Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Sempre que desejamos algo somos dominados por um medo irreconhecível e indescritível, principalmente quando se trata do nosso futuro ou algo ligado diretamente à nossa vida e nosso emocional. É de praxe que nosso primeiro pensar seja "não posso fazer isso, aquilo, dizer isso ou aquilo", mas há um porém aí.

Sou do seguinte pensamento: o medo é pequeno demais pra nossa coragem. Um exemplo disso é quando queremos ver alguém. Você provavelmente já passou pela situação de gostar de uma pessoa e desejar imensamente querer vê-lo mas morrer de medo de dizer. Bom, diga! Diga, chame no whatsapp, mande mensagem ou telegrama, via correio ou voz, ligue, se vira, mas diga! Diga que tá com saudade e que quer vê-lo. Um "não" todos nós já temos, basta acreditar e confiar no "sim".

Quando você fizer isso perderá o medo de dar o primeiro passo. Se a resposta for não, bola pra frente de cabeça erguida tendo a consciência que você fez o que podia, mas que não deixou o medo vencer. Se a resposta for sim, sua deusa interior vai exalar felicidade e não saber se contentar, mas ai você dá uma segurada e respira bem fundo.


Temos medos demais na nossa vida, mas ela é tão curta que precisamos aproveitar esses medos e meter a cara onde queremos. Seja perigoso ou não, fazer o que queremos é nosso bem maior e ninguém pode nos impedir. Mete a cara no mundo e vive intensamente, fala que ama, que quer e deseja, se não for pra ser não será, na verdade você estará sendo livrado de algo! Acredite em si mesmo e saiba que você pode alcançar tudo, basta deixar o seu coração ser maior que o seu medo.

Peça perdão, vá atrás daqueles que você tem medo de perder, fale, demonstre ou seja lá o que for, mas tente com vontade. Pelo menos você sabe que apesar de tudo, você tentou.

E mais uma coisa: ame, ame como se não houvesse amanhã. E se te acharem louca por amar e ser intensa, seja mais. As melhores pessoas são as loucas!
Gabriela Cadamuro - Cranela 


Não deu certo. Você chorou, sofreu, ficou algum tempo sem pensar em relacionamento e, no fim, superou. Mas, apesar de tudo, você sempre se perguntou porque não deu certo, de novo.
Algumas pessoas entram em nossa vida e a mudam completamente, para melhor ou pior - nunca se sabe. E, às vezes, algumas delas saem sem dar explicações ou deixarem os pontos finais em seus devidos lugares. Na verdade, algumas dessas pessoas deixam reticências e vários pontos de interrogação. Mesmo que você não se importe, que não ligue, que seja indiferente à tudo, uma hora ou outra você vai perguntar o motivo de tal pessoa ter ido embora, porque as coisas não ficaram resolvidas.
Ou talvez você se pergunte porque tal pessoa entrou na sua vida, a colocou de cabeça para baixo e você teve que se virar para conseguir voltar ao "normal" - porque fala sério, a gente nunca volta. Você já se perguntou quantas vezes se daria certo dessa vez? Você já pediu quantas vezes aos céus pra dar certo dessa vez? Quantas vezes você se pegou chorando enquanto tentava buscar o sono e percebeu que pedia baixinho para que desse certo? Por favor.
É ruim trombar com aquele amor de infância na rua e perceber que ele nem sequer lembra de você. Ou até mesmo cruzar com seu(sua) ex, e perceber que a única coisa capaz que ele pode fazer é te dar um aceno com a cabeça. Mas você ainda o ama e queria mesmo era dar um abraço, nem que fosse por um segundo.
De novo, não deu. Mas não é culpa do seu ciúme um pouco exagerado ou da sua vontade de estar perto. Não foi culpa do seu amor intenso e do seu carinho. Também não foi culpa sua, da sua ansiedade, do seu medo ou insegurança. Não foi! Nunca será. As pessoas que precisam ficar na nossa vida ficam independe de tudo isso aí. As outras... elas têm suas importâncias.
Tem pessoas que entram na nossa vida sem motivo mesmo, só para nos tornar um pouquinho mais forte, para fazer da nossa vida uma montanha-russa. Quem é que vive só de carrossel? É bom sentir a adrenalina, a gente descobre que tá ali a todo vapor, vivinho da silva.
A vida nos prega peças, e tenha a certeza de que você ainda vai se perguntar o porquê por muito e muito tempo.
Realmente é impossível não se questionar sobre alguns momentos, acontecimentos e pessoas. É difícil acreditar que não poderia ter dado certo, que não poderia ter sido verdadeiro, porque você tinha essa certeza, não é? Que era ele e que tudo ia dar certo, mesmo que ninguém acreditasse, ia... mas nossa vida não é música, filme da Disney ou textos de amor. É a nossa vida.


Eu sei que foi bem complicado chegar até aqui e que você não aguenta mais essa corda bamba, mas calma, tá? Eu te prometo que tudo vai se resolver. Agora, nessa idade, você vai ficar meio confusa mesmo e se perder nos seus pensamentos diversas vezes, mas calma. Você ainda tem um mundo pela frente.

