Cranela ›› Blog por Gabriela Cadamuro

UMA MISTURA DE CRAVO E CANELA

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Se você abriu este link por mérito do título, você já ganhou toda a minha atenção. É por este motivo que eu te digo que este texto fala muito mais sobre mim e sobre o quão entregue estou do que qualquer pessoa pode imaginar de mim, um dia. Não peço para que leia até o fim, pois, até para mim, acho que soaria bem cansativo bater um olho e ler mais um textão publicado nas páginas de mais um blog e mais um feed do Facebook. Mas, caso chegue até o fim, adianto-te um obrigada, porque para mim, é um alívio.

Signos nunca foram meu forte e eu nunca tive muita fé nisso, nunca fui muito de entender ou defender alguma comparação de signo-pessoa. Mas hoje, depois de talvez uns dois anos pesquisando, eu defendo que os signos estão intrinsecamente ligado à nós de uma forma, até ridícula, na real. Sou canceriana, nasci num período da lua que me tornou uma pessoa insegura, medrosa, sensitiva, manhosa, observadora, protetora, manipuladora, dengosa e, principalmente, frágil. Entre defeitos e qualidades do signo de câncer, há muitos outros parâmetros pelos quais tende ser feita análises, como ascendente e etc. A questão norteadora desta carta não foi para falar do meu signo, mas o signo pelo qual eu nunca havia me relacionado ou tentado e, que na verdade, nunca me despertou sequer interesse: Áries.

Quem conhece arianos sabe do que eu falo. Mas quem é ariano talvez se identifique mais ainda. São pessoas extremamente maravilhosas se não fossem alguns detalhes: eles não aceitam ser fracos, são líderes, eles impõe regras e possuem suas próprias regras. São indiferentes e, na maioria das vezes, bem frios, calculistas, sistemáticos e grossos. Não no mau sentido, mas eles realmente são pessoas que possuem um mundo totalmente paralelo ao de qualquer outro e vivem para esse mundo. Ter uma relação com um ariano é uma tarefa árdua e bem complicada, principalmente se essa relação for entre duas pessoas extremamente opostas, como Câncer e Áries.

Um ariano só vai te amar depois que ele souber tudo sobre você. Não, ele não está pouco se importando com sua comida favorita ou se você gosta de receber flores e usar uma aliança no dedo, na verdade ele odeia aliança. Ele vai querer saber quem você é. Seus gestos, suas ações, seu caráter, se você é organizada e se pensa em um futuro. Você precisa pensar em um futuro, porque ele não se importa na existência ou não de um futuro com você, mas se importa em conhecer os seus valores pessoais. E só então, depois de analisar criticamente todos os resultados, os prós e os contras, ele pensará se vale a pena tentar algo com você.

Eu amo um ariano. E isso anda sendo a coisa mais complicada para mim. É difícil lidar com uma pessoa que não demonstra afeto, principalmente quando o que eu mais quero é afeto. É agonizante lidar com alguém que não se importa ou não faz questão de estar com você. Ele só vai estar se sentir falta, e essa falta tem que ser muito grande. O bom é que arianos não são orgulhosos, só não se interessam por tudo, possuem suas próprias escolhas e não são muito receptíveis a qualquer pessoa que queira entrar em sua vida e fazer parte dela. Eles não confiam em ninguém, nem na mãe talvez.

Mas eu descobri que eu odiava aquele ariano quando ele disse que não, eu não participava da vida dele e isso não aconteceria tão facilmente. Mesmo não me tirando da cabeça, falando de mim para todos, gostando, querendo, transando, dormindo, beijando, vendo vezes na semana... eu não fazia parte da vida dele, nem do mundo dele. Eu não estava inserida e isso só aconteceria quando ele quisesse. De que adianta ser o signo mais manipulador do zodíaco e não ter a capacidade de manipular o satanáries?

Descobri que amava um ariano quando tive a magnífica sensação de, em um momento de embriaguez dele, ouvir as palavras "de todas as formas, você está comigo em todos os lugares, penso em você mais do que imagina e tenho orgulho de estar com você". Para quem não entende, ouvir coisas assim de uma pessoa proveniente de um signo tão frio e insensível, é algo arrebatador. Descobri que o amava quando ele transou comigo e, maravilhosamente, num gesto quase imperceptível, passou a mão envolta de mim e dormiu abraçado comigo. Eles não possuem afeto, compreende? Arianos não gostam de pegação, melação ou muito amorzinho, quem dirá dormir abraçado. Descobri que consegui gostar de uma pessoa tão oposta de mim quando ele não me deixou por causa dos meus chiliques cancerianos ou meus dramas matinais sobre nosso instável relacionamento. Ou quando ele prometeu deixar de ficar com outras mulheres para se dedicar à um "nós".

