Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

  • Sobre
  • Cranela
  • Colunistas
    • Camila Leal
    • Emir Bezerra
    • Thamilly Rozendo
    • Nathalia Cancella
    • Larissa Araújo
    • José Ramos
    • Ana Jackson
    • Camila Fencz
    • Renan Mozer
    • Victória França
  • Extras
    • SluttMag
    • WebSerie
  • Contato

Ela estava deitada de barriga para baixo na beira da piscina. O detalhe era que a parte de cima do biquíni estava desamarrado pelo fato dela não gostar da marquinha nas costas. 
– Fica tão sexy essas marquinhas em você, não sei porque não deixa nas costas. 
– Ahm? Ah... porque ninguém vai ficar olhando minhas costas. Marquinha bonita é aqui, nos ombros, sacou? 
É, eu tinha sacado e muito bem. 
– Me lembrei que temos que comemorar nossa noite de núpcias, que ainda não fizemos. 
– Oi? – ela abaixou o óculos, arqueou a sobrancelha esquerda e levantou a cabeça.
– Núpcias, lembra? Ah, você se esqueceu que nós nos casamos ontem? Jura? Debaixo daquele luar maravilhoso de Fernando de Noronha e as estrelas das constelações admirando nós dois, banhados em álcool. – é, eu certamente sorria. Me dei por vencido.
– PELO AMOR DE DEUS, SLUTT! – opa, alguém esqueceu que tava sem biquíni e levantou – Merda! 
– Opa, Mag, ficou emocionada?
– Eu estava bêbada e foi só um beijo, um beijo bem ridículo por sinal.
– Não foi o que disse ontem enquanto me olhava perdidamente apaixonada, viu? – eu estava relaxado, tranquilo, tão sereno.
– Olha aqui, garoto – você pode imaginar que ela estava de pé na minha frente e apontava o dedo pra mim? Aquilo era tão sexy – eu não te olhei de forma alguma, na verdade eu estava bêbada, chapada e vi um homem lindo, que no caso não era você, como não tinha ninguém pra eu beijar, deixei você me beijar pra eu ter passa tempo, de resto, mais nada.
Eu sorri, levantei, tirei os óculos e olhei pra ela.
– Vou te beijar agora, te dou três segundos para correr.
Ela riu. 
Um
Dois
Beijei. Beijou, foi recíproco. Badatunts!
– Você beija muito bem.
– Você é um babaca, Slutt!
– Tá brava? 
– Vá a merda!
– Ok.
E a beijei de novo. E quem disse que ela recusou? Ah... o amor está no ar. 

Contos de um casal fora dos padrões

Hoje eu pensei em nós dois, em tudo que fizemos ou deixamos de fazer. Pela primeira vez não pensei em nós como casal ou algo além disso, sinto sua falta e isso é óbvio, mas as coisas não são como antes. Agora fazemos parte de mais uma estatística de casais que não deram certo, não por falta de tentar mas por talvez não acreditarem que aquele era o momento. 

Ainda te quero, não nego, mas as consequências que essa vontade pode causar não me levam a lugar nenhum. Estou seguindo minha vida e sei que você também está seguindo a sua e talvez nessa a gente se tromba, se esbarra, quem sabe. Quem sabe a gente se encontra lá na frente ou não. Quem sabe, talvez, nos tornemos o casal que deveríamos ter sido. 

Por enquanto eu só penso em você, nas nossas noitadas, nossas risadas, no amor que existiu e que deixou de existir, quem sabe porquê. Ainda me pego pensando na saudade que dá de ver teu sorriso, de esperar tua ligação, ou que você me busque no trabalho. Sinto falta de você e da sua amizade, e acima de tudo, do que éramos. Isso necessariamente nunca significou ser casal, apenas nós dois, o que era muito mais que um casal.

Hoje eu saio, me divirto, beijo outros, conheço outros, e vivo minha vida intensamente. Mas quando eu deito na cama a primeira imagem que me vem à cabeça é do teu sorriso depois de uma noite de amor. Talvez este seja o nosso fim ou não, mas hoje eu só queria deixar claro que acima de tudo e todos eu ainda te amo, Slutt. 