Se eu pudesse ser você agora respiraria mais e teria mais paciência. Começaria a habituar minha paciência com minha carga explosiva, mas como você não consegue, eu entendo. De toda forma, não ache que esse é o fim do mundo e, por favor, pare de se cortar. Sei que você odeia seu corpo e que você sente saudade da sua vida saudável, mas você sabe que nem tudo foi um mar de rosas e que, apesar de saudável, algumas coisas saíram da lista de coisas boas.

Não tenha medo de se apaixonar e saiba que você ainda vai encontrar outros amores, outros homens e que muitos vão te amar. Você deveria dar valor neles e parar de procurar sempre aquele que não vai se encaixar com você. Quero que saiba que você vai amar incondicionalmente uma pessoa mas não será correspondida, mas como você é insistente e bobinha, aceitará o fato só por estar perto dele. Por favor, tente ser mais forte que eu e fuja na primeira oportunidade. Sem rede social ou whatsapp, esquece isso tudo e o contato dele demais, apenas some. Procura alguém que vai te dar carinho sem que precise pedir e que vai pedir pra te ver, porque sente saudade. Não faça a mesma loucura que eu.

E também não mude de emprego. Eu sei que lugares novos e experiências são muito valiosas mas, por tudo que há de importante pra você, fique aonde você gosta, mesmo que pareça difícil às vezes. Nada vai dar certo todo dia e você já está se tornando adulta, está aprendendo a crescer. Então fica onde gosta e não aceite propostas que possam parecer maravilhosas. Nem tudo o que reluz é ouro, pequena.
Ah, se diverte enquanto pode porque a faculdade é encantadora mas vai te trazer algumas noites sem dormir e desesperos matinais, vai te deixar em pânico e vai aflorar sua depressão ansiosa e sua imunidade vai baixar um pouco mais. Mas tudo bem, não tente se preocupar muito com essa fase porque, apesar de ser quatro anos da sua vida dedicada aos estudos, passa bem rápido. Você vai ser magnífica, inteligente e incrível. Você vai se apaixonar por literatura mais do que já é e vai ter um blog. Vai amar todos os personagens e criar todos os dias contos de fada. Eu repito: para!

Beba menos, ok? Eu sei que você nunca foi de sair rolando por aí barranco abaixo depois de um porre, mas você vai quase chegar a esse ponto. Você vai encher tanto a cara que vai cometer atrocidades das quais nunca imaginou - mas não se arrependa, só faça. Faça porque você só tem essa vida e precisa viver. Isso é uma ordem. Só não se mate e saiba dosar sua bebedeira.

Saiba que você vai perder amigos aos quais mais confiava e não vai acreditar nessa hipótese quando souber disso. As pessoas não são o que parecem ser, repito. Nada é o que parece ser e você vai chorar por dias e se perguntar como alguém pode ser tão ruim, tão baixo e tão sem amor no coração. Cuidado, tá? Porquê no mesmo ano que isso for acontecer sua vida virará de cabeça para baixo. Sua família se destruirá e você se culpará por dias e noites até cair na real e perceber que você não tem culpa de nada.

Você vai amar de novo, mas vai amar mais do que amou qualquer outra pessoa e vai ser tão forte porque esse amor é o que você quer. Mesmo sem todo o carinho que você idealizou, mesmo sem o amor que você sonhou, mesmo sem o conto de fadas, você vai amar. E vai se perguntar porque, pela primeira vez, você amou alguém que não se encaixa no seu estereótipo. Você se permitirá a viver.

Só não tenha medo. Por favor não sinta medo de viver, de ser livre, de amar incondicionalmente e dizer isso, de gritar isso. Não tenha medo de ser feliz ou demonstrar felicidade. Não tenha medo de nada, porque hoje, sendo você, eu digo que você é mais forte do que um dia será capaz de imaginar.

Por muitas e muitas vezes eu já sentei em frente à um computador, um celular, uma folha e fiquei pensando como conseguir jogar tudo que tem dentro de mim pra fora e transformar em algo, sendo que eu nem consigo saber se eu sei transformar isso tudo em amor. Há muito tempo eu venho pensando nesse meu medo significativo e desesperador de amar alguém, de sentir ou pensar em qualquer coisa que tenha relação com sentimentos. Eu sinto pavor disso!

Criei minha auto destruição, mas o que eu posso fazer se o medo me impõe a algo maior? Hoje eu vejo que conheci muitas pessoas as quais queriam mesmo e insistiram muito em me amar, me dar carinho, me dar paz e sossego. Ser alguém comigo, e percebo que fugi de tudo isso por mero medo de me deixar entregar à alguém. O pior é que sei que isso não atinge só a mim, mas todos que estão ao meu redor e sabem do meu desespero em querer alguém comigo e não saber deixar alguém me querer. É perturbador!

Vivo nesse impasse de me apaixonar toda vez que conheço um homem maravilhoso e, dois dias depois me acho na ilusão de uma paixão platônica que nunca existiu e um amor que não havia nem vestígios. Resumindo: eu espantei o cara porque achei que estava apaixonada e fui com sede ao pote onde só havia pimenta. Pois é, cômico se não fosse trágico. Mas isso se repete cada vez mais.

