Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Ana perdeu seu filho de 3 anos quando estacionava o carro na garagem, ele estava atrás do carro esperando por ela, mas ela não o viu, foi um acidente que ela não superou.
Pedro nunca levou a filha de 2 anos para a natação antes, mas naquele dia sua mulher estava doente e coube a ele levar. A neném estava dormindo, e assim ele passou direto para o trabalho, fechou a porta do carro e só se lembrou dela horas depois, tarde demais, ela já havia ficado completamente sem ar. Foi um acidente que ele não superou.
Eliza se descuidou da filha de 3 anos por 5 minutos enquanto ela arrumava a casa, a menina foi para a piscina e o som estava ligado,  como era costume. Quando ela se lembrou já era tarde, a fralda pesou na água e puxou-a para baixo. Foi um acidente que ela não superou.
O que você tem em comum com essas três pessoas? Tempo.
Elas dariam tudo para voltar horas ou minutos atrás e desfazer o já então feito. E se? Quantas vezes Ana pensou: E se não tivesse chovendo naquele dia e ela esperasse um pouco mais no trabalho. Pedro pensará: E se eu tivesse me recusado a levá-la na natação pois estava atordoado com o trabalho. E finalmente Eliza: E se eu tivesse trancado o acesso para a piscina como deveria e não tivesse me descuidado lavando a louça.
Sei que por certo você que me lê agora terá inúmeras ocasiões para pensar sobre o E se. Grande parte delas estaria ligada ao passado, ações já realizadas, erros a serem reparados. Mas não é sobre o e se, é sobre o tempo que você não mais vive que te ligo a essas 3 pessoas.
É o desperdício de tempo recusando convites de amigos pois você está mal demais para sair, é o desperdício se entupindo de comidas industriais, quando poderia se arriscar na cozinha. É o desperdício em não dizer “eu te amo”, pois tem medo. É o desperdício em se arriscar em algo que queira muito. Desperdício. Ana, Pedro e Eliza não mais vivem em função de seus traumas, e hoje passam horas na terapia e dormem com ajuda de medicamentos. Sei que um dia os três finalmente poderão se perdoar e seguir em frente.
Mas e quanto a você e seu trauma de viver? O seu excesso em dormir, o zelo com o corpo mas não com o que pensa sobre ele. Você não tem grandes feitos a serem perdoados, mas grandes a serem aceitos. Você precisa se aceitar primeiro, se amar primeiro, deixar o e se, e finalmente dizer: por que não?
São coisas que digo para mim, também.


Larissa Araújo, colunista. 


Suspiro, e me vem uma dor no peito que carrega consigo o nosso fim. E choro, pela falta de suas palavras quando meu zelo foi sempre deixar claro tudo que sentia por você, desde o nosso primeiro encontro, naquela praça.
Encontro da falta de intimidade, das novas ideias surgindo, e bem, gostei de você logo de cara, e lhe perdoei, quando você me ignorou por uns minutos e me deixou só, enquanto esperava o ônibus no ponto. Você  do outro lado falava com um amigo que eu nunca soube o nome.
Perdoei a sua falta de carinho, mesmo que quisesse dar, e a falta da carta que nunca sequer cheguei a receber. Quantas palavras não ditas, meu amor, para tantas tentativas de se garantir um amor futuro.
E insisti, insisti em recuperar todas as nossas chances, e me agarrei nos inúmeros bons momentos que tivemos, mas não se vive de passado, teríamos então que construir novos momentos no presente, mas não o fizemos, e assim demos lugar a frieza e o desencontro nos tomou.
Hoje, quando penso em você e em nós me vem um turbilhão de pensamentos, talvez muita decepção, pois seu silêncio inúmeras vezes me fez sentir pouco caso da sua parte.
Você que nunca soube encarar situações de peso com liderança, quando assumiu o fim do nosso nós, fez silêncio novamente, e ainda faz, o que me confirma que não deseja retorno algum da minha parte.
E suspiro, novamente, ao pensar que posso ter insistido sozinho durante um bom tempo, e me questiono: Será que só eu me perguntei o que houve com nosso relacionamento?
Pois se estava triste não disse, se queria algo diferente, não disse, se estava insatisfeita, com monotonia, se sentindo vazia, querendo algo diferente do que estávamos vivendo, não disse, nada, e aos poucos o não disse, nos matou. E eu, por outro lado, transbordei palavras, que nunca tiveram novamente sua resposta, apenas seu não dizer.


Larissa Araújo, colunista. 