Contos de um casal fora dos padrões 



Ontem eu não reconheci você naquele vestido, naquela maquiagem e com aquela pose de mulher. Não que você não seja mulher, mas... ah meu Deus, eu mal começo a falar e já me enrolo todo. Que efeito! Mas, de toda forma, você é super mulher, ok? Só digo que, você estava tão diferente, sexy e maravilhosa. Não que você nunca tenha sido. Pra ser sincero, adoro você com aquela minha camiseta cinza, que acaba bem na poupa do teu bumbum deixando uma brecha pra eu admirar. Então, mas, sabe? Vestido preto, você quase transparente, boca vermelha; tudo bem, eu deixo você manchar minha boca essa noite, apesar deu dizer que não gosto.

"Esse batom não mancha, baby". Ainda lembro quando você disse isso quando apareceu de batom vermelho pra mim, na primeira vez, depois de deixar minha boca marcada de roxo, rosa, nude... só faltava o vermelho. E justo ele não borrava. Não borrava até você me empurrar na parede e me beijar tão quente naquele inverno. Esquentou tudo, sabe? Meus pelos subiram e outra coisa também.

Mas voltando a você. Tô tentando tomar coragem pra me aproximar, perguntar se quer carona hoje, só hoje e te roubar um beijo na porta da sua casa. Um beijo que eu sei onde vai acabar. Você escolhe, motel ou meu carro? Ok, vamos pensar assim, primeiro eu me aproximo, digo "Oi Mag" e você sorri. 

É... não vai ser assim. A realidade é que você nem quer mais saber meu nome ou quem eu sou, quem fui. Nunca te vi tão independente, olhando para suas amigas e sorrindo tão bonito com esse batom vermelho. Eu já disse que hoje você pode me marcar? Poxa, eu juro que me comporto, te beijo inteira e te dou todo amor, mas me deixa eu chegar mais perto. 

Só mais um pouco perto, porque caso você escorregue, eu te seguro. Ai eu roubo o beijo; que me prendam. 

Contos de um casal fora dos padrões

— Você tá com medo?
— Do filme?
— É.
— Bem, não.
— Tá apertando minha mão.
— Não gosto de filmes de terror, Maggie.
— Eu também não.
— Então porque estamos assistindo à isso?
— Você disse que assim eu ia chegar mais perto de você.
— Disse?
— Disse.
— Quando?
— Quando me ligou bêbado ontem a noite, dizendo que não conseguiu pegar nenhuma gostosa porque não parava de pensar em mim.
— Eu o quê?!
— Pois é.
— Não é verdade isso.
— Aposta?
— Tá apostando comigo?
— Tô, Slutt.
— Ok, se eu ganhar você vai ter que fazer um strip tease.
— E se eu ganhar, te prendo.
— Cadê?
— Aqui.
Slutt: “Porra, sua filha da mãe desgraçada gostosa, eu odeio você… Eu amo você, Mag. Eu não consigo ficar com nenhuma vadia desse lugar porque só penso em ti. Quero tu amanhã, na minha casa, as 19:00h, já peguei o filme e é de terror, pra ver se tu gruda em mim e não desgruda… Mag, você consegue ser mais gostosa que todas elas juntas.”

— Não.
— Sim.

— ...
— Tá amarrando muito forte.
— É pra você não escapar.
— Morder é covardia.
— Duvidar também.
— Quero te tocar.
— Não.
— Quero sexo.
— Quer?
— Sim.
— Faça por merecer.
— Me solta e eu faço.
— Merda… Pronto.
— Agora quem tá presa é você.
— E vai fazer o que?

— Tudo.