Tenho um grande problema em conhecer pessoas fascinantes mas que não mexem com meu coração, porém, àquelas que sei que não vão para lugar algum me deixam toda mole e perdida, com uma saudade dos infernos de conversar todo dia. Tenho ou não tenho dedo podre pra relacionamentos? A questão é que sim, até nesses podres eu sinto medo. Medo de ser a pessoa que sou: direta, confiante demais e ao mesmo tempo sem confiança alguma, decisiva, cara de pau e sincera. Eu não sei fazer joguinhos. Diacho!

Em resumo, não sirvo pra relacionamentos e não importa se eu chore todo dia por sentir falta de um, eu sei e estou bem ciente que isso não vai acontecer e, caso aconteça, será num tardar. 

Não é pessimismo, é realismo.


Por várias e várias vezes eu fechei meus olhos e pedi pra Deus me dar alguém que me amasse e estivesse do meu lado, me transbordando. Por várias vezes vi pessoas que tinham isso, digo, tinham amor, amizade, companheirismo e etc junto de si e não deram valor. Conheci por diversas vezes casais que se perderam no meio do relacionamento por não saberem o real significado de amar. Nisso conheci homens e mulheres que eu me perguntava porque diabos foram "deixados" por seus parceiros. Somos muito egoístas!

Temos a imensa vontade de colocar defeito em tudo que conquistamos, isso vai de objetos à pessoas. Não conseguimos entender o outro ou deixa-lo ser quem é sem nos incomodarmos com alguma coisa. O defeito está em nós por querermos demais dos outros e não percebermos que nem nós mesmos fazemos algo para melhorarmos.

Inflamos nosso ego com a dor dos outros, com o perceber que o outro sofre se vamos embora. Inflamos nosso ego quando alguém sente nossa falta e diz que precisa nos ver. Mas esse deveria ser o amor, não? E não uma auto segurança fora do comum. O dia que as pessoas começarem a transbordar mais e esvaziar menos, o rio estará cheio... de amor!

Eu ainda tenho uma mania estranha de pedi pra Deus alguém comigo, e tenho uma mania mais estranha ainda de acreditar que aquele cara que apareceu é o "enviado". Eu tenho fé, sabe? Mas sei que não funciona assim. Não funciona porque enquanto eu peço que me transbordem, alguém do outro lado esvazia um copo que deveria estar transbordando e não está, por puro ego.




Leia ao som de "Like I'm gonna lose you" (player abaixo)

Um dia você vai acordar e perceber que fez a maior burrada da sua vida quando a mandou embora dela. Vai chorar dolorido quando lembrar que ela estava ali pra você, quando você mais precisava e não precisava também. Você vai perceber que o café nem sempre fica tão bom como o que ela fazia e que os seus almoços em frente à televisão ficaram muito solitários. Que os filmes da Netflix não são tão bons como antes eram, e que dormir na cama não é mais costume, porque você pega no sono dificilmente e ainda por cima, sempre no sofá. 

Vai sentir saudade de quando ela enchia seu saco e te mandava a merda por qualquer coisa e, minutos depois vinha pedir beijo porque esquecia que tinha brigado com você. Você vai se perguntar porque a deixou ir. Um dia você vai precisar fazer compras vai e esquecer de uma ou duas coisas porque era ela que fazia a lista sempre e te lembrava, vai lembrar de quando o simples ato de lavar uma louça se tornava ou em briga ou em sexo. Você vai se perguntar porque a deixou ir. 

Num fim de semana qualquer quando você for encher a cara com os amigos vai esquecer dela, mas quando chegar em casa não vai ver ninguém dormindo na cama e nem sentir o seu lado quente porque ela já havia esquentado pra você. Ela nunca ligou de você beber com os amigos e voltar louco pra casa, porque você voltava. Você vai se lembrar do dia que fizeram amor pela primeira vez e como ela sentiu medo de você a julgar por isso e você simplesmente a achou fantástica! Vai sentir falta do amor dela, e de amá-la também e você vai se perguntar porque a deixou ir. 

Te garanto que você vai se perguntar por dias porque a deixou ir, mas vai demorar pra sua ficha cair até que essas perguntas acabem com sua cabeça. Você vai sentir orgulho como sempre sentiu e não vai falar com ela por achar que não vale a pena, mas vai se enroscar por dentro até sair do seu próprio conforto pra dizer oi pra ela e chama-la pra sair. Você já fez isso uma vez, porque não fazer de novo? 

Você vai chorar escondido e dizer pra todo mundo que está ótimo, mas quando vir um cachorro vai lembrar de como ela ficava louca com animais. Você vai se perguntar porque a deixou ir. Você vai se perguntar porque não tentou. Você vai se perguntar porque não se perguntou "e porque não tentar?" no dia que ela disse que você era lindo. Você vai se perguntar se faria diferença tentar consertar seus atos. Você vai se lembrar que, não importa o quanto as coisas opostas sejam boas, ela era a maior parceria que você tinha junto dos teus amigos. E você vai lembrar que sempre vai faltar uma risada no meio do sexo, da cerveja, das baladas, da vida.