É estranho, quero dizer, as pessoas julgam amar e no dia seguinte tudo muda. Então você nota os recados antigos na caixa de mensagem, com uma observação dizendo: eu te amo. Os bilhetes de cinema, os rascunhos no velho caderno, as listas de filmes e músicas que vocês prometeram que veriam, mas não tiveram tempo, o nós acabou antes mesmo da lista, e tudo deixou o sentido para dar lugar a estranheza.
Costumo pensar que verdadeiramente a maior estranheza acontece entre duas pessoas que se conheciam muito, mas que se tornam desconhecidas depois do fim, seja ele trágico ou não.
Você se pergunta então onde foi o erro, ou se o destino não resolveu ser gentil dessa vez, você não tem sorte no jogo e deveria ter no amor, mas parece que seu azar ocupa tudo e ela foi embora, ela foi embora e deixou a caixa de mensagens, os bilhetes, os rascunhos, as listas, as palavras, ditas e não ditas, malditas palavras.
Ficou o eu te amo, o silêncio, o fim comprovado, a ausência do amor, porque amor mesmo não acaba. Ficou o pré-amor, o projeto inacabado, a nota 0 naquele trabalho árduo que se esforçou, mas não obteve sucesso, o não que tanto evitou, o 9,8 quando o amor dependia do 0,2 que você não se preocupo, para que a relação fosse um 10 com louvor, se possível fosse claro quantificar uma relação. Mas não é, somos subjetivos demais e se tratando de amor o 0,2 corresponde a palavras, interrogações, discussões, lições, e tantos ões, e pouco nós.

Larissa Araújo, colunista. 

É estranho, não estive preparada para adotar o discurso de adulta, os anos passaram mas minha mente teima em permanecer jovem, por um lado isso parece incrível, mas só por um lado. Percebi isso em uma festa, e já vou lhe explicar as razões. 

Olha, eu não compreendo mesmo o que é ser adulta. Em uma instância sei que é assumir para si inúmeras responsabilidades, mas digo que em outra é participar de diálogos chatos, em que o único assunto que parece ser interessante para as pessoas falarem é: sexo. Algumas vezes parece conter uma conotação de oitava série, afinal provoca risos. 

É, ser adulta é ver na festa as primas que você brincou na infância, e as ouvir falar sobre casamento, vestidos de noiva, e conselhos para o casamento durar, como por exemplo: não deixar o buraco esfriar. E eu entendi que era para ser engraçado, mas o mais engraçado da noite em que vi minhas primas, foi perceber que a conversa mais interessante que tive não foi com as adultas da minha idade, mas com jovens de 15 e 16 anos.

Não por um mente ainda jovem, mas porque elas estavam interessadas em falar sobre seus anseios, sonhos, os objetivos que já concretizaram e os que ainda pretendem concretizar. A paixão do primeiro namoro, a empolgação para a faculdade, o gosto pelos estudos, e o ódio pela matemática. 

Bem, nós conversamos a noite inteira, e foi agradável estar perto delas, foi agradável não ouvir como é difícil criar os filhos, como é difícil manter casamento hoje em dia, como a mulher conhecida está cheia de plásticas, dentre outros assuntos. Sei que achar agradável não ouvir, parece errado, mas eu entendi que se ser adulta significa parar de sonhar, de lutar pelos seus objetivos, adotar uma vida de comodidade, e ter como a única felicidade, a felicidade dos filhos, eu não quero ser adulta, e digo isto de forma fervorosa, como quando criança dizia: eu não sou criança. 

Eu entendi, mesmo, e tenho para mim que ser adulta é mais, mas que talvez a maioria se esqueceu, ou lhe faltem a compreensão de que além das responsabilidades, é falar sobre assuntos agradáveis, e ser feliz por si, verdadeiramente. É, não sei mesmo o que é ser adulta, e talvez não queira. Anseio que entenda caro(a) leitor(a). 


