Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Pode parecer clichê, e é, mas existem coisas que depois de quebradas, não tem conserto. E o coração é uma delas. 

Por mais que a gente se esforce pra voltar ao normal, voltar a confiar e até a amar da mesma maneira, não consegue, não depois de um coração partido, seja ele por qualquer motivo. A gente tá lá, feliz e boba, achando que encontrou o cara certo, príncipe encantado, que nunca vai te ferir. Fica uns meses bem, até uns anos, quem sabe, mas no final, o cara sempre faz cagada, sempre. Não importa, ele pode estar com a mulher mais incrível, mais linda, mais inteligente de todas da cidade, mas ele sempre vai fuçar onde não deve. E sabe por quê? Porque os caras são assim, é instinto né? Instinto de não ter caráter, de não valer nem o miojo que come, nem o suco de pó de 25 centavos. Porque eles insistem em mentir, em fingir e machucar a pessoa que o ama. 

Vai procurar uma grama mais verde, uma limonada mais nova, e depois volta como se nada tivesse acontecido. E pior, ainda tem a cara de pau de olhar no fundo nos olhos e dizer que ama, que tá arrependido, "vamos voltar ao zero, prometo que vou mudar". Jura até pela própria mãezinha, que safado. 

E a gente acredita, damos segunda, terceira, quarta chance, e até mais, acredite tem gente que fica nessa até o último dia da vida. Volta achando que ele vai mudar, e que você também vai mudar, porque depois de uma quebrada dessas, a gente se transforma né? Mas ninguém muda. Ele não muda e isso é fato, porque quem trai uma vez, trai sempre, e é porque traição faz parte do caráter, ou melhor, falta de caráter. E se não tem caráter, nunca vai ter, porque não é uma coisa que se constrói. Ou é ou não é. 

Você também não muda, porque nunca vai confiar novamente, sempre vai ter um carrapatão atrás da orelha, se chegar em casa 15 minutos mais tarde do que de costume, já é motivo pra guerra. Olha, tenho um conselho pra te dar: se o cara não te ama agora, ele nunca vai te amar! Não caia nessa de mudança, não mudam. Não existe homem fiel, existe estar fiel, ser fiel não existe, um dia ele volta a procurar outra grama pra ir pastar. 

E o seu coração? Ele nunca vai voltar ao normal, porque coração partido não se conserta. E o cara? Troque de cara, porque esse novo cara também pode partir seu coração, mas também pode ter caráter e ser verdadeiro com você. E se ele não tiver, vai te magoar, mas acredite, é melhor ser magoada por vários caras diferentes, do que passar a vida inteira sendo magoada pela mesma pessoa. 

Nathalia Cancella, colunista. 

Pensei que tudo estava dando certo pra gente, cheguei a acreditar que nada ruim aconteceria outra vez, que você tinha realmente mudado. Pensei errado, de novo. O pior de tudo, não foi nem o que você fez, mas o que falou depois, com a cara deslavada me dizendo que era só bobeirinha, que eu era tua mulher e que não teve nada físico com ela. 

Mas traição não precisa ser físico, a intenção já é uma traição. Entrei em estado de choque e não sabia como reagir, só tremia e chorava, pensando em como tenho vocação pra ser trouxa. Me vi ali sem chão sob meus pés, pois depois de tudo que sonhamos juntos e planejamos, depois de tudo que construímos, foi como se você jogasse uma bomba e destruísse tudo.

Você me pediu desculpa, disse que estava arrependido, que não faria de novo, mas e se? E se eu te  perdoar, esquecer essa sua conversa e depois você fazer de novo, e pior? Mas se eu não perdoar, tudo acaba aqui e agora. Todos os nossos planos, nossa mudança pra outra cidade, nosso casamento oficial que não passaria desse ano, que já começou mal. Falando nisso me lembro de uma música: "Tudo que começa mal, acelera o final. A dor é inevitável, o sofrimento é opcional." 

E temo que isso seja real. 

Confiei a você minha vida, minha história, minha felicidade. Coloquei expectativas em você, fui sua mulher, sua parceira, sua amiga. Te entendi quando você precisou, te dei seu espaço, sua privacidade. Eu confiei em você! Agora me sinto mal, nem palavras podem definir isso. Inefável. 

Me diz o que aconteceu? O que te faltou? Me diz, por favor, quando parei de ser suficiente. Eu já fui suficiente? 

Era pra ser diferente, mas você sempre faz igual. No lugar onde só tinha amor, só consigo encontrar decepção e dor. 

Se é aquele tipo de mulher que te satisfaz, uma pessoa mesquinha que aceita isso, mesmo sabendo que você tem um relacionamento sério, então fica com ela. Vai, fica. Porque eu te amo, mas me amo em primeiro lugar. 