Ontem ele me disse firmemente que reencontrou o amor de verão na última semana, aquela que ele foi passar na praia. Que ele não a beijou, nem a tocou ou alimentou qualquer desejo de amá-la novamente porque sabia que teria que ir embora, mais cedo ou mais tarde, e isso não acabaria bem pra nenhum dos dois. Alguém iria sair magoado, ele disse. Disse de um jeito que me fez chorar por horas e me pegar pensando, novamente, em porque não sei o que é isso. Ele disse que viveu intensamente cada minuto único que teve com ela e que ela morreria logo. Todos morrem, falei no tom maia egoísta possível, sabendo da frieza que acabara de me enrolar o coração. Porque ele não havia vivido esses momentos intensos comigo também? O quão injusta a vida pode ser a te colocar pessoas como ele e te arrancar tão fácil como se tirasse pirulito de criança. Tão fácil que você nem vê quando ele te escapa dos dedos igual água. Não. Não o amo, quem diria eu amasse alguém, nem sequer sou apaixonada por ele. Mas o quero, não sei por qual motivo essa obsessão. Talvez seja porque é algo que não posso ter, e meu instinto idiota me puxa pra querer aquilo que não me convém, ou não há outro motivo explicável. Eu queria ser a garota prestes a morrer, só pra saber como é ser amada por alguém, mesmo depois de tempos, mesmo sem nem se tocar. Eu queria ser a garota prestes a morrer só pra viver intensamente com alguém a noite, na beira da praia e ter certeza que aquilo duraria a vida inteira, porque assim eu o faria. Eu queria, mas sou só a garota viva que viveu alguns momentos o mais intenso que podia, tentando, em vão, mostrar que podia amar, se a deixassem. Eu não quero saber das histórias de verão dele, ou dos amores, ou das ex, ou da vida. E desse vez nem é egoísmo, é porque a gente precisa disso, alguma vez. E bom, eu nunca tive. Eu nunca vou amá-lo, mas nunca vou esquecer em como ele transformou a mim e ao meu gelo particular. Nunca vou esquecer que ele foi o único que me fez pensar em se casar. Mas a vida não é nenhum amor de verão que dura pra sempre. Ela é um filme de comédia onde algo nunca da certo.
Eu poderia escrever mais uma vez sobre você, e a forma como eu deito no teu colo e durmo com cafuné. Poderia dizer mais que você é incrivelmente maravilhoso e que seu cheiro causa o mesmo efeito que droga pra mim. Eu bem que poderia dizer e gritar pra todo mundo que você me mima absurdamente e que suas mãos grandes servem tanto pra acarinhar como para dar prazer, e minha nossa que prazer.

Poderia sim dizer que, com você, eu tenho prazer inesgotáveis e que o sexo é o melhor no qual já fiz. Eu poderia falar baixinho, bem baixinho que seu beijo é tentador, e eu prefiro ficar sem chocolate do que teus beijos. Poderia dizer pra todos que dormir com você é o mesmo que dormir nos braços de um anjo, porque tu me acalma e me faz sonhar fácil. Eu bem que poderia falar que você cozinha muito bem, e que faz um strogonoff maravilhoso que eu não dispenso nem pela melhor festa do mundo.

Eu poderia falar para minhas amigas que você é chato também, e que briga por sentir ciume, mas que me protege da maneira mais bonita possível. Poderia dizer que minha mãe te ama e que nós daríamos uma linda família.

Sim, eu poderia dizer tudo isso, se você não tivesse escolhido o lado oposto e soltado minha mão, se você não tivesse me deixado no último instante e no último suspiro. Eu poderia ter dito tudo isso, porque sei que você o faria, se não tivesse partido. 


Você para e pensa, o que é amor? Amor? Ah, amor é tudo que compõe verdade, sinceridade, honestidade e respeito. Às vezes até uma mentira; amor é ir na padaria e o padeiro falar: “Espera mais dois minutinhos que já sai pão quente e fresco”, e você esperar mesmo estando com pressa, mesmo que os dois minutos pareção uma eternidade. Amor é você acordar dez minutos antes do despertador tocar e se levantar só pra fazer café, mesmo que antes, esses não fossem seus planos ou cso você não tome café da manhã. Amor é ir no mercadinho da esquina e procurar um tablete de chocolate e delicia-lo ali mesmo, nas gôndulas do mercado e, for para o caixa só com a embalagem, sorrindo de satisfação.

Amor é você estar brigado com seu namorado/peguete/ficante/marido/noivo ou qualquer outra coisa, e não andar de mãos dadas com ele, mas quando você vê uma garota linda você o puxa pra perto de si e o enche de beijinhos, demonstrando que ele é seu, e estufa o peito de orgulho por ter conquistado-o. Amor é você querer loucamente comer ruffles, mas o outro querer cheetos e você aceitar o cheetos. Amor é você ter um trident e dividir com seus quatro amigos, mesmo que só um tenha visto você com o pacote. Amor é passar em frente a um morador de rua e ele te dar um “Bom dia, minha jovem” com um sorriso enorme estampado no rosto e você sabe que, mesmo nas condições dele, ele é feliz apenas por estar vivo. Amor e você sair de casa cedo e não fazer barulho pra acordar seus pais ou qualquer um que seja. 