Por fim, eu desisti dele, desisti de querer namorar, casar ou construir uma família, desisti de criar afeição ou expectativas, desisti de tentar insistir num amor que eu não saberia se poderia ou não ser recíproco. Mas eu não desisti do ser que ele é, e sim do signo dele. Eu nunca desistia de uma pessoa que, mesmo sem vontade alguma de se importar ou me beijar, se importava e me beijava. Eu nunca seria capaz de desistir de um lindo sorriso pós sexo só porque ele não é a perfeição de homem no qual sonhei. Não há neuras para desistir de uma pessoa que, mesmo com tantos problemas pessoais e transtornos de felicidade (deve ser isso, né?), tende a me fazer tão feliz.

Eu sei que qualquer relacionamento tem altos e baixos, e com uma distinção tão grande de personalidade não seria diferente. Então porque eu desistiria de algo que me faz tão bem só porque ele nasceu entre maio e abril? Eu não vou deixar de amá-lo por isso, mas que fique claro que por enquanto ele também não precisa saber desse amor.

Ame. Ame quem for, ame mais ainda os defeitos. Ame o signo e ame quando não der mais pra amar. Você só vai saber se ama alguém verdadeiramente quando essa pessoa for tudo o que você mais detesta e, mesmo assim, você querer criar laços com ela.



Vou te contar um segredo, meu caro amigo: ninguém vive sozinho. Podem haver milhares de pessoas nesse mundo que se dizem felizes sozinhas, realizadas, sem precisar de alguém para ser mais, mas precisam. Todo mundo precisa de alguém. Da mãe, do irmão, do namorado(a). As pessoas foram feitas para precisarem umas das outras e assim, suprirem as lacunas que faltam em nossas vidas.
Um dia, por exemplo, você vai parar de fugir e se esquivar de relacionamentos e de paixões. Vai encontrar uma pessoa que te completará tão perfeitamente, que você não conseguirá pensar em outra coisa a não ser naquela pessoa. Vai relutar, se debater e entrar em conflito com seu próprio coração porque a razão insiste em não amar. Mas não dá! Até o mais forte desse mundo precisa de amor para ser mais feliz. Você vai achar alguém que te dará um carinho tão bom que nem sempre o sexo vai ser a primeira coisa que você vai pensar ao deitar na cama com essa pessoa.
Ninguém vive sozinho como ninguém morre de amor. Mas ambas andam juntas numa necessidade de mostrar que podem existir. Uns querendo provar que não precisam de ninguém e outros, querendo provar que não sabem viver sem alguém. Não dependemos, mas precisamos do outro e do carinho que este nos proporciona. Você pode ser a pessoa mais invencível do mundo, mas ainda assim deita na cama e sente falta de um carinho e alguém que te ame, independentemente dos seus momentos inconstantes.



A caixa do Marlboro em cima da escrivaninha me chamava muito a atenção, mas até o maldito vício do cigarro me lembrava você. A maldita promessa que fiz: parar de fumar. No entanto, você não estava mais ali, só o teu cheiro em minhas roupas e tuas risadas doces ecoadas em cada canto das paredes, apenas. 

Alcancei a caixa e a abri. Um cigarro! Um maldito e miserável cigarro, apenas um! Eu esperava que ele saciasse minha dor de te ver indo, sem conseguir te puxar de volta. Abri a escrivaninha e peguei o esqueiro que, por merda de vida, você havia me dado. O olhei, o admirei e o virei de cabeça para baixo: nossas iniciais ali. Dei um tranco, voltando para o cigarro, fitando-o como se ele fosse a última coisa no mundo e como se eu o desejasse mais que tudo. 

Acendi e traguei. O gosto da dor desceu pela minha garganta e eu grunhi. Que merda de cigarro era aquele, tinha que ter gosto de menta e não esse gosto maldito de como se algo estivesse doendo no meu peito. Eu não podia escapar, algo estava doendo muito em meu peito, mas não era necessário lembrar. Me deitei na cama e dei mais uma tragada. O gosto foi adocicando e o cigarro foi saciando a dor, - ou assim eu queria e pensava - dei a terceira tragada e as gotas da chuva bateram na janela, molhando todo o chão. 

Levantei e corri para fecha-la. O vento gélido fez com que a dor voltasse e o cigarro se apagasse. Mas que merda! Deitei na cama rapidamente, indo em direção a escrivaninha, para pegar o esqueiro. Revirei a maldita escrivaninha toda e o esqueiro já não se encontrava mais lá. Intriguei-me, onde eu havia colocado aquela maldita lembrança? Era a única que eu havia deixado comigo, era a que eu mais gostava, tinha suas iniciais, e era de sua cor predileta, o maldito roxo. 

Debrucei-me para debaixo da cama. Roupas, sapatos, papéis e… papéis, voltei-me a olhar para um pequeno papel de cor verde que estava jogado em baixo da cama. Era pequeno e suas palavras eram de uma caligrafia linda, no entanto, acho que a pessoa estava tremula. Manchas arredondas se encontravam por toda parte do pequeno papelzinho. Coloquei o papel em cima da cama e voltei a olhar debaixo dela. Ah! Encontrei você seu maldito esqueiro filho da puta. 