Contos de um casal fora dos padrões

— Acha que talvez poderíamos ficar juntos?
— Com toda a certeza... não! — ela falava isso com o nariz arrebitado mas respirava fundo
— Mas você quer!
— Não pira, Slutt.
— Você respirou fundo, se liga: quando você respira fundo, ou está mentindo ou está dizendo o contrário do que queria.. Tanto faz! — me senti orgulhoso por ter tanta certeza daquilo.
— Tanto faz mesmo.
— Nossa, que pessoa revoltada.
— Fica na sua, que você ganha mais. Vou pedir mais uma cerveja porque ficar olhando pra sua cara de copo vazio é tortura.
— Você deveria ser mais educada com quem te dá tanto prazer.
— Mas é só isso, né?
— E amor também. — me aproximei dela.
— Você pode até me dar amor, carinho, o o caralho a quatro, mas continua sendo um imbecil, um trouxa, um infeliz que só pensa em si mesmo. Você é orgulhoso e otário, vai me perder se não correr atrás do prejuízo. Eu não vou ficar aqui sempre, muito menos vou aceitar só ficar com você. Eu te amo, Slutt, e você deve sentir o mesmo, mas não admite por puro medo de ser feliz! — ela já estava de pé, gesticulando e falando alto, sendo maior imponente que eu, e mais corajosa também.
— Ual. — realmente eu estava surpreso.
— Decidi falar, de um jeito ou de outro eu falaria. Agora dá licença porque eu não sou obrigada a ficar aqui amando alguém que simplesmente prefere ter medo ao invés de tentar ser feliz comigo. Continua, Slutt, quero ver alguém aguentar suas neuras mais que eu. Trouxão.
E saiu, assim sem mais nem menos, rebolando pra todos os caras verem que mulher que ela era. Bom, talvez eu pudesse largar de ser um imbecil e ir atrás da minha felicidade ou continuar aqui bancando o forte, achando que não gosto dela... Ai que decisão difícil.

Contos de casal fora dos padrões

— Eu não sou obrigado a aguentar tua infantilidade, Maggie, muito menos sua estupidez. Foi dito não, então é não, basta!
— Foi eu que fiquei aqui quando você precisou e é isso que eu recebo em troca? Quem será que é o estúpido da história, Slutt. Você é ridículo!
— Não mais que você. 
— O.k. Passar bem.

Dei meia volta e bati a porta atrás de mim com toda a força que ainda me restava. Desci as escadas numa rapidez alucinante e liguei para quem eu nunca ligaria.

— Quero beber, onde você está? 

Fui para o bar onde eles se encontravam e pedi algumas doses de vodca com morango. Bebi de forma ridícula como se eu quisesse culpar meu fígado pelos meus problemas de coração, coitado. Senti o estômago embrulhar por diversas vezes mas continuei enfiando vodca guela abaixo. Tentei comer uns petiscos que eles jogavam na minha frente, mas era em vão. Todo o esforço que eu fazia para conter o choro vinha dos goles enormes de saquê de morango. Eu precisava daquilo da mesma forma que um dia precisei do Slutt. 

— Preciso ir ao banheiro.

Levantei cambaleando e me segurando nos pilares do bar. Abri a porta do banheiro e depois tranquei. Sei que era um pouco egoísta da minha parte, mas eu precisava daqueles segundos apenas para meu fígado, meu coração e eu. Precisávamos conversar seriamente e nenhum dos três estava se entendendo. 

Olhei no espelho e vi no que aquilo havia me transformado. Eu estava acabada, derrotada e com os olhos inchados. Respirei fundo, lavei o rosto e prendi o cabelo. Passei batom e um pouco de rímel e quando destranquei a porta, ela entrou e me prensou na parede. 

— Trouxe tequila. Sei que você gosta, então beba. Hoje você não foge.
— Te agradeço pela parte de garçonete que você fez de me trazer até aqui, mas não quero.
— Não estou perguntando, Mag. Beba.
— Não quero!
— Você abandonou a gente quando começou a namorar aquele cara e agora você voltou. Sendo assim vai beber ou vou te levar para casa.
— Eu não preciso de você, nem de ninguém. Muito obrigada, vou embora sozinha.

Peguei minhas coisas, destranquei a porta e sai do bar a todo vapor. Entrei no carro e chorei por alguns segundos até que me dei conta de que a única coisa que eu queria era minha cama e meu conforto. Sei que eu estava bêbada e não poderia dirigir, mas eu iria devagar.

Eu iria, a não ser pela luz que preencheu todo o meu lado. Eu queria ter chegado em casa, faltava apenas três quadras. Eu queria ter ligado para o Slutt e pedido perdão pelo que fiz e falei. Eu queria o "nós" de volta, como sempre foi. Mas a última coisa que me lembro foi de um homem pedindo para que eu continuasse acordada. Eu estava tentando, mas... a luz... doía muito.

Não consegui abrir meus olhos, porém ouvia o barulho das máquinas muito de perto. Pessoas indo e vindo, colocando as mãos no meu pulso e gritos. Eu conhecia aquela voz.

— Deixe-me entrar, ela é minha namorada! Tenho esse direito.

Alguns passos um pouco pesados demais ecoaram perto de onde eu estava e uma respiração forte e ofegante se alojou ao meu redor.