Amor é você sorrir pra um portador de deficiência física ou mental e ajuda-lo, mesmo estando atrasado ou com pressa. Amor é você ver um idoso na rua e admirá-lo por perceber que seus olhos ainda brilham quando ele olha sua amada mulher. Amor é você ir na varanda de casa só pra sentir a brisa do vento batendo no teu rosto. Amor é sentar na cadeira da varanda e ver a chuva cair, sentindo o cheiro de terra molhada inundar suas narinas. Amor é achar ele lindo mesmo todo suado do futebol, ou encardido depois de lavar o carro, ou todo porco. Amor é você acordar e ver que ele está olhando pra você e saber que você ficou vermelho sangue com aquele gesto. 

Amor é tudo que você sente, incluindo o melhor e o pior. Amor é sofrer por ver quem você tanto preza, mal. Amor é sentir ciume por vê-lo abraçando até a prima. Amor é ficar brava com uma criancice dele. Amor é vocês brigarem e ele pedir desculpas pra você com um: “Você é linda, e eu te amo tanto, sabia?” porque ele sabe que você não resiste a isso. Amor é bom, porém amor também é ruim. Tem seus altos e baixos, tem os pontos fracos e fortes. Mas vence qualquer coisa se for verdadeiro.

Texto escrito por Gabriela Cadamuro em 2012

Amadureci como escritora, hoje sexo já não se faz um tabú, sexo sexo sexo, ao longo dos meus 20 anos a palavra já não causa risadas. Recordo-me que no Ensino Fundamental, quando a professora mencionava sexo todos riam, faziam graças, ninguém levava a sério, hoje a gente ri para não chorar.
Eu quis crescer, com 12 anos batia o pé que era uma pré-adolescente quando era chamada de criança, que tolice, hoje penso. Que preocupações grandes eu tinha na infância, que se resumiam na minha mãe me chamar para entrar para dentro de casa logo, justo quando a brincadeira com os amigos da rua estava ficando boa.
Hoje os problemas da vida adulta são contados nos dedos e ainda faltam, e se não existem problemas a gente os cria, na terrível mania de achar que tem algo errado quando se está feliz demais, visto que a felicidade bater na porta parece coisa rara.
Meu professor, chamava os jovens do terceiro ano do Ensino Médio, de futuro do Brasil, hoje sinto o peso de tais palavras nas costas, quando se tem tantos motivos para se lutar, e tão pouca gente para ouvir nossa voz.
Mas ainda somos o futuro, ou talvez já sejamos o presente, quando temos que lutar todos os dias para ter motivos para sorrir, para encarar a vida com um sorriso aberto, para aprender a compreender, para não tolerar a hipocrisia, para seguir em frente, um dia de cada vez, fazendo nossa parte, e as vezes a parte do outro.
Demorei muito para entender enfim que o que me cabe é ser humana, fazer o que posso fazer e além, olhar o outro mais devagar, não ignorar a dor, lutar por quem já perdeu as forças, e enxergar os seres humanos hoje invisíveis pela sociedade, morando na rua, passando frio, fome, necessitando do básico, que a gente esbanja todo dia e não se recorda nem de agradecer pelo que tem.
Porque somos os animais mais egoístas desse planeta, e ainda não aprendemos bem sobre amor, sobre partilha, mas ainda tenho esperanças, aquela mesma esperança da criança que ria com uma palavra, mas que acreditava que o mundo todo era assim, uma graça, cheio de motivos para a gente sorrir, bonito até na flor do quintal de casa

Te quero daquele jeito torto que você tem, do sorriso manso que dá e do jeito como dirige. Te quero nos erros cometidos, nos tropeços de português, na matemática, na física, na química, no jornalismo, no direito e no torto. Teu torto. Te quero porque você chega com aquele jeito bravo de quem não quer me ver, mas não resiste quando eu dou um beijo na tua bochecha e bato a porta do carro sem olhar pra trás. Te quero porque ninguém mais te quis depois de todo seu jeitão bruto. Te quero porque me transformou em mulher, mais do que eu já era e me mostrou que eu realmente não preciso de você pra sorrir, mas eu quero. Te quero por não querer, por não te ver ou não te sentir sempre que eu preciso. Te quero na alergia e no frio, que faz os dois entrarem em crise alérgica e perder o dia de trabalho porque o soro na veia faz mais efeito. Ambos no hospital. Te quero no dia que você me quis e eu não, e mesmo assim você insistiu e percebeu o quanto eu já havia feito isso por nós. Quero você por simplesmente tentar errar e não conseguir, porque eu sempre mordo a boca e você fica nervoso e eu peço pra vir dormir. Te quero por nunca querer sexo o tempo todo e saber que eu tenho meus momentos. Nós temos. Quero você porque sim, sem motivo mesmo, ou por todos os motivos banais e errados do mundo. Eu só quero.




Tudo veio a tona novamente. Depois de achar diversas vezes que era só frescura minha ou coisa da minha cabeça. Não era. Eu, definitivamente, sou o erro e a minha própria pedra no caminho. Sou eu que faço as coisas darem errado. Minha personalidade, porque ninguém suporta alguém desse jeito.
Sofro por antecipação, não adianta. É começar a gostar de alguém e ver essa pessoa sumir que nem fumaça. Acho que tenho um pequeno dedo podre. "Ó, você tem esse, esse, esse, esse pra escolher", em quem eu vou? No que não dá comigo, óbvio. Consigo escolher justamente aquele que não vai suportar nem o primeiro dia, mas que vai adorar as segundas intenções.