Segurei ele em minhas mãos bem forte e voltei a acender o cigarro. Tentativa a toa. A porcaria do vício me deixara na mão, assim como você. Dei um soco no colchão e o pequeno papel voou, e então foi caindo, devagar, suave e de forma intrigante. O peguei e o abri de novo, agora prestando atenção nas palavras: “Engraçado não? Enquanto eu ria você chorava e me fazia rir entre as lágrimas também, e todo aquele maldito amor tão imperfeito acabou. Sinto sua falta, pena que não sentes a minha, não veio atrás, não pediu para que eu ficasse, apenas virou as costas e foi, me deixando apenas a saudade como lembrança.” 

Senti uma lágrima tentando escapar de meus olhos e a repreendi no mesmo instante. Se soubesse que sinto sua falta, mas a dor não deixa nem eu me levantar da cama… Se soubesse, se me atendesse, ah, se […] 


Ela sussurrou 'Cansei', tão baixinho que um sopro seria mais alto. Mas eu ouvi bem, entendi; eu li os lábios dela e compreendi. Enquanto ela olhava pro teto do quarto e enchia os olhos de lágrimas, tentando ser forte mais uma vez, tentando colocar na cabeça dura que era ela sempre e mais ninguém, e que isso teria que ser o suficiente.

'Eu não quero ser sozinha, mas cansei', disse passando as costas da mão na bochecha do rosto, tentando se livrar da lágrima gélida que escorria. E eu entendi o quão frágil aquela garota poderia ser por simplesmente querer alguém pra si. Querer só uma mão quente, um abraço longo e certo, um colo. 'Não dependo disso, mas eu quero' falou pra si mesma, como se estivesse se desculpando por querer atenção, por querer amor. 

Ela, ali, deitada naquela cama, olhando pro teto e tanto não soluçar; ela parecia tão frágil. 'Por favor', engasgou, e as palavras se misturaram ao choro doío 'eu não gosto de ficar sozinha', mordeu a boca e apertou os olhos. Gotas de água salgada escorreram molhando o lençol. 'Desculpa, eu cansei'. E depois de tanto sussurrar dormiu; dormiu pedindo à Deus o colo, o abraço, o conforto; dormiu pedindo à Mãe um anjo no qual ela não precisasse sentir medo. 

'Eu só quero sorrir', pensou. Amanhã ela acordaria com os olhos inchados e borrados, e olharia no espelho sua própria dor. Inflaria o peito e inflamaria o coração. Se não era necessário um corretivo, agora seria. Ninguém além dela precisava saber que doía, mas iria passar. Ah se iria, isso era uma promessa.



DÊ PLAYER NA MÚSICA PARA LER

Ontem, pela manhã, eu andava distraído, chutando as pedrinhas que eu via no chão enquanto pensava no que eu poderia te dizer, já que toda essa nossa confusão tá aumentando. Foi ai que eu decidi pegar o celular e te ligar.

- Oi.
- Oi.
- Onde você tá? 
- Em casa.
- Pode me encontrar?
- Hoje não tenho tempo.

Desligou. Depois de um tempo eu acho que as pessoas vão ficando mais frias e, por mais que eu tentasse esquentar nosso "relacionamento" às avessas, você não parecia estar muito afim disso. Parecia gostar do gelo que te encobria e, não queria por nada, deixar que eu te derretesse. Fui pra casa tentando não pensar em você. Deixei pro dia seguinte a noite e te liguei.

- Pode hoje?
- Não sei se devo. Acho que precisamos conversar...
- Eu também quero conversar.
- Tudo bem.
- Vou te buscar. 
- Acho... tá, venha.

Eu iria pedi-la em namoro se ela não tivesse ido direto ao assunto que queria me dizer. Não houve lágrimas, mas sim uma voz acanhada de pena. Agora ela sentia pena de mim, por ter que terminar um relacionamento que nem havia começado. Seus olhos eram fundos e demonstravam como tudo aquilo era em vão, porque ela sabia que eu resistiria - ou achava que sabia.

- E o que você tinha para me dizer?
- Nada. Na verdade era o mesmo que você. Concordo que nós estamos avançando rápido e isso tem que acabar.
- Ah, sim! Que bom que está de acordo, gosto de você e assim ninguém sofre.
- Claro, ninguém. 

Deixei-a em casa e fui para a minha. Dentre todas as pessoas do mundo tinha que ser justo você? Sei que meu signo é bem culpado por todo esse sentimento desenfreado que me corrói aqui por dentro, mas eu não estou errado. Nunca vi virginiana como você, as pessoas que conheço não são como você. É como se seu jeito fosse extremista e eu? Meu Deus, eu sou tão molenga. 

