um propósito para seguir em frente com fé.

Fé, não que você fosse religiosa, pelo contrário tinha dificuldades em acreditar em Deus, mas eu não tinha, sabia que ele existia quando te olhava, a mais perfeita criação que meus olhos já viu. Você apareceu na hora certa, mesmo quando lhe dizia que queria ter lhe conhecido antes, talvez agora eu pense que queria ter te conhecido um pouco mais tarde, com mais maturidade e segurança.

Mas quem sou para definir a ordem de acontecimentos? Não posso voltar atrás e fazer um novo começo e talvez nem gostaria, porque apesar do nosso final estou feliz, afinal acontecemos. Sei que posso ser mais frágil do que apresento, quando ninguém está olhando procuro notícias suas, e quando escuto seu nome meu coração ainda dispara, quando escrevo sobre você… Ah, ainda choro, pois estou revivendo novamente meu luto, o luto da minha morte dentro de ti.




Sempre me questiono a razão do porque o nós não aconteceu, o motivo pelo qual nós simplesmente não nos esbarramos por ai, e porque não poderia ter te conhecido pelo acaso. Quem sabe assim poderíamos sempre lembrar a maneira que nos encontramos, e dizer que foi sorte do destino. Mas não foi, eu quis te conhecer, quis desde a primeira vez que vi você, mas você permaneceu em silêncio boa parte do tempo, e com isso minhas perguntas não foram realizadas.
Sabe nunca fui boa em conquistar alguém, mas se por alguma ironia da vida eu conquisto, consigo fazer com que o interesse permaneça, pela minha característica de lutar diariamente para que algo dê certo, porque acredito que conquistar uma vez, não é garantia de ter aquilo ou alguém por um longo tempo. Por isso digo que lutaria por você, te lembraria das razões pelas quais quis te conhecer, e diria outras novas, pois você... Você é uma fonte inesgotável de informações interessantes.
Sei que o amor não é algo que se possa pedir a alguém, e estou longe de te pedir isso. Até porque acredito que o amor é construção, diferentemente da paixão, pois a paixão é súbita, é quente, é imediata, o amor nasce aos poucos, no dia a dia, quando se olha para alguém e sabe que gostaria de estar ali amanhã também, nos braços, no abraço, no corpo.
E talvez eu ainda não saiba tanto quanto gostaria sobre o que é amar, também tenho medo, o amor é um precipício, você se joga sem saber se o chão poderá te salvar ou não, não encontrei uma definição melhor, porque não vou mentir para você, sempre usei de sinceridade e agora não será diferente. Sabe esse sentimento? Ele pode te fazer a pessoa mais feliz do mundo, ou te causar uma dor insana.
Não digo isso para lhe assustar, pois mesmo quando é dor, vale tanto a pena, pois é algo tão único, que muitos passarão a vida toda sem ter contato com um amor de verdade, isso é triste, mas é real. Eu só confesso que não quero passar a minha vida, e olhar para trás e pensar que não fiz o que queria fazer, que não fui quem gostaria de ser, porque a vida é só uma, e viver é um sopro.
E é por isso que estou sempre te dizendo o que sinto, o que penso, não quero que essas palavras morram em mim, sei que é um risco, mas não me arrependo, isso está nos meus pensamentos agora, você está, e pode ser que isso não represente nada, nem agora e nem depois, mas sabe isso aqui? Isso aqui vale muito a pena, você vale a pena, cada sorriso de canto, cada felicidade que chega quando você chega, colorindo o mundo, a minha vida.