Segue sua vida, já vou seguir a minha. E dessa vez não vou me lamentar, porque hoje eu sei que quem perdeu não foi eu.


Nathalia Cancella


Queria saber como ficou meu coração depois da sua partida, quem me dera pudesse ver em uma radiografia em quantos cacos ele foi partido. Se bem que, você já partiu tantas vezes, que duvido um pouco que ainda reste alguma coisa dele.

Só sei que dói, e muito. Dói ter que recomeçar, reaprender a viver sem ter você, reaprender tudo, até mesmo a fazer uma menor quantidade de arroz. Tem coisa pior que ter que viver sozinha depois de viver a dois? Não ter mais a outra parte, o outro corpo, o outro suor na cama.

É difícil, mas preciso estar pronta, porque é sempre assim. Um dia eu tenho você, dividindo minha coberta, meu doce de goiabada, meu jornal, minha vida. No outro dia, você vai embora, assim, sem explicações, sem aviso prévio, sem nem ao menos me deixar entender o motivo da sua ida.

Esse seu vai e vem, me deixa cada vez mais incompleta. Cada ida, leva uma parte de mim, até o dia que não vai me deixar mais nada, nem mesmo o meu próprio eu. Hoje, por exemplo, estou mais em você do que em mim mesma, quando me olho, não vejo mais nada além de vazio. Onde o vazio é você. É como se nada fosse feito pra mim, como se eu tivesse tendência a dar errado. Mas vou continuar, reaprender a viver sem você, quem sabe um dia as coisas não comecem a dar certo? Talvez um dia, eu possa voltar a sorrir.


Eu tinha medo de me entregar, de mergulhar fundo e bater de cabeça, de me decepcionar mais uma vez. Mas era só me distrair pra ver sua imagem chegando de novo, pra sentir seu cheiro, sua pele, sua respiração. Brigava com minha mente por permitir tais pensamentos, por permitir que você permanecesse em mim, sem que eu quisesse. Mas queria. 

Não sabia explicar a força que você tinha sobre mim, em como fazia eu me sentir só pelo fato de ver seu rosto, e ainda mais quando tocava minhas mãos. Não sabia me livrar, não sabia como deixar você não entrar completamente por meu corpo e alma. Por mais que eu não quisesse, no fundo, precisava daquilo. Precisava me sentir viva mais uma vez, precisava me entregar e mergulhar fundo, mesmo se eu caísse de cabeça num poço raso. 

E me entreguei, e mergulhei. Mas não caí. Você fez diferente, tirou todas as mágoas do meu peito, juntou todos os caquinhos do meu coração. Arrancou a pedra fria que estava em mim, e me faz querer só você. 

Não sabe o quanto me faz bem, não sabe que tenho as melhores sensações do mundo quando ouço sua voz. Me transformou no melhor que eu poderia ser, e me mostrou ser tudo aquilo de melhor que eu poderia ter. Me resgatou do caos e eu te agradeço por isso, resgatou o meu eu. 

Sinto sua falta mesmo que não tenha passado nem um minuto longe, e uma noite sem você, é como um ano no frio. Se eu pudesse, te guardaria só pra mim. Por favor, fique. Fique por uma vida inteira, ou mais.




Tenho mil e um motivos pra desistir, de parar de me esforçar, de parar de aceitar coisas que eu não aceitaria se eu não tivesse esse único motivo pra continuar: amor. Amor que eu aprendi com o passar desses anos ao seu lado, amor que construímos em meio a tantos obstáculos que tivemos que enfrentar. Não foi e não é nada fácil, agora, morando juntos, está sendo menos fácil ainda. Porque antes, se estivesse cansada, era só dar um tempo e mergulhar mais uma vez na vida, andar por outros caminhos, até reencontrar novamente o seu caminho, que é onde percorro agora. 

Sou uma pessoa inconstante, não sei sorrir o tempo todo, não consigo ter o mesmo humor diariamente, às vezes ele muda em questões de segundos. Meu maior problema é gostar de falar, porque eu reclamo mesmo, grito, choro, te bato, mas tudo isso por querer liberar os sentimentos ruins dentro de mim e só guardar os bons pra poder te amar direito, te amar certo, te amar do jeito que você merece. 

Olha, eu sei que tá foda, que tô ficando insuportável, que você ta sufocado com essa vida que está levando e que a culpada disso sou eu, por, como você mesmo disse "te manter nessa prisão". E por não aguentar ouvir essas coisas, pensar nessas coisas, por não conseguir acreditar que mesmo tentando ao máximo, você se sinta desse jeito comigo. que eu sempre falo que vou embora. Quando eu falo que vou embora, não é por mim, não é porque eu tô sufocada, mas é por você, porque eu te amo e quem ama deixa livre. 