Acho que passou umas duas semanas até que meu coração trouxa de canceriano  não aguentasse mais e ligasse pra ela de novo.

- Oi.
- O que foi?
- Fica? 
- A gente já conversou sobre isso, não é assim.
- Tô sentindo sua falta, fica, volta, sei lá, tenta de novo.
- Não.

Ficamos em silêncio. Eu chorava sem que ela ouvisse. Aquilo doía.

- Tá, tudo bem, pode ir embora se é isso que você quer e acha certo. Mas não volta, não ache que você vai encontrar mais que isso, porque não vai.
- Mais que isso o que?
- Mais que eu, meu amor, o tanto que me dei e doei a você.
- Tá me jogando praga?
- Pelo amor de Deus, não! Só quero que você pare de achar que a gente vive num mundo encantado. Não vivemos! E outra, eu não sou o teu passado, que fique bem claro.
- Mas não é mesmo e não vivemos, eu sei.
- Que bom que não me considera passado. Nem futuro. Quem dirá presente.
- Para, por favor.
- Vai, não vou te pedir mais pra ficar, já me humilhei muito. A
inda tá aqui porque? 
- Certo.
Desligou. Eu nunca mais a vi. Na verdade vi sim, de longe, nas festas, sem poder fazer mais nada além disso. Olhar. Eu ainda sinto saudade, falta. É como se enfiassem uma faquinha no meu peito e a girassem. Quando você não tá, tudo certo. Mas ai algo me lembra teu jeito e... Acho que preciso me reinventar. Ei Deus, rola uma mãozinha?

Cranela

Enfim, eu o amo. Que ninguém saiba disso mas eu o amo desde a sétima série, eu acho. O amo mesmo com todas as namoradas que ele teve, mesmo com as declarações de "eu te amo" para outras mulheres. O amo ontem, hoje e talvez amarei amanhã. Ninguém sabe ou saberá, além do meu pequeno e frágil coração que se contorce a cada mulher nova que entra ou sai da vida dele.

O amo quando ele nem sabia direito quem eu era, a não ser meu nome ou minha forma física; digo: cabelo, olhos, altura, sabe? E eu, boba, tola, sempre soube quem ele era. A criança, o adolescente e agora homem, prestes a ser um grande empreendedor. Prestes a crescer em sua carreira tão sonhada e tão perfeita. 


Engraçado que o amei sem saber. Dentre todos esses anos, nem eu mesma tive a capacidade de me questionar o porquê que sempre senti tanto interesse nele. Sempre tentei entender porque sua pessoa me chamava tanto a atenção ou o porque ele sempre acabava entrando nos meus sonhos. 


Mesmo namorando, eu ainda o via com frequência. O olhava de forma carinhosa e desejava sua felicidade como ninguém desejaria. Sempre de longe sem me meter na sua vida, eu estava torcendo por ele como torço hoje e amanhã; creio que sou sua maior fã e isso não é nada estranho. O amo por ele ser tão difícil como pessoa mas tão bom também. 


Aprendi que o amo depois de tocá-lo por míseros momentos. Foram anos passados ao lado de alguém no qual eu sempre admirei e tive por perto nos meus instintos mais aguçados, mesmo sem que eu mesma percebesse. Foram poucos os dias em que eu deixei ele para lá e voltei a focar na minha frente - e esses foram os dias em que eu me relacionei com alguém, no caso dois, em duas fases da minha vida. Mas isso nunca cessou.


Que ninguém saiba - e jamais saberá - mas eu o amo. E interligado a ele eu estive por um período curto. Se não consegue entender é o tipo de amor platônico que se torna real a partir do momento que ele é consumado, de todas as formas possíveis e impossíveis existentes no romance que eu criei. Não! Não é tão platônico porque estava ao meu alcance, e sem que eu quisesse ou percebesse eu consegui aquilo que eu queria.


O amo por ele tentar gostar de mim, mesmo não tendo conseguido, ele se esforçou. Gostar de alguém tão cheia de maluquices e louca como eu, para ele, sei que foi um avanço enorme. O amo pelo pequeno mundo repleto de maravilhas simples que ele me deu; pelos sorvetes no domingo e pelo sexo na chuva. Por não desistir de sair mesmo no frio e por encher a cara do meu lado e "chapar" comigo. O amo por topar tudo sempre, e sempre ser meu amigo, estar disposto a me ajudar, mesmo que seja difícil ou falte tempo.


Eu o amo porque ele sempre foi meu garoto, a criança, o adolescente e o homem. Mas na verdade, nunca foi "o meu".