Senhoras e Senhores, Sejam Bem-Vindos ao 76º Jogos Vorazes, sentem-se nas poltronas, desliguem os celulares, e observem atentamente porque vem lacre por ai. É isso, Jogos Vorazes parte II, o grande final, chega às telinhas do mundo, e teve sua estreia na quarta-feira (18). As salas de cinema claro ficaram lotadas, e não podia ser diferente, afinal Jogos Vorazes: A Esperança parte I, deixou aquele gosto de quero mais, e pessoalmente me deu muita ansiedade de saber logo como seria o final adaptado para o filme. Se você ai já leu o livro tem uma boa ideia sobre, visto que essa é uma das sagas mais fieis ao livro. Contudo, mesmo assim é surpreendente, e aqui estou para contar os detalhes dessa saga que vai deixar saudade, alias, já deixou saudades. 
Para iniciar o filme já começa com cenas de tirar o fôlego, e isso se perdura durante todo o decorrer do mesmo, são cenas com muita ação e muitos diálogos, não somente interessantes, como também necessários. O filme contou com efeitos especiais incríveis, e algumas cenas podem dar agonia, como a cena do esgoto, não vou dar spoilers, mas já digo para preparar o coração.
Vale lembrar que decisões importantes serão definitivamente tomadas nesse filme, o triângulo amoroso ainda não desfeito na primeira parte, terá enfim a escolha do tordo, Gael ou Petta? Vale a pena conferir a escolha de Katniss, e o destino que cada um desses personagens irá tomar.
            E olha que essa é só uma das decisões, Katniss toma decisões durante o filme todo, afinal é uma guerra, os distritos contra a capital, e alguns presidentes terão participação efetiva nisso, digo presidentes porque se você acha que Snow será o único a ganhar repercussão se enganará, afinal Coin foi importante na primeira parte, e será ainda mais na segunda.
Está curioso (a)? Eu também estaria se fosse você, então se ainda não viu o filme, corre, porque está destruidor, e você vai ficar assim ó: no chão, quando acabar. Vai até se questionar: Já acabou Jéssica?
Maaaas brincadeiras a parte, de todo coração, assistam, o filme está lindo, com muita ação, romance, fazendo rir, chorar (vai ter mortes sim :/), e sair da sala de cinema já com saudades. E se acaso você não gostar, vem aqui nos comentários brigar comigo (risos), estarei aqui sempre por vocês e para vocês. Até mais Cranela, hasta la vista baby!




azes
    

    Esperam tragédias acontecerem para pedir paz, as pessoas morrerem para dar flores, os erros acontecerem para promover mudanças. Isso tem sido parte das ações dos seres humanos durante séculos, os únicos seres capazes de lutar contra sua própria espécie. E infelizmente não foi diferente nos últimos dias, a chacina que ocorreu em Paris foi só um exemplo da intolerância, a destruição em Mariana foi só a consequência das ações do próprio homem. 
    
    Tantas mortes, todos os dias, sem alarde, mortes causadas por um celular ou pelo dinheiro não entregue, por brigas fatais, por falta de compreensão, de amor. Mortes que muitas vezes não ocupam os noticiários, não recebem manchetes nos jornais, nem comoção pública. Mas os seres humanos ainda brigam para ver qual tragédia é maior, esquecendo-se de dar atenção para todas, todas as tragédias diárias. Não somos heróis, não poderemos salvar o mundo, visto que a mudança parte do desejo, mudamos quando queremos mudar, e infelizmente muitos só desejam quando é tarde demais. 

      Mas, a consciência é um terreno importante, que limpo garante que a sua parte pessoal foi feita, e é assim que deveríamos agir, fazendo nossa parte todos os dias, pedindo pela paz e promovendo-a, tratando com respeito nossos semelhantes, fazendo o bem quando o mundo já carece de boas ações. 
 
     E fomos nós seres humanos que causamos tudo, não, não culpe Deus pelas ações da própria humanidade, não é castigo, é consequência. A natureza já pede socorro há décadas, mas continuam a desmatar, a poluir e desperdiçar recursos, acarretando guerras e mortes pelos mesmos. Continuam a matar por pouco, por nada, somente pela intolerância, pela falta de olhar o outro com um pouco mais de carinho, de zelo. O mundo está sendo dividido, por classes sociais, por status, por religião, por orientação sexual. 

     Está cada vez mais difícil manter diálogo entre nações, e um grupo de pessoas, por exemplo, que se intitulam Estado Islâmico declaram que esse é só o começo, mas já começou faz algum tempo. A grande questão é que agora a guerra é por nome da religião, ou essa é só mais uma desculpa, afinal não há em nenhum livro sagrado que ódio, vingança e intolerância, seja aceitável. Os próprios muçulmanos fazem questão de expor ''not in my name'', não é por eles, não é por Deus. Então não peça para que as pessoas parem de rezar, para que elas deixem de alimentar sua fé, porque os fundamentalistas são parte mínima das pessoas que realmente usam da religião da maneira correta. 