Já falei mil vezes que morro de medo de perder você, porque eu te amo e sei que a vida não vai ser a mesma sem você. Posso voltar a sair por aí, encher a cara, chegar em casa de manhã. Posso voltar a ser a pessoa que não se importa, mas acontece que eu não gosto dessa vida, eu gosto da vida que eu levo com você. Mesmo ficando mal e chorando sempre, mesmo com medo de traições, mentiras e infidelidade, eu gosto mesmo é de você. Gosto de acordar de manhã e ver você se arrumando pro trabalho, gosto do beijo de despedida e mais ainda quando você chega em casa e me dá o beijo de "oi'. 

Cara, eu sou chata pra caramba e dramática na mesma medida, mas eu te peço, pra que não desista de mim, não desista da nossa vida, não desista do que construímos. 

Eu falei que queria desistir, mas é mentira, é mentira porque te amo, é mentira porque tudo faz mais sentido quando estou contigo. É mentira porque estou disposta a me reapaixonar todas as vezes. É mentira porque, mais uma vez, eu te amo e quero te amar por todos os dias. 

Eu escolhi você, e você é minha escolha diária.




Muitas vezes é difícil permanecer num relacionamento complicado, mas temos que tentar. Tem gente que simplesmente troca depois do primeiro desentendimento, como se amor e relacionamento fosse um objeto, como aquele copo descartável que se joga fora depois de beber o líquido doce. Raramente encontramos pessoas que lutam, que se esforçam diariamente para permanecer ao lado de alguém que se gosta mesmo em meio das dificuldades, e isso é porque não é fácil e a maioria quer as coisas fáceis. 
"Lâmpada queimada não se conserta, se troca por outra", quem nunca ouviu essa frase, não é mesmo? Mas já tentou esperar a lâmpada esfriar um pouco, pra ver se ela realmente não acendia mais? Porque eu já. E algumas horas depois, a lâmpada que eu julguei estar queimada, estava lá, acesa e bem iluminada. 
Claro, as vezes queima mesmo e não dá certo, não tem jeito. 
As pessoas deveriam parar de ter essa preguiça da luta, preguiça de enfrentar os problemas, preguiça de respirar e esperar a poeira abaixar um pouco. Preguiça de ouvir o outro lado, a outra opinião, preguiça de dar uma segunda chance, que nem todo mundo, mas muita gente ainda merece. 
Então, se você gosta realmente, se você está disposto a ficar com a pessoa, enfrentar obstáculos, passar por diversos perrengues, só pra ter o gostinho de ficar com quem se ama, então lute, reme, corra atrás, peça perdão, escute, e ceda, mesmo não estando errado, as vezes é preciso. Se sacrifique pelo menos uma vez, pode ser que lá na frente, todo esse esforço valha valer a pena e você vai olhar pra trás e pensar: ainda bem que não desisti.


Te observando dormir, lembro de como minha vida mudou desde que entrou nela, não foi uma mudança básica, não foi só um corte de cabelo ou uma nova cor no esmalte. Não foi a mudança do meu chocolate favorito, nem do meu estilo musical. Sequer foi o fato de que troquei aquele bar, pelo bar que você prefere. Não, não foram apenas essas mudanças. 

A mudança foi em mim, no meu interior, lá dentro, sabe? Você faz com que eu seja quem eu nunca imaginei que seria. Fez com que minha vida girasse de ponta a cabeça, e por incrível que pareça, é incrível como o mundo fica melhor assim, de cabeça pra baixo. Fez de mim uma pessoa mais otimista, mais doce, mais corajosa. Tirou meus medos, ou os substituiu por apenas um: o de te perder. E quer saber? Sei que não vou. 

Pois você tirou todas as minhas dúvidas e me encheu de certezas. Certezas das quais não pensei que um dia chegaria a ter, a certeza que você é pra sempre, que é meu e o melhor de tudo, que é real. Você me faz dançar nas nuvens, mas com os pés no chão, porque sei que não vou cair, nem me machucar ou me decepcionar. 

Você é tudo que eu sempre quis, e mais que isso. É um sonho acordada, mas um sonho que não tem riscos de acabar. É eterno. Eterno mesmo que dure pouco. Eterno pra mim. Eterno, o tempo que estiver fazendo com que eu sorria toda vez que toca minha mão. 

Você me mudou, me fez uma pessoa melhor, me fez ser eu mesma. E sendo eu mesma, me faz te amar exatamente como você é. Perfeito, pra mim.