— Me perdoe. Sei que fui um grosso e imoral, sei que te magoei. Mas você também não ficou atrás. Porque foi beber? Eu te disse, você não é assim, deixou de ser. Eu... Mag, não consigo entender.

E a voz de Slutt entrou em meus ouvidos como um mantra. Senti seu toque na ponta dos meus dedos e seu calor emanando para meu corpo. Tentei gritar mas ele não me ouvia. Chamava seu nome e ele não respondia.

— Faz três semanas já, e eu só queria que você acordasse. Mag... Acorda.

E tudo sumiu. A voz, o calor, o toque, os barulhos. Tudo. Meu peito explodia em dor e eu perdi todas as minhas sensações. 

— Mag? 

A luz irradiou meus olhos.

— Não, a gente não dá certo, Mag.
— Eu sei, e eu sou feliz por isso, caramba. 
— Quê?
— Eu não quero que a gente dê certo, Slutt, eu quero que a gente dê errado e ainda sim continue se amando. Eu quero que a gente brigue e depois volte milhares de vezes porque assim que é bom. Brigar sempre faz ficar tudo mais forte. Vi num filme que a mulher falou mais ou menos assim: “um casamento é muito melhor estando por um fio, porque o fio é forte e não vai se arrebentar, agora se estiver totalmente perfeito, intacto, qualquer furacão vem e derruba, casamentos por um fio não, vocês podem se desentender todo dia, mas no final do dia, ainda vão estar lá, juntos, se amando. Tenho sorte do meu casamento sempre ter sido por um fio.” E é isso, seja por um fio comigo, eu gosto do errado, eu gosto de não dar certo, eu gosto das brigas e da confusão. É por isso que eu gosto de você. Eu não quero que a gente dê certo, caralho, eu quero que a gente fique junto. Porque pensa comigo, acha mesmo que depois de tudo que você aprontou e eu aprontei, existiria alguma forma de amor? Não, mas existe. E ela cresce né?
— Mag…
— Fica por um fio comigo, e deixa o fio bambear, mas nunca solta a ponta.
Suspirei. — Fico.


Conto de um casal fora dos padrões

— Tô tentando lembrar onde a conversa parou.

— Hmmmm — ela continuava esparramada na cama ocupando todo o espaço. Nem tinha aberto os olhos ainda.

— Menina, você tá me ouvindo? — parei do lado dela, fazendo uma sombra fria em seu corpo quase nu.

— Tá, tô, me deixa dormir... — resmungou.

— O.k., mas é o seguinte. A gente tava conversando sobre o que? Você tirou minha concentração — olhei pra ela e me aproximei da sua boca — Não dá pra você dormir aqui e usar minhas roupas pra isso. Nem ficar quase nua.

— Sou irresistível, contente-se — juro que vi um esboço de sorriso dela.

— Mag, eu tô falando sério. Preciso achar minha carteira e quero lembrar onde paramos. Eu quero conversar pela primeira vez na vida. Tem como me ajudar?

— Ah, tem. Volta e deita e dorme aqui. Me abraça que tá frio.

— Pelo amor de Deus! — surtei.

Abri a janela do quarto e deixei a luz do sol entrar. Foi direto no rosto dela. Ela abriu os olhos e me olhou furiosa como se eu acabasse de acordar o dragão. Tudo bem que não parecia tão dragão assim, mas...

— Satisfeito, garoto? — tirou minha camiseta que a vestia e se trocou na minha frente. Arrumando o cabelo rebelde enquanto colocava o sutiã e a blusa. 

— Quer comer? — tentei agradá-la, falei baixinho em seu ouvido e ela suspirou.

— Hmmmm 

Fui até a geladeira e peguei um iogurte, coloquei-o em cima da mesa junto do pão, manteiga e leite. 

— Quer grego? — ofereci enquanto ela entrava na cozinha com a cara molhada de água. 

— Não... — e então ela me olhou e soltou o de sempre — a não ser que seja outro tipo de grego, ai eu aceito — pronto, acordou bem e sorrindo.

Fiz cara de perplexo pra dar uma descontraída no ambiente e mostrar que eu estava enciumado. Ela veio pra cima de mim me beijar, rindo de um jeito de criança que acabara de aprontar, mas não de forma ruim. Falava que era brincadeira e me beijava.

Peguei um copo de água e me encostei na pia enquanto ela colocava os sapatos e resmungava do sono e da dor no corpo.