Rezas/orações não alimentam tragédias, pedem a paz, a tolerância e o amor. Então tenham fé, se alimentem do bem, mas  façam algo, em nome dos seres humanos, e desse mundo que é nossa casa, e que deveríamos cuidar. 

Eu vejo humanos, mas não humanidade.



Quando descobrir que o amor já não vale a pena? Qual a definição do amor? Quando encontrará sua alma gêmea? São muitas perguntas, complexas respostas, mas, fáceis se você olhar como deve, primeiramente de forma simplista o amor pode ser definido como um sentimento, porque há provavelmente sete bilhões de outras definições para tal. Saber se vale a pena ou não é uma questão de dosagem, ou melhor, digo que é uma pesagem, como preferir, o que tem que saber é como você enxerga a outra pessoa, e quais características coloca a prova em uma relação. 

Se a relação te faz bem, feliz em boa parte do tempo, se você sente que a outra pessoa veio de certa forma para te completar, você pode estar no caminho certo, e se além disso, você tem consciência dos defeitos, mas sabe respeita-los, e mais ainda exaltar as qualidades, a relação pode sim ter um futuro, afinal você não encontrará a alma gêmea, sinto dizer, mas, não existem almas gêmeas, pessoas perfeitas é pura utopia. 

Desculpe te desapontar, mas, se você ainda não encontrou a pessoa certa, é porque provavelmente pode estar procurando nos lugares errados, ou porque idealizou uma pessoa que pode não existir, porque a vida nos mostra que contos de fadas só existem nos filmes, de modo que querer uma relação infantilizada não te ajudara. O príncipe não virá em um cavalo, nem chegara sorrindo, provável que nem vista trajes exemplares, ele pode estar usando uma camisa, boné e chinelo, e pode ser o cara que você deixou passar dias atrás, da mesma maneira pode ser aquela menina, com o esmalte todo descascado, cabelo bagunçado, e jeito um tanto desengonçado, ela pode não estar usando um vestido maravilhoso, nem tão pouco salto alto, mas você nem a olhou por isso. 

Eu sei, não existe essa história de olhar primeiramente o coração, você olha primeiro o exterior, mas olha, sabemos que só o exterior não basta, que a beleza te ganha no inicio, mas não mantém uma relação se não tiver algo mais, é aquela história da física e química, onde a física é o exterior, lembrando que beleza também é relativo para cada pessoa, e a química, que para mim particularmente é a mais importante. Porque a química te faz gostar até do exterior. Já deve ter ouvido alguém dizer algo mais ou menos assim: Nossa aquela pessoa é tão linda pelo que ela é. Da mesma forma também pode ter ouvido um: É lindo (a) por fora, mas tão vazio (a) por dentro. Pois é, bom é ter alguém do lado que se possa ter os diálogos mais improváveis, que te faça se sentir a vontade como você é exatamente, não que o amor aconteça sempre da maneira mais inusitada, ou que você só irá se apaixonar por pessoas que considera desarrumadas, como mencionei a cima. Eu só quero que entenda que o amor acontece em detalhes tão pequenos, que pode passar de maneira despercebida aos seus olhos.  

Tudo que precisa fazer é idealizar menos, e deixar que o hoje aconteça por si só, responda sorrisos, haja educadamente e igualmente com todas as pessoas, afinal todos merecem respeito, são humanos, passíveis a erros, mas humanos. E além do mais uma relação é constituída de amor (é o que se espera), mas não somente, é constituída de respeito, cuidado, e reciprocidade, palavra bonita, mas ainda mais quando é vista em prática. 



Para finalizar então gostaria de deixar um texto do Dr. Dráuzio Varela, que define bem como deveria ser uma relação, e um vídeo do Padre Fábio de Melo, trazendo justamente essa ideia de que pessoas perfeitas não existem, e ao final deixo também uma observação: Não procure a metade da laranja, procure uma laranja inteira, afinal uma pessoa pela metade é ruim, um amor pela metade ainda mais. E se quer saber se está verdadeiramente com a pessoa certa, pergunte para si como seria sua vida sem ela, e não faça que sua felicidade seja dependente, quando ela deve começar primeiramente em você, e logo depois complementada por outro alguém. 

”Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado. Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso. Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo. Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair. Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois. ” 

Dr. Dráuzio Varela
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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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