Já estava enlouquecendo de saudade do seu corpo quente, quando tu decide me ligar pra ir te ver. Isso é meio masoquista, eu sei, ser apaixonada por alguém que te considera apenas um sexo casual. Mas e que sexo! 
Cheguei no prédio e o porteiro nem telefonou pro seu apartamento, já me conhecia, mas sempre me olhava com aquela cara de pena, sabendo que naquele semana eu deveria ser a quarta ou quinta menina que pegava o elevador e ia pro 9° andar, apê 904. Cheguei enfim na sua porta, toquei a campainha, demorou quase um minuto pra me atender, abre a porta com o cabelo molhado, aqueles cachos louros e rebeldes, lindos.

- Desculpa, Gabizinha, tava saindo do banho. Mas entra gata, a casa já é sua.
A casa é minha, meu coração é teu, que roubada, mais uma vez. Mas vale a pena. 
Bebo um pouco de água, e me viro pra você sentado no sofá, com esses olhos azuis na direção do meu quadril e com aquele sorriso safado, que me fazia derreter da cabeça aos pés.
Tomei um banho e voltei só de calcinha, enrolada na toalha, que dois segundos depois não estavam mais no meu corpo. Você me puxou, cai no teu colo e senti tua língua na minha, como quem estava com fome e nós sabíamos exatamente do que. 
Uma mão na minha bunda, outra entre meus cabelos que aquela altura já estavam desgrenhados. Meu corpo sempre queima nas suas mãos.
Me jogou pro lado e me beijou por inteiro, a sua língua nas minhas entranhas, maior prazer. Tirou minha calcinha, me pegou novamente no colo, eu estava tão molhada que me entreguei facilmente, cavalgando no seu corpo. Logo me vira de costas, sua vez de cavalgar. E assim fizemos o amor mais gostoso, mais completo. Pelo menos pra mim. Você dizia coisas em meu ouvido que me faziam gemer de prazer - "minha ninfeta gostosa". 
Depois de gemidos, posições e múltiplos orgasmos meus, foi sua vez de atingir ao ápice. Pronto, fim do sexo. Até que me surpreendeu em dar um selinho quando terminamos. Minha vontade era deitar ali no seu peito suado, assistir um filme, repetir o amor. Mas o conto de fadas acabou no momento que seu celular vibrou e você olhou, com cara de assustado.

- Caramba Gabi, se veste e mete o pé que minha namorada tá chegando.
- Porra, namorada? Vai a merda, João. Você é um babaca!
Me vesti rápido, saí sem nem me olhar no espelho. Puta da vida. Elevador estava subindo, e parou no andar que eu estava, saiu uma ruiva bonita, sorriu pra mim e seguiu pra onde? Sim, pro apê do João. 
Fui pra casa pensando que era a última vez, fiz promessa e jurei que nunca mais voltaria na casa daquele imbecil. 
Nessa noite eu sai, bebi, fiquei com outro cara e transei no banheiro da boate, quis extravasar, sentir outro corpo pra esquecer de vez o João. Acordei na casa de um desconhecido, só de calcinha e uma camisa grande branca. Me vesti, deixei um bilhete e fui pra casa. 
E jurei que nunca mais faria isso também.

Umas duas semanas depois, chega mensagem no meu celular. 
"E ai minha gostosa, saudade. Vem aqui pra ver filme, beijos."

Filho da mãe descarado, como tem a audácia de ainda me procurar? Não vou, não sou idiota, cansei.
30 minutos depois eu estava no elevador, 9° andar. Toquei a campainha, e ele atende com os cabelos molhados...
Nunca vou aprender mesmo.



Aconteceram muitas coisas nesse último ano, uma delas foi você. Geralmente as pessoas tem amores de verão, o nosso foi amor de inverno, pois quando a primavera chegou, já não existia mais.

Sim, eu sei que a culpa foi minha, que pisei na bola e me perdi no mundo a fora, mas já te expliquei que foi pela sua falta de sentimento, ou por não saber mostrá-lo da maneira que eu queria. Você podia até gostar de mim, mas não era o mesmo que eu sentia e isso me machucava, porque eu tava ali, entregue a você de corpo e alma e estava disposta a largar tudo pra ficar contigo. Você me dizia que gostava de mim, mas eu não conseguia ler isso em seus olhos, consegue me entender? E quando você disse que não queria um compromisso, foi como levar uma facada no peito, porque pra mim, aquilo que tínhamos, era um compromisso. Na minha cabeça, você era só meu e não foi. Então eu não pude mais ser só sua. E você descobriu, acabou e fim. 