— Quer ir pra casa? — perguntei. Ela me olhou e se aproximou, me abraçando.

— Querer eu não quero, mas... Tem a opção de ficar aqui? — claro que foi retórica, tanto que não deu nem tempo de responder e ela me beijou em seguida — Só uma coisa? Quem tem o melhor beijo do mund...

— ME DA UM ABRAÇO! — interrompi, começou a chatice. 

— Vou tirar o carro, então. — ela parecia determinada, então eu corri e peguei as chaves da mão dela enquanto ela as rodava no dedo — Poxa...

— Vem, te levo pra casa — e ai eu ganhei mais um beijo quente, molhado e... nossa.

— Gosto do seu beijo — e afundou no banco do carro.

Garota chata. Ainda não lembrei da onde paramos a conversa.

Contos de um casal fora dos padrões

Eu queria dizer que talvez eu esteja apaixonada por você. Talvez eu seja a garota que você descreve. Talvez eu seja fria, e você me aqueceu. Talvez eu seja dura, e você me amoleceu. Talvez eu não seja nada e me tornei tudo, por tua culpa.

É difícil conseguir explicar isso que acontece entre a gente e o que acontece comigo, especialmente. Não consigo entender o que se passa na minha cabeça, e pela primeira vez, não consigo ler você. De todas as pessoas que passaram pela minha vida, você é o único que me bloqueia. Sinto medo de te ler e descobrir que tudo não passa de um sonho, sonho este que eu queria a tempos. Não quero acordar.

Da mesma forma que você se sente confuso sobre o que sente por mim, também me sinto confusa pelo que sinto por você. Sei que te quero, te desejo e te tenho, mas não sei exatamente o que vai ser de nós. Já que um pequeno mas importante tempo já passou, e ainda nada aconteceu além de continuarmos parceiros um do outro. Mas ainda não sei o que somos.

Ainda tenho medo de te pedir fotos, tenho medo de dizer que sou louca por você e de demonstrar o que sinto. Sei que as vezes tenho vontade de chorar, não de tristeza, mas de raiva por não saber o que é isso. Não quero mais nada, nem preciso. Não sou feita de status ou objetos, sou feita de intensidade e pureza. Não quero nada de você, a não ser que fique comigo. 

Sei o quanto posso te fazer bem e feliz e sei que posso te mostrar o que você nunca viu. Mas eu preciso da sua brecha e da sua aceitação, porque pra mim, você já tem todo o necessário para ser o errado, até porque nunca desejei o certo. 

Talvez eu esteja apaixonada.

CARTA DE MAG PARA SLUTT
— Você está apaixonada, né?
Ela me olhou assutada e depois deu de ombros. — Não.
— Olha Mag, eu estou vendo que você parou de me provocar, parou de brincar, às vezes eu te pego sorrindo ai, sozinha.
— E isso quer dizer que eu estou apaixonada, Slutt? — a sobrancelha direita levantou num ar de ironia.
— Você parou de me beijar.
— Slutt! — ela arregalou os olhos. O sol batia neles e os deixava num castanho lindo. Eu conseguia ver dentro da alma dela.
— Quando você arregala o olho assim e bate o sol — apontei pro olho dela — consigo ver sua alma, e sabe o que eu enxergo?
— O quê?
— Uma menina que é super forte e durona, que é trouxa e mais maluca que eu, que não liga para o que os outros pensam e que vive da forma mais intensa que consegue, mas que tem um coração tão despedaçado, incapaz de amar. — ela ficou branca e engoliu seco.
— Está enganado.
— Mag, você é fria quando se trata de relacionamentos.
— Você também.
— Mas caralho, eu estou vidrado em você, sem querer uma coisa séria e ao mesmo tempo querendo, estou vidrado no teu sorriso e nos teus olhos, no teu nariz empinado. Quero cuidar de você, Mag. — coloquei a cabeça entre os cotovelos.
— Acho que está na minha hora de ir.
— Eu não quero te ver ir, não dá.
— Slutt, olha pra mim — ela se ajoelhou na minha frente e pegou minha cabeça nas suas mãos — Slutt, você é tudo que ainda me faz ter sentimentos, tá? Saiba disso, eu só vou pra casa porque vai chover — apontou pro céu — mas eu sempre volto, sempre volto pra você.
— Claro.
— Porra, eu não sou romântica, não sou fofa, eu sou fria e eu gosto de ser fria. Gosto dessa merda toda que eu tenho com você de enrola e não enrola. Gosto Slutt. Eu estou aqui ajoelhada na tua frente e mandando você parar de ser babaca. Você é filho da puta, é o cara mais filho da puta que eu conheço, tá legal? E eu gosto de você assim.
— Filho da puta? — não entendi. — Gosta de ser traída e magoada?
— Não Slutt! Gosto da tua forma trouxa de ser. Você é safado, tarado e não quer compromisso e eu também não, mas você nunca deixou de ser meu melhor amigo e nunca deixou de me satisfazer. Você nunca me trocou ou ficou com alguma outra garota… e eu também não.
— Está dizendo o quê?
— Tô dizendo que… ah, pensa ai, você é esperto. Agora vou indo porque eu vou tomar chuva.
— Posso te beijar? — sorri e ela riu. Me levantei e segurei seu rosto nas minhas mãos. Ela era tão pequena.
À um centímetro da sua boca ela sorriu. — Acho que hoje você fica na vontade. — me deu um beijo no rosto e saiu. — Tchau trouxão. Se cuida ai.
— Mag, você tá fodida!
CONTOS DE UM CASAL FORA DOS PADRÕES