Confiar em alguém custa caro pra caramba. Custa os malditos sentimentos e se recuperar do tapa na cara. Pensei que eu estaria diferente depois de tanto tempo apanhando, mas eu não mudo. Sou a mesma ciumenta de sempre (só que agora sei quando tenho que calar a boca), sou a mesma agoniada de sempre (mas eu ainda tento não dar a louca), sou a mesma preocupada de sempre (e não sei não demonstrar isso), sou a mesma apaixonada de sempre (e nunca vou saber não ser), sou a mesma frágil de sempre (e mesmo que eu tente não ser, ninguém é forte sozinho), sou a mesma maluca de sempre (e ninguém aguenta malucos), sou a mesma azarada de sempre e ele vai sempre gostar da ex.
Deve ser algum problema. Justamente quando parece que é, não é. Eu me garanto tanto mas quando a pessoa só quer uma coisa com você, e essa não é um relacionamento, você acaba se olhando no espelho e sentindo usada por gostar de alguém que não moveria uma folha por você.
O dia que der certo vou desconfiar e pular fora, porque não vou conseguir acreditar.
Tô curtindo você, mas acabei de desistir quando vi que não sou nada do que tu quer. Luto por tudo que quero, mas não vou perder meu tempo se já sei do final. Posso até sofrer por antecipação, mas também antecipo o chororô e "porra como fui burra!".


"As pontas dos dedos. Elas são responsáveis por tudo, são o primeiro contato de tudo, até de um relacionamento". Foi a frase que ouvi esses dias e que me fez refletir imensamente sobre relacionamentos e a forma como eles interferem em nossas vidas. O jeito que são e como são classificados por status.

"Porque acha que se usa aliança no dedo?" Oras, são veias ligadas ao coração. Sim? Não? Talvez. Há muitos poréns. 

Relacionamentos são criados em bases que precisam ser sólidas, mas ao mesmo tempo, precisam estar um pouco suspensas. Trapezistas; esses possuem um ótimo relacionamento com o circo. Não há proteção alguma para certificá-los que estarão seguros lá em cima ao rodopiar no ar e, a única segurança é outro trapezista que irá segurá-lo do outro lado. Confiança. Essa é a base.

Geralmente as pessoas começam a se relacionar por conversas, saem, se beijam, conversam mais, começam a se gostar e aí, se os dois lados mantiverem a reciprocidade, um namoro pode desenrolar de tal ficada. Mas, realmente, o toque dos dedos, o dito lá no começo, é o primeiro. Primeiro toque nas mãos, no corpo, nos lábios... Primeiros toques são motivos de causar vibrações descontroladas em nossos corpos e enlouquecer nossos hormônios.

Confuso? Pense comigo: há relacionamentos que são namoros sérios, mostrados à sociedade; há outros que, por mais que haja amor dos dois lados, não há relacionamento direto; há ainda aqueles que estão juntos mas não possuem o status de "estar juntos"; e para finalizar, há o relacionamento que dispensa qualquer forma possível de explicação.

Onde chegar com isso? Todos eles começaram com um toque. Uma palavra, um abraço, um "estou com frio" ou até "posso dormir com você? Tive um pesadelo". 

E para completar, não brinque com o destino porque ele pode muito bem brincar com você. 



Relacionamentos são difíceis, complicados e exigem bastante de nós. Pessoas são mais difíceis ainda e, quando decidimos que é nessa onda que vamos entrar, ficamos um bom tempo fazendo as escolhas. Bem. Então namore com alguém que esqueça o celular em casa pra ficar com você, que se desconecte do mundo pra se conectar ao teu. Namore alguém que não precisa de wifi quando está do seu lado e que não se importa em não tocar no celular. 

Namore com alguém que te chame pra sair numa segunda, nem que esse sair seja te dar uma carona até em casa. Namore com alguém que sinta uma pontinha de ciúme de você mas que saiba o quanto você o ama, sem precisar dizer a toda hora. Namore alguém que te abrace forte sem você pedir e que te roube beijos no meio da noite.

Namore com alguém que te chame pra ver um filme debaixo do edredom porque, mesmo que esteja chovendo, não há motivos para não se divertir. Namore com alguém que seja louco, que seja pirado e que ame a vida. Namore com alguém que não vê barreiras em nada, que topa qualquer parada e que sempre procura apimentar o relacionamento.

Namore com alguém que te provoque ao máximo e fica sem falar com você - saudade é muito bom! - só pra sentir a falta. Namore com alguém que pensa em balada mas não tem medo algum de ir com você, porque sabe que o divertimento vai ser duplicado. Namore com alguém que te curta, que topa as bebidas, as loucuras na madrugada, a adrenalina e que entenda que você não sabe cair na monotonia. Namore com alguém que sorria sem motivo, só por estar com você, que brinque e seja um completo bobo da corte, mas que te trata excepcionalmente bem.

Namore com alguém que te soma, que te acrescenta, que te é oposto. Namore por amor, e saiba amar! 



Cafajeste, malandro, sem vergonha, abusado. Ler isso pode soar bem ridículo, principalmente se eu disser que gosto desse tipo de homem. Mas não se precipite. Esses adjetivos eu dou para os conquistadores, malandros, aqueles que tem um sorriso quase perturbador, que fala com você e te deixa parcialmente molhada. Esse tipo de cara não maltrata, não é indiferente ou um completo babaca, não senhor. Ele está mais pra galanteador barato, que te conquista com a cantada mais tosca do universo, mas funciona, porque veio dele.