Mas eu juro que queria você! Era pra você ter se sentido culpado e falado que não queria me perder. E por mais que ache que eu já não sinta mais nada, depois que passou a primavera e chegou o verão, eu sinto.

Sei que nosso fim foi o certo a ser feito, mas eu não consigo tirar você da cabeça. Não consigo me desprender disso. Juro que tento, fico dias sem falar com você, mas acabo indo falar. Não consigo ficar sem saber como você tá, como tá sua vida, sei lá. E eu tenho raiva disso! Ontem quando você me mandou mensagem, demorei horas pra responder porque meu coração acelerava toda vez que eu ia abrir. Não consigo simplesmente te colocar na caixinha do esquecimento e seguir sem o que eu ainda sinto e fico impressionada como você conseguiu fazer isso tão bem. Como você mesmo disse, seguir com a razão, não é? 

Acontece que quando se gosta de alguém, a distância e o tempo não destrói o sentimento, pode amenizar, mas ele não acaba. Mas só quando se gosta realmente, e agora vejo que nunca foi seu caso.


As palavras estão presas na minha garganta, não encontro nenhuma maneira de colocá-las para fora. Tenho vontade de gritar, de te sacudir dizendo: ei, eu tô aqui!.
Mas nada funciona, é como se tivessem tapado minha boca com aquela super cola. 
Sabe Alfredo, faz tempo que não te escrevo, que não te vejo, que não te sinto, que não ouço sua voz de menino quase homem. Faz tanto tempo que não acordo de madrugada apertada na cama, mas ao mesmo tempo confortável por ter suas mãos ao meu redor. Lembro que todos os dias que nos vimos, eram dias chuvosos. Talvez, não todos, mas a maioria. E no último dia, sentados no portão da Amanda, a lua estava lá, tão grande. E também tinham as estrelas, brilhantes, aos milhares. A maioria dos casais ficariam felizes por estarem sob o céu estrelado, mas não nós, que sempre preferimos a chuva. Sabíamos que os dias chuvosos eram os felizes, pois era quando estávamos juntos. E ali, debaixo daquele céu, só chovia em nossos olhos. Era o fim e sabíamos disso. Foi a despedida mais linda e triste, primeira vez que meus lábios não encontraram os seus, apenas um abraço e um "se cuida". E os olhares dizendo "eu te amo", mas nenhuma palavra fora proferida. 
Não, a culpa não foi sua e eu sei. Estraguei tudo, não é mesmo? Mas já te expliquei, era tudo tão bom, tão perfeito e maravilhoso, que eu temia em ser uma ilusão e me machucar. E acabei te machucando da pior forma. 
E agora estou aqui, escrevendo no meu bloco de notas, você nunca vai ler. O cursor ficou piscando por 1 hora na sua janela de mensagens, mas não tive coragem. 
Sei bem que é tarde demais, que nada o que eu diga vai mudar o passado e nem criar outro laço entre nós. Não sei nem porque estou escrevendo, já não tem mais coesão alguma. Mas, só queria que, de alguma forma, você soubesse que eu sempre quis você na minha vida. Só não soube como mantê-lo nela.




Existem umas frases clichês que são a mais pura verdade, como: "ninguém entende a dor do outro se não sentir o mesmo"; "ninguém sabe o que é amor antes de amar". E digo isso, pois agora sei o que é o amor de verdade, aquele amor puro que te dá forças, que te faz sonhar acordado e quando pensa, se enche de paz. Aquele amor que te faz chorar sem ao menos saber o motivo, e sorrir tanto que os olhos enchem de lágrimas. Aquele amor que chega a doer, que te faz perder o sono, a fome, que te faz comer demais. Aquele amor que não dá pra explicar, que te faz sentir calor e frio, que te faz sentir medo de perder, medo do futuro. Aquele amor que te enche de dúvidas e a única certeza que se tem, é simplesmente amar.
Amar porque é bom, é gostoso. Amar porque te faz ter esperança de ser uma pessoa melhor, de fazer o melhor pra outra pessoa. 
É aquele amor que não precisa ver, nem tocar, pois você sabe que tá ali, que existe. 
É o amor mais lindo, mais verdadeiro. E só sente quando se escuta o coração do outro, quando sente os enjôos, as borboletas no estômago. É tudo o que importa pra você agora, é o que fez seu mundo valer a pena, é o que você conta os meses, dias, horas e segundos pra ter em seus braços. 
É esse amor, que faz você não pensar mais em si, que te mostra que agora sua vida está completa e colorida, de um jeito que você nunca imaginou que seria. 
Não importa se seu mundo é azul ou rosa, o que é importa são aquelas pontadas que doem de madrugada, mas você sorri mesmo com dor, porque é a melhor dor. 
E eu o sinto, mesmo nunca tendo o visto, nunca tendo o tocado, e se tornou tudo pra mim.
É o amor que todos devem sentir, é o amor de ter outro ser dentro de você, de carregá-lo e esperá-lo como nunca esperou nada antes.
E aquelas coisas que você julgava ser importante, das quais pensava que jamais viveria sem, você descobre que vive, pois agora há um bem maior. 
E o melhor amor do mundo é esse, é o amor de mãe, o amor que eu sinto o tempo todo. 
Sentir você crescer dentro de mim é inefável e o que sinto cresce mais a cada batimento seu. Eu te amo, meu amor. Hoje sim posso dizer: você é tudo pra mim!