Cranela

— Acha que talvez poderíamos ficar juntos?
— Com toda a certeza... não! — ela falava isso com o nariz arrebitado mas respirava fundo
— Mas você quer!
— Não pira, Slutt.
— Você respirou fundo, se liga: quando você respira fundo, ou está mentindo ou está dizendo o contrário do que queria.. Tanto faz! — me senti orgulhoso por ter tanta certeza daquilo.
— Tanto faz mesmo.
— Nossa, que pessoa revoltada.
— Fica na sua, que você ganha mais. Vou pedir mais uma cerveja porque ficar olhando pra sua cara de copo vazio é tortura.
— Você deveria ser mais educada com quem te dá tanto prazer.
— Mas é só isso, né?
— E amor também. — me aproximei dela.
— Você pode até me dar amor, carinho, o o caralho a quatro, mas continua sendo um imbecil, um trouxa, um infeliz que só pensa em si mesmo. Você é orgulhoso e otário, vai me perder se não correr atrás do prejuízo. Eu não vou ficar aqui sempre, muito menos vou aceitar só ficar com você. Eu te amo, Slutt, e você deve sentir o mesmo, mas não admite por puro medo de ser feliz! — ela já estava de pé, gesticulando e falando alto, sendo maior imponente que eu, e mais corajosa também.
— Ual. — realmente eu estava surpreso.
— Decidi falar, de um jeito ou de outro eu falaria. Agora dá licença porque eu não sou obrigada a ficar aqui amando alguém que simplesmente prefere ter medo ao invés de tentar ser feliz comigo. Continua, Slutt, quero ver alguém aguentar suas neuras mais que eu. Trouxão.
E saiu, assim sem mais nem menos, rebolando pra todos os caras verem que mulher que ela era. Bom, talvez eu pudesse largar de ser um imbecil e ir atrás da minha felicidade ou continuar aqui bancando o forte, achando que não gosto dela... Ai que decisão difícil.

Contos de casal fora dos padrões

Não aceito esse seu jeito tonto de me olhando quando eu peço um beijo, mas aceito teu olhar enquanto durmo. Acho incrível quando me pede mais uma parte da cama porque eu ocupo ela inteira e quase te derrubo. Você fala "deixa eu mais perto, amor" e eu tento ser normal, mas como? Acho que é impossível não deixar você se aconchegar na minha nuca enquanto deita de conchinha, beijando atrás da minha orelha e me chamando de amor.

Vou te contar que vi você me olhar e me beijar enquanto eu cochilava e que achei o gesto totalmente não-você, mas que aquilo só me fez ter mais certeza do quanto você é um grande ser. Um ser estúpido e babaca que não consegue fazer nada sem sair das normas do certo, que quando faz algo fora da linha, se preocupa. Um ser sistemático que aprendeu que comigo nada anda da forma correta, que tudo vai ser feito na mais pura adrenalina, que o sexo vai acontecer na rua ou no carro. E ainda assim, mesmo com todo o teu sistema, você vai aceitar. 

Posso te contar o que mais acho engraçado? Você me olhando de lado como se aquilo fosse a pior coisa do mundo e perguntando se não tinha problema. É claro que não! Nunca vai ter algum problema com você, a não ser pelo seu jeito de ser meio bipolar que me deixa totalmente nervosa e com a gastrite atacada, mas tudo bem, eu relevo. Também sou meio fora da casinha e totalmente alheia à vida lá fora. Mas por falar em bipolar, meu Deus! Como você consegue ser tão frio num momento e tão doce num outro? Sinto vontade de te matar.

Os pesadelos que tenho com você são ligados ao que meu subconsciente quer fazer, te matar! Matar dentro de mim e dentro dessa coisa doida que sinto por você, sumir, desaparecer, esfaquear e esquartejar. Mas é só uma metáfora, ok? Ao mesmo tempo em que tenho sonhos maravilhosos onde você volta a dizer "chega pra lá, amor, vou cair", e me envolve nesses braços lindos e me aconchega nesse teu corpo que me faz perder o ar. Me beija a nuca com ar quente e me faz arrepiar.

Já te contei o fascínio que tenho pelo teu corpo? Parece que foi esculpido perfeitamente do jeito que eu gosto, desenhado lindamente para encaixar ao meu corpo em todos os momentos possíveis e impossíveis. Sem definições exageradas, é lindo de se ver. Lindo quando deita comigo ou tira a camisa pra trocar de roupa. Lindo quando você fica fazendo "hm" enquanto eu olho você se trocar. Mais lindo ainda você me virando de costas e fazendo carinho nas minhas costas e me beijando o corpo todo. 

E depois... como é que eu aguento você falar meu nome ou me olhar intensamente, tudo isso sem te tocar? Como é que se resiste à algo que te faz querer fugir pra todos os cantos? Como dizer não quando você diz que quer dormir mais perto. Na próxima vez, você usa do lado da parede na cama, assim não te derrubo.