O tipo de cara que uma garota quietinha quer. Aquele malandro que usa alargador, tem tatuagem e anda meio largado, mandando tudo se foder. Mas quando deita na cama com você, te faz mulher única é insubstituível. Esse tipo de sem vergonha te faz chamego e carinho até você pegar no sono e, depois, acordar no colo dele enquanto ele tá vendo série na Netflix. 

O malandro que diz no teu ouvido baixinho que quer te enlouquecer enquanto vocês estão num jantar de família, e que te leva pro fundo pra fazer o que ele prometeu e ainda arruma o teu cabelo desgrenhado da pequena, mas incrível, foda. Depois apertar a mão do teu pai e diz que vai te proteger a todo custo - e ele vai, viu? E teu pai? "Não gosto desse cara, ele não é homem pra você". E ai você pensa no quanto teu pai te criou com todo amor e um cara tatuado e largado chega, te domina e te destrói, no bom sentido.

Mas ele estuda, ele trabalha, ele mora sozinho e se vira, porque saiu de casa cedo pra aprender que tem que saber se virar sem papai e mamãe. E você dorme no quarto dele, na cama dele, com a camiseta dele só pra ter um "cheirinho" enquanto pega no sono.

Eu aposto minhas escritas que, pelo menos uma vez, toda mulher já teve um leve precipício por um homem cafajeste. Que, quando te vê, diz que tava morrendo de saudade enquanto enrola os dedos no cabelo da tua nuca e puxa sua boca pra perto da dele. Um cafajeste que te faz se sentir extremamente realizada, que sabe o que faz, e nem por isso, consegue ser babaca com você igual o cara "certinho é incrível" que você conheceu na faculdade no ano passado.

Cafajeste que sabe olhar, que morde a boca e que entende quando você levanta a sobrancelha e sorri pra ele. Que te puxa no canto e pergunta porque você, tão linda, tá sozinha, e diz que não pode aceitar uma moça como você sozinha. Que te respeita, sim, mas te enlouquece a partir do momento que você dá a confiança a ele. Um cafajeste que já foi seu namorado e hoje pode ser seu marido, um cafajeste, safado e sem vergonha que nunca vai deixar você.

Pode ser como um "p.a.", um amigo colorido, um namoro ou até o casamento ali de cima. Mas toda mulher que teve suas fases, não resistiu a um bom e verdadeiro cafajeste, aquele que até hoje você lembra do jeito que ele mordia a boca e beijava sua nuca, só pra te arrepiar.



E hoje mais uma vez eu chorei. Nao pare de ler, não será mais uma das minhas lamentações. Vou te contado porque chorei.

"Era final do ano e todas as minhas expectativas estavam meio vazias, principalmente com relação as pessoas. Até aí nada de anormal. Foi então que decidi mudar o rumo das circunstâncias. Peguei a bolsa, as chaves e fui sozinha para um barzinho. 

Fiquei lá bebendo algumas "beers" até um homem chegar e sentar do meu lado. A voz dele, sem neura, não me era estranha. Senti seus olhos brigarem com minhas costas nu ate sua boca decidir falar. "Não acho que uma mulher linda como você deveria passar o fim de ano sozinha em um bar de esquina". Pigarreei e olhei fixamente para o homem ao meu lado. Ele tinha um sorriso de canto e uma pele morena, seus olhos eram castanho claro e profundos. Eu o conhecia.

Engoli mais cerveja e olhei para a frente. "Quem não entende sou eu de voltar a ver você depois de - travei, respirei e voltei a falar - seis anos". Ele sorriu. Me pagou mais uma cerveja e pediu pra conversar lá fora. Só aceitei porque eu havia aceitado doar minha vida por este homem há seis anos antes e meu coração insistia em fazer o mesmo agora.

Conversamos, rimos, brincamos, ate que a conversa chegou no ponto que eu mais temia. "Vim aqui porque sabia que você estaria sentada lá, sozinha e perdida, igual a todos os outros anos, mas só tomei uma atitude agora. E acho que seja tarde".

Eu chorei, e ai entra o começo deste texto. Chorei porque eu havia esperado anos por aquele momento, chorei porque eu desejava aquilo mais que qualquer coisa, aquelas palavras eram mais importantes que ouro, que pedras... Eu chorei porque não acreditava em mudanças depois de todas as perdas. Chorei porque eu não sabia o que responder e eu apenas desabei.

Os braços dele me envolveram e me tiraram do estupor. Me vi deitada em uma cama macia, lençol branco e cheiro de... dele! Eu havia dormido com o homem que pensei que jamais dormiria de novo. Havia transado com ele e estava na sua cama agora. 

Levantei, troquei minhas roupas e sai. Talvez você me ache uma tola por ter feito isso, mas ele me encontrou uma vez, e como eu sou desconfiada do destino, caso seja pra valer, ele me encontra de novo"

Bom, ele encontrou.

P.s.: acreditar que há um motivo para as coisas da nossa vida é um avanço. Saber que há dias melhores, é um avanço maior ainda! Pense nisso. 