Porra!, é uma merda se sentir insuficiente quando mais se precisa de atenção. E você acaba pensando que a culpa sua, se olha milhares de vezes no espelho e procura uma mudança ruim, um defeito horroroso. Eu puxei meu cabelo porque ele não é mais como era antes e eu gostei da dor que senti. Me senti feia, me senti gorda, cheia de espinhas e o cabelo ressecado. Me levantei e fui ao banheiro, abri a gavetinha e lá estava ela, minha velha amiga, que me deu algumas cicatrizes, mas que quando eu a usava, transferia a dor do coração para a dor física, que é, com certeza, muito mais suportável. Então a peguei, olhei e olhei mais uma vez. Cheguei a encostar na minha coxa, no meu pulso, mas fui fraca e não consegui. O que antes era um hábito, um refúgio, hoje simplesmente não consigo mais fazer. Me senti pior, além de feia, estou fraca. Me senti uma inútil. 
Voltei pro quarto, deitei e chorei. Chorei até o dia amanhecer, chorei tanto que já não saia mais lágrimas, apenas os soluços de um choro desesperado. Chorei demais, tanto que quando nem soluços tinham mais, me dei conta de que eu não fui fraca por não tido coragem de cortar meus pulsos mais uma vez, fui forte. Forte por resistir, por não me permitir a tamanha idiotice. Me libertei daquele vício. 
Levantei, bebi uma água e me olhei no espelho, e sabe, mesmo com os olhos inchados de tanto chorar e os cabelos desgrenhados, mesmo alguns quilos acima do peso - não porque como demais, mas pelo que carrego dentro de mim, eu não estou feia, não sou feia. Tenho certeza que milhares de homens pelo mundo gostaria de acordar e ver essa mulher todos os dias, sem maquiagem, cabelo desarrumado, mas linda. Linda porque não é inútil, linda porque é inteligente, linda por não ser uma garotinha fútil, mas uma mulher de verdade, que não precisa de um cacete de rede social filha da puta pra procurar outros relacionamentos fúteis e sem futuro, com mulheres fúteis e atiradas. Eu não preciso disso, pois sou muito melhor que isso. 
E a culpa por me sentir insuficiente não é minha, é toda e exclusivamente sua, por não ser homem o suficiente pra tornar a sua mulher suficiente pra você. Por não ter caráter que se preze, por valorizar essas vagabundas da rua, ao invés de valorizar a babaca da mulher que dorme contigo todos os dias.
Acordei sim, de madrugada, me sentindo um lixo de mulher, uma merda. Mas depois de horas chorando desesperadamente, deitada do teu lado e sentindo sua respiração e cheiro de álcool, agora sei que o merda todo da história é você. Então vai, vai lá viver sua vida de ilusão. Acha que mil mulheres, baladas, bebidas e afins, vão preencher você de alguma forma? Está completamente enganado, porque não vai, nunca. Só vai mostrar mais a cada dia o quão vazio e gelado você é. E lá na frente, quando se der conta da mulher que perdeu, eu já vou ter superado o vício de ter você.




O relacionamento chega a um ponto onde os dois nem se tocam mais. Antes era sexo intenso, momentos extraordinários de tirar o fôlego. Agora, deitam na cama, cada um para um lado, e dormem. Pela manhã, aquele bom dia seco, nem tomam mais café juntos. Um beijo frio de despedida e o "eu te amo" que já é decorado. Apenas rotina. Onde foi que se perderam? Há algum tempo atrás era fogo puro, os corpos quando se uniam, ardiam em chamas fervorosas. 


Eram os preferidos, os melhores no amor, no sexo, na atenção. E por que acabou agora? Por que ele nem a beija mais como antes? Por que o sexo, isso quando rola, é tão mecânico e frigido? Ah, qual é?! Não pensem que precisam agir assim, que não precisam mais agradar um ao outro. Não é como colocar no piloto automático. E se no meio do caminho um caminhão ou um jatinho inesperado, aparecerem? Aí, já era. Acabou, morreu! 