Ela fica quieta e o mundo aquieta junto. Não é da sua natureza parar de falar, de tagarelar. Não é da natureza dela ficar sem rir ou revirar os olhos. Não é normal ela ficar quieta, mas quando fica, pode saber, tem algo errado. E em 99% das situações sou eu o culpado, ou o “por quê”. O outro 1% é porque ela quer algo e não pode comprar. Isso eu resolvo. O problema é o resto, eu nunca sei como resolver. Não sei o que fazer quando ela me manda ir embora porquê o ciume está exalando dela, porque a TPM está exalando ou só porque ela está no dia de me odiar, o que acontece com frequência porque eu sou um babaca e qualquer merda que eu faço ela me odeia - por dois segundos, mas odeia. Eu só fico lá, paradão, quieto, enquanto ela fica lendo, porque é a unica coisa que a acalma. Eu viro as costas para ir embora e ela manda eu sentar e ficar lá. Eu tento falar alguma coisa e ela manda eu calar a boca. Vai entender. Mesmo assim, eu gosto dela tagarelando, falando, falando, cantando, dançando, me mordendo, me atentando, provocando, até tendo ciume. Mas não gosto quando isso se transforma no silêncio. “Mag, pode me bater, pode me xingar, pode até me mandar embora, contanto que você tagarele e se mexa, só não fica quieta. O mundo é doloroso demais quando está em silêncio.” E almofadas voam no meu rosto. É sempre assim, porém continuo odiando o silêncio dela.

Conto de um casal fora dos padrões

— Você vai ficar ai, tipo, tomando sol? Bora dar um mergulho. — eu estava esticada de barriga pra cima na beirada da piscina, com a mão na água. 
— Eu quero ficar bronzeada, da licença? — abaixei um pouco o óculos e levantei a sobrancelha esquerda.
— Deu problema na sobrancelha, foi?
— Se fode ai.
— Mag, bora nadar, vai.
— Ah, não.
— Vou te empurrar. — suspirei, tirei o óculos e fiquei de pé.
— Slutt — disse, com a voz mais sensual e sexy que eu conseguia fazer. Ele cruzou as penas — meu anjo lindo, eu realmente quero tomar sol pra ficar com marquinha de biquíni.
— Porquê?
— Porque é bonito.
— Você já é linda.
— Slutt, você percebeu que já está bronzeado? Olha — coloquei a ponta do dedo no meio do pescoço dele e fui descendo com a unha até chegar no short.
— Porque é que você fez isso? — ele tava de olho fechado, respirando fundo.
— O quê? Isso? — e fiz de novo, só que dessa vez fazendo zig-zag.
— Maggie. — seus olhos abriram e encontraram os meus.
Eles queimavam em chamas negras e vermelhas. O fogo inundava seus olhos e suas narinas e eu sei o que ele estava tentando fazer.
— Você tá com fogo?
— É.
— Devemos apagar? — apontei pra água. Ele sorriu de canto e eu me derreti.
— Com água e com mais fogo.
— Dentro da água? — ele só sorriu. 
Fogo e água combinam? Combinando ou não, o fogo queimou na água. 

Conto de um casal fora dos padrões. 