Cranela

Cheiro de chuva. Doce na TPM. Frio com o namorado. Barulho do mar às 4h da manhã. Compras em papelaria. Cheiro de livro novo. Música para dormir. Acordar ao lado de quem se ama. Cheiro de café. Gosto de café. Chocolate. Docinhos "Fini". Clarice Falcão. Neve. Frio de Londres. Comprar roupas. Amigos. Festas. Sorrisos aleatórios. Sorrisos amados. Borboletas no estômago. "Oi" no whatsapp. Surpresas. Cantar. Caminhar na areia da praia. Dormir por horas. Maratona de seriados/filmes. Trabalhar com o que se ama. Barzinho depois da prova. Sensação de estar realizada. Tomar banho de chuva. Comprar livros novos. Ouvir/ler "eu te amo". Beijar na chuva. Beijar. Abraços de desconhecidos. Abraço de amores. Presentes. Jogar futebol com os amigos (menina ou menino). Rio de Janeiro. Disney. Viajar sozinho. Viajar com os amigos. Festas surpresas. Pedido de namoro. De casamento. Casamentos. Poesia. Se sentir amado. Pular na cama elástica. Acordar e perceber que pode dormir mais. Domingo de manhã. Almoço em família. Andar de avião. Ajudar o outro. Pessoas gentis. Ser feliz. Fazer o outro feliz. Comprar sapatos. Sair com os amigos. Aventuras. Natureza. Cheiro da natureza. Pássaros. Pandas e unicórnios. Filmes infantis. Gargalhadas. Saudade. Amor e paixão. Sexo. Cheiro de xampu. Harry Potter. Ser criança. Pular corda. Brincar de bets. Gargalhada de bebê. Bebês. Cheiro de bebê. Diversão. Conversas antigas. Nostalgia. Sorvete, no frio ou no calor. Festa do pijama. Jogos (de todos os tipos). Cinema. Minions. Vintage. Investigação. Melhores amigos. Cachorros e gatos. Batom vermelho ou escuro. Sardas. Paris. Holanda. Arrependimentos (são bons porque nos ensinam). Porto Alegre. Praia. Cervejada. Beijos. Beijos que te deixam anestesiada. Whatsapp. Conversar até a madrugada. Ler até a madrugada. Cabelo solto. Cabelo grande. Festa junina. Irmãos. Família. Fotografias. Maquina de escrever. Cheiro de doce. Conselhos. Piscina. Churrasco. Sol. Lua. Noite. Dia. Opostos. Loucura. Outono. Biologia. Decoração. Beijos até de madrugada. Dormir de conchinha. Acordar de conchinha. Capitu. Jorge Amado. Game of Thrones. Geek. Comida. Comida japonesa. Barulhinho de teclado. Lábios. Sonhar. Sonhar acordada. Deus. Realizações. Suco verde. Academia. Correr. Andar de bicicleta. Cheiro de parque. Charlie Chaplin. Charles Bukowski. Ser velha e louca. Ser tudo e nada. 

Algumas coisas da vida não tem como serem descritas, mas porque chorar tanto se temos tanta coisa maravilhosa? Pense nisso. Não sofra. Nenhum sofrimento é páreo para toda a felicidade existente nesse mundo. 

Cranela

Quando você vai perceber que tem que se amar acima de tudo? Que nada no mundo pode destruir a mulher invencível que você é? Você diz que gosta tanto da Mulher Maravilha, mas apesar dos poderes dela, você tem mais poder que ela e todo mundo junto. Abre uma aba no Youtube e digita Clarice Falcão ou A banda mais bonita da cidade. Ouve. Se acalma e se aquieta, mulher. Nada nesse mundo pode te abalar agora. Você, mais que ninguém, sabe da força que tem, que consegue caminhar sobre cacos de vidro e dar pulinhos no fim, porque você aguenta. 

Você sabe por tudo que passou, pela vida que teve e onde chegou hoje. Você melhor que ninguém sabe do teu coração, e ele não precisa implorar por amor de ninguém porque o seu próprio amor já basta. Esse é o seu suficiente, já parou pra pensar nisso? Homem é um saco e não gosta de mulher dependente. Então porque você está sendo, se essa não é você? Você nunca dependeu de nada nem ninguém, a não ser dos seus livros empoeirados que você não lê mas não dá. Nunca vi mulher mais forte que você, que encarou tudo com a maior cara de pau do mundo e usou isso a seu favor.

Nunca precisei conhecer outra pessoa, porque nunca quis! Porque sempre acreditei em você e que você seria isso que sempre foi. Sei que é humana e cai, que erra e que sente falta. Mas deu já. Está na hora de olhar pra tua frente e parar de esperar. Dá teu primeiro passo logo, porque no momento você precisa pensar em você e nos seus objetivos. Entendo que só queria que as coisas dessem certo e ninguém mais entende. Mas estou aqui, tudo bem? Você tentou, fez de tudo para que desse certo, então não se abale. 