Foi nossa primeira - e única - noite juntos. Não era pra ter nada a mais que o sono que nos consumia em plena madrugada, mas teve. Teve toque, mãos, carinho e sexo. Teve o melhor sexo da minha vida. Só depois teve sono. Eu perdi o meu e você ganhou o seu. Homens... Porque morrem ao final da transa? Não te culpava, havia sido excelente.

Mas eu, que antes estava desmaiada de sono, o perdi quando me dei por conta de que, finalmente, dormíamos juntos. Eu e você, na sua cama king ou sei la o que. A única coisa que eu entendia de cama era se era ou não confortável. Sem dúvidas a sua era. 

Você abraçado de conchinha comigo depois do sexo, tirando meu cabelo do seu rosto pra poder colocar a ponta do nariz na minha nuca e dormir. Dormir como um anjo. Eu não dormi pra valer, quiça cochilei mais de 20 minutos. Meus olhos já estavam adaptados com a escuridão e eu podia ver muito bem seu rosto sereno enquanto o sono te dominava num todo. Você sempre foi tão lindo assim mesmo?

Eu me virava, encaixava em você, te puxava para não cair da cama - por um palmo não te derrubei -, te abraçava pra me esquentar, você puxava a coberta por cima de mim porque eu tremia.

Você ouviu eu dizer que te amo? Eu disse. Completei que te faria o homem mais feliz daquele mundo e que se dependesse de mim as coisas seriam prósperas e boas para nós. Que eu iria te dar filhos - rs - e que continuaria te amando independente do futuro, porque eu havia acabado de descobrir o que era amor mesmo. Aquele em que não há ciúmes, cobranças ou medos, aquilo que só se confia e se é intenso. Era só você deixar. 

Sussurrei tantas coisas enquanto você dormia que não me lembro de tudo. A felicidade de estar dormindo com o homem que amo deixou uma lembrança maior que meus votos de amor. Quem diria eu, apaixonada desse jeito, por você! Quem falaria que o destino pregaria uma peça tão grande em mim e seria tão irônico com nós dois.

Era quase oito e você me puxou pro teu peito e me beijou - a cena ainda arde quente em mim. Novamente me vi em teu corpo nu e me deixar sentir, levar. Nunca me senti tão viva como era contigo. Você me deu uma manhã de sexo como eu não havia imaginado que ganharia. Me levou pro banho e me lavou. Me beijou a testa e me abraçou.

A última cena que me lembro é deu me aproximar de você e sorrir. Seus braços me levantaram e você beijou meu queixo e depois que me botou no chão, beijou minha boca, pegou na minha mão e me abraçou forte.

Ah se o destino me pregasse peça novamente e me devolvesse noites com você como essas. Eu te amaria mais acordado. 



Decidi arrumar minhas bagunças, organizar o desorganizado. Começaria por meu quarto, depois iria ao meu coração e enfim chegaria a minha cabeça […] 

Decidi jogar fora tudo que me fazia lembrar coisas indesejáveis, cd’s de bandas - isso já estava meio retro - roupas que eu não gostava mais, doei, com os sapatos fiz o mesmo, só restaram tênis que eu era apegada e sapatos de festas. Os livros da escola não me serviam mais, os doei também. Joguei fora todas as fotos antigas de pessoas que não estavam presentes em minha vida, de pessoas que eu não queria que estivesse em minhas lembranças, mas estavam, no entanto, quando chegasse a hora da limpeza em minha cabeça, com certeza elas iriam desaparecer de lá. 

Aparentemente a bagunça em que meu quarto se encontrava já havia sumido, então parti para meu coração e minha cabeça. Talvez seria mais fácil de limpa-los juntos. Deitei em minha cama e coloquei meus fones de ouvido, precisava que o mundo desaparecesse para poder desfazer a minha bagunça. Respirei. Engoli meu choro e comecei a pensar no que deveria deixar de lado. 

Lembranças de um passado feliz vieram a minha cabeça. Era uma das lembranças mais lindas que tinha, no entanto, nada das lembranças havia continuado em minha vida e elas então foram excluídas de minha cabeça e coração. Velhas paixões, foram esquecidas, as queimei e elas queimaram facilmente. Pra minha sorte […] 

Meu pequeno imperfeito veio a minha mente, não sabia se o excluía, se o queimava, se o deletava, ele ainda estava presente na minha vida, em mim. O deixei. Mais para frente faria outra limpeza, e se ele não estivesse comigo, seria deletado. Coisas boas tiveram de ser deletadas, excluídas, para meu bem. 

Meu coração chorou, gritou, mas minha razão sabia que assim seria melhor, por mais que doesse, ficar sem certas coisas que nos machucam seria melhor do que ficar com elas, mesmo sendo boas, e continuarem a machucar. Essas tal lembranças eram a forma perfeita de uma rosa com espinhos. Lindas e me faziam felizes, mas havia espinhos nela, e eles a fizeram perder todo seu encanto.

Talvez tivesse de ser melhor assim […] Abri meus olhos e vi o nada a minha frente. A partir daquele momento, começaria algo novo, com algumas coisas velhas mas, não menos importantes. Algo que iria me fazer feliz, e disso eu não teria dúvidas. 


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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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