— Não acho certo você deixar seus amigos de lado para ficar comigo. Nós temos uma bola relação — pause para pensar no que eu mesma havia dito — agora. Então tudo bem.

— Mag, não quero me distanciar de você agora que tudo está tranquilo, que nos acertamos definitivamente. Não acho justo isso.

— A vida não é justa. Saia com eles, vou dar uma volta com as garotas, tudo bem?

Consenti ainda achando tudo aquilo loucura. Ela podia sair comigo e com os caras, isso não impedia nada, mas ainda assim ela insistia que eu precisava do meu tempo. Não queria concordar mas preferia fazer isso para não brigar.

Era quase onze horas da noite e eu precisava de um tempo para ligar para Mag só para poder aliviar a culpa e a saudade. Mas antes eu tinha de levar um dos garotos embora. Tudo bem, só mais alguns minutinhos e eu ouviria a voz dela.

Eu estava a apenas alguns metros do próximo sinal e ele iria fechar. Como era sexta e a casa do garoto estava próxima, decidi ter cautela e ir mais devagar, já que eu estava em uma descida. Mas algo horrível aconteceu. 

Um dos meninos que estava no carro derrubou uma latinha de cerveja debaixo do pedal do freio. Isso impossibilitava que eu conseguisse frear o carro fazendo com que ele acelerasse cada vez mais. Estava desgovernado. Temi pelo que poderia acontecer e eu estava certo em temer.

Atravessei o sinal vermelho e senti o impacto do carro. O efeito chicote do cinto provocou em mim uma dor absurda e quase insuportável no pescoço. Tentei recordar os sentidos e tirar todos do carro, para poder socorrer as pessoas do outro automóvel. Eu só esperava que ninguém tivesse se machucado. 

— Todos estão bem? Saiam do carro e liguem para a emergência! Vou socorrer as pessoas do outro automóvel.

Saí do carro com a testa machucada e na panturrilha um ferimento exposto. Aquilo poderia esperar. a motorista do gol veio em minha direção com os olhos cheios de lágrimas pedindo socorro porque sua amiga não respondia. Tentei acalmá-la e depois me dei conta que era uma das amigas de Mag.

— O que.. o que você.. Mag! — eu entrei em pânico — A Maggie estava com vocês, por favor diz que ela não está mais!

— SLUTT É ELA QUE ESTÁ NO CARRO, NO BANCO DE TRÁS — eu havia acertado o carro na parte lateral direita, bem em cheio com o passageiro que estivesse do lado de trás.

— Mag... — minha voz falhou e eu me vi num filme de horror. Meus movimentos se tornaram lentos demais, eu não conseguia alcançar a porta — CHAMEM UMA AMBULÂNCIA PELO AMOR DE DEUS!

Abri a porta e me deparei com uma imagem diferente daquela que eu havia visto naquela tarde. Os cabelos loiros de Mag estavam avermelhados por causa do sangue e ela estava esticada no assento. Talvez o cinto a tenha salvado, talvez a tenha matado. 

Ela não me respondia e meu desespero aumentava em decorrência da demora da ambulância. Tinha medo de abraçá-la e machucá-la, mas eu não conseguia entender. — Mag... me ouve amor, por favor! — eu não conseguia segurar a inundação que surgia em meus olhos.

A ambulância chegou. Eles a retiraram de lá e encheram-na de aparelhos. Tentei segurar sua mão mas estava mole... sem força, sem vida.

— Mag... eu te matei. 

Contos de um casal fora dos padrões.