Decidiram dar um tempo? E pra quê? Pra ver se é realmente o que querem? Pra ver se a chama volta a acender? Me desculpe, amigo, mas uma vez li que: dar um tempo no relacionamento, é porque tá enjoado da limonada de casa e quer provar a do vizinho. E depois voltar como se nada tivesse acontecido, sem culpa.

É isso mesmo? Com certeza! 

E eu sei o motivo, é que preferimos fingir que nada está acontecendo e magoar os outros, do que olhar nos olhos e dizer que acabou. Seria tão mais bonito dizer a verdade. Ia doer, claro, mas como dizem: é melhor uma verdade que doa, do que uma mentira que conforte.

Porque, amigo, a verdade dói uma vez, mas se continuar com a mentira, ela vai ferindo todos os dias, até se formar um verdadeiro caos. Não adianta, quando o encanto acaba, não existe macumba, não existe "trago seu amor de volta em três dias", não adianta dar presentes caros, levar a restaurantes chiques. Não rola, acabou.

O melhor a se fazer quando o encanto acaba, é dizer a verdade. Deixe que o outro parta, deixe que ele recomece a vida. Não o prenda nesse relacionamento sem fogo, sem amor, sem nada. Deixe que seja livre pra queimar em um outro lugar. Permita que ele seja feliz, assim, você será feliz também.



O que fazer quando o coração se encontra divido? Aquele que parecia tão certo, tão futuro, tão felizes para sempre, começa a se confundir com outro que é tão sorriso, tão agora, tão coração acelerado quando chega uma mensagem nova no celular. 



Achei que eu o amaria até o fim da vida, que nos casaríamos, formaríamos uma família. Sete anos juntos, me parecia tão certo. 




Ai o outro chega, faz com que os olhos brilhem, as mãos tremam e as pernas fiquem bambas. E ele roubou um beijo que me fez flutuar, sentir borboletas no estômago. Tenho quase 30 e ele me faz voltar aos 16. Isso é errado? Com certeza. Eu não gostaria que meu namorado se apaixonasse por outra. Mas eu me apaixonei perdidamente e quanto mais eu tenho, mais eu quero.


Será que é passageiro? Apenas "fogo adolescente", é o que penso. Logo passa, nem é tão forte assim. Mas com certeza, está sendo o erro mais certo e mais bonito que cometi. Pois me trouxe de volta as cores, a vida, me trouxe de volta esse sentimento tão mágico que cresce a cada dia, cada beijo.



Eu não sei o que fazer:  abandonar o certo pelo duvidoso? Ou esquecer o duvidoso porque o certo é o certo? Ou será que o duvidoso é o certo? 




Só sei que o duvidoso é tão mais feliz, tão gargalhada e acordar de madrugada pra fazer brigadeiro. E o certo é tão lavar a louça em dia de domingo, descongelar o frango pro jantar, aturar a sogra que me odeia. Mas o duvidoso me parece tão certo, que de tão certo, se torna o mais errado.



Devo ter me formado no curso de idiotice e feito até dourado, porque não é possível. Ninguém é mais idiota e burra do que eu! Ele vem assim, com aquele sorriso largo e maroto, aquele olhar conquistador que me faz perder o chão sob meus pés e aquele beijo apaixonante que me faz perder o ar. Chega de mansinho, me pega pelo cabelo e quando me dou conta, me encontro perdida naquela cama que jurei que nunca mais deitaria.


Qual é, eu já estou ficando velha pra essa coisa de sexo casual, amizade colorida. Quero romance, compromisso, lealdade, quero amor e tudo de bom que ele proporciona. Quero os problemas de um relacionamento rotineiro, quero brigas que acabam em uma transa daquelas.

Acho que o último cara que disse que me amava, foi meu irmão, no dia do meu aniversário. E como pode? Até meu irmão contando mentirinhas, porque todo mundo sabe que ele me odeia. Do que adianta o cara ser gato, se já ficou com 95% das meninas de onde moramos? Do que adianta ele estar agora dormindo na minha cama, se os braços dele não estão na minha cintura?  Sim, estamos cada um virado pra um lado diferente. Do que adianta ele ser bom na hora H, se nem anda de mãos dadas na rua?

Não sei! Ando vivendo num mundo de incertezas, perguntas que pairam em minha cabeça como: será que ele tem vergonha de mim? Será que ele se acha bom demais pra mim? Será que ele me ama (assim como o amo), mas tem medo que eu o machuque? Talvez. Talvez seja receio, por ter tido namoros fracassados antes. Talvez, é, talvez. Ou talvez, ele seja realmente um canalha que só quer me usar e já já me descarta, como se eu fosse lixo.