Larissa Araújo


E sem esperar acontecer, acontecemos. Assim, sem data ou hora marcada, assim, da melhor forma. E as inúmeras vírgulas no texto representarão as minhas pausas entre os nossos beijos, as pausas para te olhar, para sorrir, e para me questionar tanto se você existe mesmo, pois parece tão irreal, como faz?
Como faz para não te querer tanto e esperar sua mensagem, voz, olhar, cada parte de você? Fiquei zonzo na primeira vez, e permanecerei assim nas outras, afinal pensar em você é me tomar de arrepio, ternura e amor, é louco, eu sei, mas transborda.
Agora parando com o excesso de vírgulas eu quero estender esse sentimento, e reviver essa imensidão que é você e nós. É cedo para dizer nós, é cedo de fato, e se me perguntar como tudo aconteceu não vou saber dizer, e se me disser que não é boa o suficiente, só saberei te calar com um beijo, como em todas as outras vezes. Mas, dessa vez sem pausas, um longo beijo, para te afirmar o quanto quero você, e o quanto estar com você é não querer estar em mais nenhum lugar.
Eu quero, eu juro, sentir seu corpo passar de frio a calor, de calor a frio, de forma instantânea, quero ouvir sua respiração, o seu ”nossa”, os nossos, nossa! Eu quero te mostrar que você é linda, incrível, espirituosa. Que estar perto de você é ter paz, é esquecer que o mundo lá fora existe e desejar (mesmo que de forma clichê) que o tempo passe bem devagar.
Falando em devagar, entendo sua preocupação de estarmos indo depressa demais, mas se soubesse, e por certo não sabe, que dentro de mim o desejo é parar cada momento com você, não teria tanto receio. Não, não encontrarei alguém melhor, não mudarei com você de um dia para o outro, não esquecerei de me questionar se está bem, ou sobre como está sendo seu dia.
Não tenho a pretensão de que as coisas morram, antes mesmo de nascerem de fato. Eu sei que assim como eu você quer e entende sobre reciprocidade, apesar de não termos vivido em nosso passado. Sei que assim como eu você almejará fazer isso dar certo de verdade, seja como for. Então vamos? Entre nessa viagem comigo, me permita te conhecer todos os dias, cada dia mais, mesmo não sabendo onde nossa viagem terminará, onde é que iremos estacionar.
Vamos viver primeiro 24 horas, pois ”em um dia dá para fazer coisa demais”, e depois, somente depois, eu deixo você pensar sobre o que fazer com as próximas 24 horas. Mas afirmo, minhas intenções com você são as melhores, e se quiser digo isso até para seus pais, ou para quem quiser ouvir.
E se um dia eu me perguntar a razão de não ter lhe conhecido antes, vou dizer para mim e até mesmo para você, que nos conhecemos quando era preciso, e agora preciso de você, não somente para completar as diferenças, mas para transbordar o que já temos, para ser tanto para você, quanto és para mim.




Gostaria de ouvir a sua versão da história, que pudesse assim como eu escrever sobre o início até o fim de nossos dias. Me pergunto se ainda se lembra do dia em que me conheceu, da primeira vez que falou comigo, ou será que fui eu a falar? Do primeiro abraço, do beijo, do eu te amo, da primeira transa, da briga, do primeiro e último adeus. Me pergunto se você se lembra de cada primeira vez, e me deparo com a verdade que sempre bateu a minha porta, sempre vivemos cada momento como se fosse o último, pois no fim sabíamos que nosso para sempre seria breve.

Foi tempo suficiente para que continuasse aqui mesmo quando virava as costas, tempo para guardar os sorrisos como os melhores, e os abraços como moradia. Sabe, sempre te vi desistir de coisas que queria muito, mas essa regra não se aplicava a mim, pois quando queria fugir do mundo me transformava em seu planeta particular, e quando o frio lhe tomava eu era a chama que te aquecia e derretia seu coração com o mais fervoroso e sincero, amor.

Então por que não me escuta mais? Já não descobre quando não estou bem sem que eu precise falar, e já nem sequer nos falamos. Não sei o motivo pelo qual iria querer me ver só, mas saiba que estou completamente. As pessoas a minha volta não me compreendem como você compreendia, elas não me decifram só de olhar, e já não me dão um propósito para seguir em frente com fé.

Fé, não que você fosse religiosa, pelo contrário tinha dificuldades em acreditar em Deus, mas eu não tinha, sabia que ele existia quando te olhava, a mais perfeita criação que meus olhos já viu. Você apareceu na hora certa, mesmo quando lhe dizia que queria ter lhe conhecido antes, talvez agora eu pense que queria ter te conhecido um pouco mais tarde, com mais maturidade e segurança.

Mas quem sou para definir a ordem de acontecimentos? Não posso voltar atrás e fazer um novo começo e talvez nem gostaria, porque apesar do nosso final estou feliz, afinal acontecemos. Sei que posso ser mais frágil do que apresento, quando ninguém está olhando procuro notícias suas, e quando escuto seu nome meu coração ainda dispara, quando escrevo sobre você… Ah, ainda choro, pois estou revivendo novamente meu luto, o luto da minha morte dentro de ti.




