Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Eu poderia escrever mais uma vez sobre você, e a forma como eu deito no teu colo e durmo com cafuné. Poderia dizer mais que você é incrivelmente maravilhoso e que seu cheiro causa o mesmo efeito que droga pra mim. Eu bem que poderia dizer e gritar pra todo mundo que você me mima absurdamente e que suas mãos grandes servem tanto pra acarinhar como para dar prazer, e minha nossa que prazer.

Poderia sim dizer que, com você, eu tenho prazer inesgotáveis e que o sexo é o melhor no qual já fiz. Eu poderia falar baixinho, bem baixinho que seu beijo é tentador, e eu prefiro ficar sem chocolate do que teus beijos. Poderia dizer pra todos que dormir com você é o mesmo que dormir nos braços de um anjo, porque tu me acalma e me faz sonhar fácil. Eu bem que poderia falar que você cozinha muito bem, e que faz um strogonoff maravilhoso que eu não dispenso nem pela melhor festa do mundo.

Eu poderia falar para minhas amigas que você é chato também, e que briga por sentir ciume, mas que me protege da maneira mais bonita possível. Poderia dizer que minha mãe te ama e que nós daríamos uma linda família.

Sim, eu poderia dizer tudo isso, se você não tivesse escolhido o lado oposto e soltado minha mão, se você não tivesse me deixado no último instante e no último suspiro. Eu poderia ter dito tudo isso, porque sei que você o faria, se não tivesse partido. 

Te quero daquele jeito torto que você tem, do sorriso manso que dá e do jeito como dirige. Te quero nos erros cometidos, nos tropeços de português, na matemática, na física, na química, no jornalismo, no direito e no torto. Teu torto. Te quero porque você chega com aquele jeito bravo de quem não quer me ver, mas não resiste quando eu dou um beijo na tua bochecha e bato a porta do carro sem olhar pra trás. Te quero porque ninguém mais te quis depois de todo seu jeitão bruto. Te quero porque me transformou em mulher, mais do que eu já era e me mostrou que eu realmente não preciso de você pra sorrir, mas eu quero. Te quero por não querer, por não te ver ou não te sentir sempre que eu preciso. Te quero na alergia e no frio, que faz os dois entrarem em crise alérgica e perder o dia de trabalho porque o soro na veia faz mais efeito. Ambos no hospital. Te quero no dia que você me quis e eu não, e mesmo assim você insistiu e percebeu o quanto eu já havia feito isso por nós. Quero você por simplesmente tentar errar e não conseguir, porque eu sempre mordo a boca e você fica nervoso e eu peço pra vir dormir. Te quero por nunca querer sexo o tempo todo e saber que eu tenho meus momentos. Nós temos. Quero você porque sim, sem motivo mesmo, ou por todos os motivos banais e errados do mundo. Eu só quero.




Hoje eu desliguei o celular; comecei meu dia assim e eu aconselho que você faça o mesmo.

Esqueça de redes sociais, whatasapp, ligações, mensagens e até o queridinho tinder. Esqueça de relacionamentos falsos, de amigos virtuais, de conversas sem sentimento, de gente meio termo, de fotos que não te descrevem. Se desligue da tecnologia e olhe a sua volta, veja o que tem na esquina, no parque, no ônibus, no seu trabalho, na sua faculdade. Comece a olhar pra você.

Viva o agora! Quando estiver à caminho do trabalho, tire os fones de ouvido, observe as pessoas, os pássaros e o som dos carros. Sinta o vento batendo no seu rosto e veja o quão forte você pode respirar. Caminhe devagar, aprecie cada árvore, cada arquitetura, cada ponto que você passar. Pense. E continue esquecendo de uma vida baseada em "o que sou aqui". Não mude, não se diferencie do que é, não seja outro. Geralmente as redes sociais tendem a mudar nossa forma de ser. 

Encontre amigos, esqueça do celular quando estiver com eles. Sorria, se divirta e proporcione alegria às pessoas que você ama e tem por perto. 

Pense na seguinte situação: você caminha para o trabalho com os olhos vidrados na tela do celular, sem perceber o que está a sua frente, sem ver as pessoas, sem olhar nos olhos delas, sem sentir o cheiro delas. Bem... você pode ter acabado de passar pelo seu marido ou sua mulher, mas perdeu essa oportunidade de encontrá-lo mais cedo porque seus olhos não tiveram tempo para admirar a beleza do outro. Mas, se você estivesse olhando para frente, se cruzasse com a pessoa, olhasse em seus olhos e percebesse que tudo poderia mudar dali em diante. Você caminharia pelo mesmo lugar, no mesmo horário todos os dias para poder esbarrar nele, até o dia que vocês trocariam o número e ele, bom, ele faria questão de te ver todos os dias e estar sempre presente na sua vida, e isso não seria atrás do whatsapp ou de uma webcam.

Fico indignada de haver carregadores de celulares em baladas, de ver pessoas conectadas o tempo inteiro e, assim, nem olham para o próximo passo, no duplo sentido mesmo. 

Quando eu me via namorado, sempre tentava ao máximo ficar do lado dele, vê-lo, senti-lo, me divertir. Acho que peguei o celular pouquíssimas vezes quando ele estava comigo, apenas para resolver trabalhos da faculdade. Eu não iria deixar de aproveitar o tempo com quem eu amava, para ficar conectada. Eu não desperdiçaria um momento tão único por algo tão inútil. Quando estou com meus amigos, tento não me conectar. Sempre fazemos a brincadeira de que, quem pegar o celular primeiro, paga uma rodada de cerveja. Funciona.