A gente tem mania de achar que a culpa das coisas derem errado é nossa. Mas não é, nem minha, nem sua, nem de ninguém. Você precisa crescer e amadurecer e você melhor que ninguém sabe disso. Tudo que aconteceu até agora foi para que você crescesse mais, depois de tanto tempo tentando entender como você seria com um outro, isso te ajudou a ver que, por mais que você queira algo, faça, mas se não der certo, fica na sua. Vive, seja como você sempre foi: independente e forte. Quando as coisas são suas, elas vão ser daqui dois ou daqui 20 anos. Sei que você não é muito paciente, mas tenta ser, só um pouquinho.

Você não pode ter a melhor parte do teu corpo quebrada em mil pedaços sempre por medo de estar sozinha. Esquece esse medo, esquece! Você nunca estará sozinha, sempre terá gente do teu lado que te ama, que vai te erguer e te botar lá no topo. Então abra teu olho, respire e relaxe. Olha para o teu lado e veja tudo que está acontecendo. Lembra que as pessoas nos surpreendem pra bem ou mal e que a gente nunca conhece ninguém, nem nós mesmos. Então se acalma, e segue. Segue porque quem perdeu não foi você. Até porque eu sei que ninguém seria mais feliz com outro alguém que não fosse você. Leve tudo numa boa, converse, dê oi, reze, e não ignora, porque essa não é você. Mas sempre se lembre que você só precisa de você e de mais ninguém.

Se ame, se adore, se viva. 

Cranela (dedico esse texto a mim e a minha melhor amiga, que nunca me deixaria mesmo eu sendo a imperfeição que sou)

E se eu morrer hoje? 

Não, não é piada. Estou falando sério. Pare para pensar um pouco. Se eu morresse hoje o que aconteceria comigo? Com minha família e meus amigos? Não tenho medo da morte e sim medo de ir embora. É estranho pensar que depois disso tudo acaba. Mas eu penso, todos os dias, se eu morrer como minha mãe vai ficar, porque não quero vê-la chorar, me dói tanto. E meu irmão? Ele é meu anjo da guarda e sou um exemplo a ele. Como ele ficaria, será que aceitaria? Entenderia? Mesmo sendo tão pequeno?

Penso no meu pai que a meses não me liga ou se preocupa. Será que se eu não existisse mais em corpo presente, ele se arrependeria de não ser o pai que eu queria que ele fosse? Se algo acontecesse comigo será que meu pai levaria um susto e começaria a se importar com minha vida ou em como estou? Como ele reagiria?

Como minha melhor amiga ficaria se eu não estive mais aqui para chorar no ombro dela e ela me dizer "eu te avisei!". Como seria se eu não existisse mais no whatsapp dela chamando ela de gorda ou vaca e pedindo pra ela me ajudar num favorzinho. 

Como as pessoas iriam reagir com minha morte? Sair nos jornais, na televisão... O que falariam de mim? Será que alguém mandaria mensagens no blog mesmo sabendo que não vou responder? Será que alguém se lembraria de mim depois de dez anos? Ou vinte?

Será que o cara que eu gosto sentiria minha falta e sofreria com minha perda? Será que ele me guardaria no coração como alguém que pôde estar na vida dele fazendo-o feliz? Bom.. Eu não sei.

Sei que perdi minha grande amiga e prima à quase sete anos atrás e ela só tinha 16 anos. Ela era linda e jovem. Até hoje eu penso em como seria maravilhoso ela estar na faculdade aos 23 anos. A mulher que ela seria, a pessoa incrível que ela se tornaria. A melhor amiga dela com certeza estaria chamando-a para ser madrinha do seu casamento. Quem sofreu? Foi o ex namorado que a amava com todas as forças e não o atual. Foi os pais que a cuidavam e amavam tanto. Os familiares e os amigos. Hoje sei que minha família ainda pensa na minha prima. 

Hoje eu sofro em um dia em especial todos os meses do ano, mas em um a dor é mais forte. Sei que seus pais também, mas alguém ainda lembra dela? Seu perfil nem existe em Facebook. Só sobraram fotos de recordações...

Mas enfim, será que alguém lembraria de mim como da minha prima? Eu não quero deixar meu irmão, minha mãe, minha família, meus amigos e o garoto que gosto. Não quero ir embora porque ainda não terminei o que vim fazer aqui. Preciso fazer aquele homem feliz ao máximo e passar meus dias com ele. 

Mas e se? E se eu morrer hoje?

E se você morrer hoje, como acha que seria?

Ontem eu quis te matar, te jogar na fogueira e te ver queimar. Puta que pariu! Você consegue me encher de paixão e ódio ao mesmo tempo. E me deixar frustada e boba também. É uma coisa esquisita, fora de cogitação e ridícula.

Não que eu ligue, deixei de fazer isso desde o primeiro dia que te conheci, mas eu entrei em pânico. Vai que você morria, entrava em coma. Eu ficaria pirada. Se você vai morrer, que eu te mate. Mas de amor, de prazer, de paixão. 