Sempre me questiono a razão do porque o nós não aconteceu, o motivo pelo qual nós simplesmente não nos esbarramos por ai, e porque não poderia ter te conhecido pelo acaso. Quem sabe assim poderíamos sempre lembrar a maneira que nos encontramos, e dizer que foi sorte do destino. Mas não foi, eu quis te conhecer, quis desde a primeira vez que vi você, mas você permaneceu em silêncio boa parte do tempo, e com isso minhas perguntas não foram realizadas.
Sabe nunca fui boa em conquistar alguém, mas se por alguma ironia da vida eu conquisto, consigo fazer com que o interesse permaneça, pela minha característica de lutar diariamente para que algo dê certo, porque acredito que conquistar uma vez, não é garantia de ter aquilo ou alguém por um longo tempo. Por isso digo que lutaria por você, te lembraria das razões pelas quais quis te conhecer, e diria outras novas, pois você... Você é uma fonte inesgotável de informações interessantes.
Sei que o amor não é algo que se possa pedir a alguém, e estou longe de te pedir isso. Até porque acredito que o amor é construção, diferentemente da paixão, pois a paixão é súbita, é quente, é imediata, o amor nasce aos poucos, no dia a dia, quando se olha para alguém e sabe que gostaria de estar ali amanhã também, nos braços, no abraço, no corpo.
E talvez eu ainda não saiba tanto quanto gostaria sobre o que é amar, também tenho medo, o amor é um precipício, você se joga sem saber se o chão poderá te salvar ou não, não encontrei uma definição melhor, porque não vou mentir para você, sempre usei de sinceridade e agora não será diferente. Sabe esse sentimento? Ele pode te fazer a pessoa mais feliz do mundo, ou te causar uma dor insana.
Não digo isso para lhe assustar, pois mesmo quando é dor, vale tanto a pena, pois é algo tão único, que muitos passarão a vida toda sem ter contato com um amor de verdade, isso é triste, mas é real. Eu só confesso que não quero passar a minha vida, e olhar para trás e pensar que não fiz o que queria fazer, que não fui quem gostaria de ser, porque a vida é só uma, e viver é um sopro.
E é por isso que estou sempre te dizendo o que sinto, o que penso, não quero que essas palavras morram em mim, sei que é um risco, mas não me arrependo, isso está nos meus pensamentos agora, você está, e pode ser que isso não represente nada, nem agora e nem depois, mas sabe isso aqui? Isso aqui vale muito a pena, você vale a pena, cada sorriso de canto, cada felicidade que chega quando você chega, colorindo o mundo, a minha vida.



Lá estava eu novamente procurando as melhores palavras, as mais adequadas, as que soavam melhor, quando na verdade só precisava de coragem para dizer três, que aparentemente pareciam muito simples, mas eu não sei o que me dava, e porque diabos era tão difícil chegar logo, e dizer o que estava estampado na minha cara faz tempo: EU AMO VOCÊ.
Mas quem era você na fila do pão? E por que era tão diferente das demais pessoas? Você não tinha aspectos para pegar a fila preferencial, exceto que seu sorriso era tão lindo, que isso te colocava definitivamente em vantagem, pelo menos aos meus olhos. Porque de uma forma clichê quando te vi pareceu ser amor à primeira vista, mesmo não crendo que exista tal amor, e mesmo confessando que eu odiei você logo de cara.
Odiei admitir que você fosse diferente de tudo que havia visto na minha vida, porque o teu jeito ‘‘foda-se’’me intrigava, odiei perceber que isso era só uma armadura constituída por um ser tão sentimental quanto eu. Que descobriria enfim o amor que procurei a minha vida inteira, e que seria completamente diferente de tudo que eu imaginava. Eu só odiei, porque eu me apaixonei, e nessa linha tênue entre amor e ódio, o amor venceu, acabei amando até o que antes odiava.
Eu amei, eu amei cara, e eu poderia falar mil razões e alimentar minha mania de me explicar o tempo inteiro, quando nunca precisei explicar para aquele rosto o porquê do amor. Tudo falava por mim, e disse tantas vezes as três famosas palavras, que sabotava a ideia de permanecer firme e não me envolver: Eu amo você.

 E as palavras estão em sua maioria no passado, como todas as minhas histórias de amor, é tão trágico, eu sei. Mas não posso simplesmente esquecer o que você foi no passado, porque ainda me preocupo em entender o que será no futuro. 

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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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