Pare de procurar amores no tinder. Seu amor está ao seu lado te paparicando e te enchendo o saco. Seu amor é aquele amigo de anos que você nunca pensou que beijaria um dia, mas beijou. Seu amor não está na rede social, sua vida não é um perfil no Facebook, seus sonhos não vão transbordar em um Tumblr. 

As redes sociais nos conectam, mas também nos cega. Viva teu momento, antes que alguém viva por você.



Foi nossa primeira - e única - noite juntos. Não era pra ter nada a mais que o sono que nos consumia em plena madrugada, mas teve. Teve toque, mãos, carinho e sexo. Teve o melhor sexo da minha vida. Só depois teve sono. Eu perdi o meu e você ganhou o seu. Homens... Porque morrem ao final da transa? Não te culpava, havia sido excelente.

Mas eu, que antes estava desmaiada de sono, o perdi quando me dei por conta de que, finalmente, dormíamos juntos. Eu e você, na sua cama king ou sei la o que. A única coisa que eu entendia de cama era se era ou não confortável. Sem dúvidas a sua era. 

Você abraçado de conchinha comigo depois do sexo, tirando meu cabelo do seu rosto pra poder colocar a ponta do nariz na minha nuca e dormir. Dormir como um anjo. Eu não dormi pra valer, quiça cochilei mais de 20 minutos. Meus olhos já estavam adaptados com a escuridão e eu podia ver muito bem seu rosto sereno enquanto o sono te dominava num todo. Você sempre foi tão lindo assim mesmo?

Eu me virava, encaixava em você, te puxava para não cair da cama - por um palmo não te derrubei -, te abraçava pra me esquentar, você puxava a coberta por cima de mim porque eu tremia.

Você ouviu eu dizer que te amo? Eu disse. Completei que te faria o homem mais feliz daquele mundo e que se dependesse de mim as coisas seriam prósperas e boas para nós. Que eu iria te dar filhos - rs - e que continuaria te amando independente do futuro, porque eu havia acabado de descobrir o que era amor mesmo. Aquele em que não há ciúmes, cobranças ou medos, aquilo que só se confia e se é intenso. Era só você deixar. 

Sussurrei tantas coisas enquanto você dormia que não me lembro de tudo. A felicidade de estar dormindo com o homem que amo deixou uma lembrança maior que meus votos de amor. Quem diria eu, apaixonada desse jeito, por você! Quem falaria que o destino pregaria uma peça tão grande em mim e seria tão irônico com nós dois.

Era quase oito e você me puxou pro teu peito e me beijou - a cena ainda arde quente em mim. Novamente me vi em teu corpo nu e me deixar sentir, levar. Nunca me senti tão viva como era contigo. Você me deu uma manhã de sexo como eu não havia imaginado que ganharia. Me levou pro banho e me lavou. Me beijou a testa e me abraçou.

A última cena que me lembro é deu me aproximar de você e sorrir. Seus braços me levantaram e você beijou meu queixo e depois que me botou no chão, beijou minha boca, pegou na minha mão e me abraçou forte.

Ah se o destino me pregasse peça novamente e me devolvesse noites com você como essas. Eu te amaria mais acordado. 



Decidi arrumar minhas bagunças, organizar o desorganizado. Começaria por meu quarto, depois iria ao meu coração e enfim chegaria a minha cabeça […] 

Decidi jogar fora tudo que me fazia lembrar coisas indesejáveis, cd’s de bandas - isso já estava meio retro - roupas que eu não gostava mais, doei, com os sapatos fiz o mesmo, só restaram tênis que eu era apegada e sapatos de festas. Os livros da escola não me serviam mais, os doei também. Joguei fora todas as fotos antigas de pessoas que não estavam presentes em minha vida, de pessoas que eu não queria que estivesse em minhas lembranças, mas estavam, no entanto, quando chegasse a hora da limpeza em minha cabeça, com certeza elas iriam desaparecer de lá. 

Aparentemente a bagunça em que meu quarto se encontrava já havia sumido, então parti para meu coração e minha cabeça. Talvez seria mais fácil de limpa-los juntos. Deitei em minha cama e coloquei meus fones de ouvido, precisava que o mundo desaparecesse para poder desfazer a minha bagunça. Respirei. Engoli meu choro e comecei a pensar no que deveria deixar de lado. 

Lembranças de um passado feliz vieram a minha cabeça. Era uma das lembranças mais lindas que tinha, no entanto, nada das lembranças havia continuado em minha vida e elas então foram excluídas de minha cabeça e coração. Velhas paixões, foram esquecidas, as queimei e elas queimaram facilmente. Pra minha sorte […] 

Meu pequeno imperfeito veio a minha mente, não sabia se o excluía, se o queimava, se o deletava, ele ainda estava presente na minha vida, em mim. O deixei. Mais para frente faria outra limpeza, e se ele não estivesse comigo, seria deletado. Coisas boas tiveram de ser deletadas, excluídas, para meu bem. 

Meu coração chorou, gritou, mas minha razão sabia que assim seria melhor, por mais que doesse, ficar sem certas coisas que nos machucam seria melhor do que ficar com elas, mesmo sendo boas, e continuarem a machucar. Essas tal lembranças eram a forma perfeita de uma rosa com espinhos. Lindas e me faziam felizes, mas havia espinhos nela, e eles a fizeram perder todo seu encanto.

Talvez tivesse de ser melhor assim […] Abri meus olhos e vi o nada a minha frente. A partir daquele momento, começaria algo novo, com algumas coisas velhas mas, não menos importantes. Algo que iria me fazer feliz, e disso eu não teria dúvidas. 


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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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