Estava claro quando eu acordei. Meus olhos ardiam muito, talvez por causa da luz do quarto. Ela estava sentada na beirada da cama me olhando.
— Bom dia. — sorriu ingenuamente. Se eu não a conhecesse diria que era um anjo.
— Bom dia. Como eu cheguei aqui? Onde é aqui? Que horas são e.. — levei a mão à cabeça — que dor de cabeça filha da puta é essa?
Ela sorriu e depois seus olhos se escureceram, como se ela tivesse tido uma lembrança ruim.
— Mag? — piscou três vezes e suspirou.
— Você bebeu muito ontem, demais. Está na sua casa e antes que pergunte eu fiquei aqui para cuidar de você. Você estava muito mal e eu não ia te deixar sozinho. Eu estava indo embora quando você acordou.
— Mag, o que eu fiz com você? — seus olhos passaram de negros à vermelhos e eu não consegui me segurar. 
Levantei da cama e engatinhei até ela, envolvendo-na em meus braços como um bebê indefeso e que acabara de ter um horrível pesadelo. Senti as lágrimas dela pingarem nas minhas costas nua.
— Ei! — coloquei seu rosto entre minhas mãos e enxuguei as lágrimas com os polegares. — O que eu fiz?
— Nada. — fungou.
— Maggie, eu sei que eu fiz algo. Você não chora, você nunca chora. Chorar por babacas, ou quaisquer que forem as causas é burrice, lembra? —pisquei e ela sorriu.
— Você só bebeu demais, eu fiz café, está em cima do criado. Eu preciso ir para casa agora. Cuidei muito de você, foi difícil porque você é muito pesado e eu sou uma formiga.
— Tudo bem, você precisa descansar também. Tem certeza que não vai me contar?
Balançou a cabeça em negativo e eu consenti. Beijei sua testa e voltei pra cama. Ela pegou a bolsa e foi para me dar um beijo no rosto. Um beijo demorado, macio e molhado.
— Mag, você tirou minha roupa? — ela já estava na porta. Riu.
— Sim.
— Eu estou só de cueca, sabia?
— Sabia sim, garanhão. Você tinha vomitado nas suas roupas. Você estava fedendo demais, Slutt. — franziu o nariz em forma de reprovação, recordando do cheiro. — Tchau Slutt. — piscou e mandou beijo. Sorri para ela.
Cinco minutos depois o celular vibrou.
"Maggie: Você disse que me amava, Slutt. Não foi legal, nada, nada legal. Porque a gente diz a verdade quando esta bêbado, a gente diz coisas que queremos dizer quando estamos sóbrios mas não temos coragem. Slutt, você tentou me beijar. Você chorou. Amanhã a gente se vê. Se cuide e beba água. Você vomitou muito. Fiz compras, tem frutas na geladeira e comida para você. Fiz comida também, espero que goste. Agora se cuide. Otário."


Ah.. eu a magoei. Eu fiz uma tremenda burrada, ela não podia saber disso. Ela não podia.

Contos de um casal fora dos padrões (texto retirado e adaptado do meu tumblr)
Postagens mais antigas Página inicial

Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

Redes Sociais

FANPAGE

Youtube

Instagram

POPULARES

  • A criatividade através das páginas
    Olá pessoal. Vocês já ouviram falar no livro "Destrua este diário" da Keri Smith?! Não? Então está na hora de conhecer como func...
  • Eu amo um ariano
    Se você abriu este link por mérito do título, você já ganhou toda a minha atenção. É por este motivo que eu te digo que este texto fala ...
  • Eu sou de câncer, ou seja, ferrou!
    Sempre que começo a falar de alguma coisa sou meio intensa, meio dramática. É coisa minha, penso. Mas aí que me engano. Bom, por um acaso...
  • Vem cá que eu te conto porque eu to solteira
    Primeiro tira da sua cabeça essa ideia vazia de achar que estou infeliz. Depois se despida desse discurso de que quem muito escolhe aca...
  • Eu só precisava de alguém que me fizesse acreditar de novo no amor
    Eu achava que não precisava de ninguém, depois de tantos tombos e feridas me fechei para esse tal do amor. Na verdade eu não sabia q...
  • Você não disse, nada.
    Suspiro, e me vem uma dor no peito que carrega consigo o nosso fim. E choro, pela falta de suas palavras quando meu zelo foi sempre d...
  • Odiar alguém pelo erro cometido não te fará se sentir melhor!
    Conversando com umas amigas sobre relacionamentos passados, percebi o quanto nós nos enchemos de ódio e raiva quando algo sai do planejad...
  • Os canibais de Garanhuns
    A algumas semanas atrás vocês ouviram falar de três pessoas (um homem e duas mulheres) que assassinaram, esquartejaram e comeram carne de tr...
  • Por que não?
    Ana perdeu seu filho de 3 anos quando estacionava o carro na garagem, ele estava atrás do carro esperando por ela, mas ela não o viu,...
  • O amor na vida real é bem melhor do que os contos de fada
    Qual é a sua concepção sobre o amor? Já vi muitas pessoas suspirando de amores quando acabam de ver um filme de romance e dizer: “Iss...

Copyright © 2016 Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro. Created by OddThemes. Adapted by Camila Leal.