Mas o problema é que eu gosto, gosto de como ele faz com que eu me sinta mais mulher. Mas ao mesmo tempo odeio o quanto ele faz eu me sentir insegura.

Entre todas essas dúvidas, a única certeza que tenho é a de que vou sair mais uma vez quebrada, com o coração retalhado como uma colcha velha da casa da minha vó.

Nathalia Cancella, Colunista

Até que a pior verdade me aqueça, até que a névoa da manhã me escura. Nada estará em seu lugar.
Tristeza que vem e vai, nada mais me anestesia, nada me faz esquecer. Mas trago no peito, a felicidade perdida. 
Não sei se de repente eu saberei se haverá esse tal amanhã. Uma nostalgia mais plena me remete a lembranças que não quero mais temer, e assim, meu todo se enche de paz ao te ver.
Seus olhos, um silêncio que me diz, que me ensina o que é sentir, me faz lembrar o que já não sei mais.
A calma vem e logo se vai, bate a saudade, vem a vontade de te tocar, sentir tua essência, mais louca, mais sublime, mais intacta. Ao contrário, eu quero ser como o desencontro a se encontrar. O sol e o mar, a manhã e o luar.
É tão sincero o teu sorriso que me encanta só de olhar. Com um verso ou mil palavras, nunca conseguirão explicar. São coisas minhas, talvez nem você queira escutar.
Pois já é madrugada e as luzes se apagam, a cidade dorme. Mas nada, nada absorve essa infinita vontade de te amar.

Nathalia Cancella, Colunista

Essa manhã está fria. O quarto escuro, muito frio. Mas nada se compara com a frieza entre nós dois, até nosso "bom dia" já virou rotina, falamos por obrigação e não por real vontade de falar. O nosso "eu te amo" sai de nossas bocas sem nenhum entusiasmo, nenhum sentimento. Eu já não sei mais o que nós somos, pra ser sincera, nem sei já fomos. 

Já não tenho mais vontade de te ver, de passar horas ao seu lado, de ver filme de conchinha. E por que? Onde foi que a gente errou? Por que nos afastamos tanto? Não sei. Parecíamos ser um casal perfeito, existiam planos e promessas, que foram quebradas e sumiram com o tempo. Hoje não tem mais cor, é tudo tão cinza, sem graça. Já não sinto mais o calor dos teus braços, nossos dedos se afastam quando se encostam, como se fosse um erro uni-los. 

Dentro de mim eu sinto dor, porque no fundo, tenho esperanças de realizarmos todos os sonhos que queríamos há anos atrás: casamento, uma casa amarela, dois filhos, uma família linda e feliz. 

Mas não sei, e talvez não queira saber, por medo da resposta, da verdade.
Só sei que queria voltar no tempo, pra desfazer os erros, as nossas mentiras, voltar atrás e fazer certo dessa vez, pra que nossos planos fossem adiante, e realizarmos tudo aquilo que um dia sonhamos.

Mas volto no frio do meu quarto e te ligo pra ouvir sua voz, pra perguntar se alguma parte de você ainda chama por mim, se ainda existe amor em meio os problemas e desilusões. Você atende com voz de sono: 

- Oi amor. Aconteceu alguma coisa? 

- Aconteceu! Aconteceu que eu ainda te amo, que eu quero você de volta pra mim, que volte a ser o meu amor, que volte a sonhar comigo. E o que aconteceu? Por favor!

- Calma amor, vai ficar tudo bem, para de drama e me deixa dormir!

E escuto o telefone desligando, assim, bem na minha cara. Dois meses se passaram, você acha que ficou tudo bem? Ficou! Estou me virando muito bem sem ele. E hoje quando me olho no espelho, percebo o quanto mudei nesses últimos anos. Aprendi e ensinei. Experiência. E então passam mais seis meses, e me encontro deitada na sua cama, usando sua camisa, enroscada em teus braços. Mais uma vez fazendo planos, imaginando um futuro juntos. E pra quê? Pra depois de um tempo, voltar pro frio do quarto, pensando onde foi que erramos, que nos perdemos. Tudo de novo. 

Quando vou aprender que nosso tempo já passou? Não adianta tentar consertar aquilo que quebrou, sempre terá cicatrizes. 

E olha eu aqui na sua cama, com sua camisa, fazendo planos.
Hoje, a manhã está tão fria. Tão vazio. Já passou da hora de dizer adeus.

Nathalia Cancella, Colunista
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Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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