Acho que você disse umas quatro ou cinco vezes "se não levasse tão a sério..." e eu fiquei pensando na super direta que você deu. Não levo a sério. Na verdade, pela primeira vez eu não tô levando a sério. Tô levando na brincadeira, na felicidade, na cumplicidade. Nada de seriedade porque eu não sou assim. Fui feita de malandragem, de piadagem e bobeira. Cresci sendo uma menina boba, que não tentava frustar meus próprios sonhos e, opa! Ainda não frustei você. Belo caminho estou.

Pra te falar a verdade, essa é a primeira vez que não meti os pés pelas mãos. Que não quis colocar a carroça na frente dos burros, que não me impus de louca apaixonada. Estou sim, você deve saber disso já, assim como você deve gostar de mim, nem que seja um pouquinho (ainda tenho minhas dúvidas). Mas não serei a maluca que te cobrará as coisas, a psicopata que sentirá um ciume doentio e fora de controle porque você vai jogar futebol numa terça com teus amigos. Quem sou eu pra te impedir de viver? Quero ser tua por completo, mas isso nunca me fará te obrigar a me dar satisfações. Eu não sou assim.

Te quero sim, não duvide. Quero ser sua daquele jeito e isso passa pela minha cabeça algumas vezes, da mesma forma que passa pela sua, igual me contou. Mas eu sei esperar. Sei esperar o tempo que Deus reservou para nós e o teu tempo. Esperar que teu coração confie em mim o suficiente para não morrer de pavor ao me pedir pra ser tua, um dia, ou não. Cogito a hipótese, te gosto, mas não fico me prendendo a isso. É um status e de status estou farta, mas nada que não me deixaria feliz.

Dou valor ao que você faz, ao chocolate que me compra sem nem eu pensar em pedir. Só pra eu te dar na boca. Gosto de quando passa a mão no meu rosto. Da última vez, minha experiência com filme de terror me levou ao medo de filmes assim e ao medo de me esconder em alguém. Trauma quebrado com você. Ao invés de palavras grosseiras, você riu da minha cara de medo e passou sua mão no meu rosto, e pela primeira vez em anos eu me senti uma bonequinha protegida no teu colo. E que fique em segredo, mas acho que gostei de ver terror com você. Ok, pode se achar já! Assistirei "A forca" com você. Mas quero um beijo como presente.

Obrigada. Mas ainda quero te matar, por ser um trouxa e me deixar preocupada e não entender que sou assim. Poxa! Não me deixa maluca que eu entro em pânico. Sou movida a preocupação, e não ria da minha cara, sou fofa. Mas não me chama de fofa, imbecil! 

Mas, tá, obrigada de novo. Por me mostrar que as pessoas podem ser diferentes. Que nem todas são uns monstros e que ainda posso receber proteção e carinho sem pedir. Não quero nada mais de você do que isso, teu cuidado e teu afeto, teu companheiro e tuas risadas. Não preciso de mais nada, só queria que pudéssemos ter mais lugar para nós. Sentar num sofá e ver um filme, sem nenhum tormento, sem ter que se esconder quem somos. Somos nós, um do outro, sem status, sem brigas, sem obrigações. Só queria que soubesse que sinto orgulho. Só porque você é você, e de você eu também sou. 

(dê play na música, caso queira)


Eu não o achei porque quis, muito menos porque escolhi isso. O achei porque foi obra de Deus e do destino. Não foi perdido e nem jogado fora, mas não foi dado o valor necessário e justo à ele.

Você o usou para suprir necessidades de "sossegar". Para aquietar o que nenhum moleque fazia, mas ele é homem e você não sabia disso. Não aguentou a pressão de um homem de verdade estar ao teu lado e te proporcionar momentos incríveis. Eu não sei de tudo o que você fez ou como foi o relacionamento de vocês, nem quero, até porque eu sou o presente dele e pretendo fazer um futuro também, passado não conta. Mas sei o quanto deixo-o destruído e medroso.

Agora ele tem medo de arriscar por um deslize de alguém que não merecia nem 10% do que ele é. Medo de tentar comigo porque você não souber cuidar de algo tão precioso.

Eu ganhei um anjo que você não soube lidar e te agradeço por isso, porque a gente possui a missão de entrar na vida dos outros para melhorá-la e não destruí-la. Você destruiu e eu vou consertar todo teu estrago, todos os arranhões e machucados, todos os deslizes e medos. E vou te apagar de tudo.


Algo valioso? Com toda certeza. Ganhei lembranças memoráveis e inesquecíveis em tão pouco tempo. Imploro agora por mais horas no dia e mais momentos perto dele. Rezo todo dia para que o medo dele se dissipe porque não sou igual à você. Eu não sou o monstro que você foi. 

E por mais que ele saiba disso, você conseguiu deixar um grande poço dentro de alguém tão bom. Eu vou mostrar à ele o quão ignorante e burra você foi e como eu posso faze-lo feliz (e farei). Vou mostrar em quem ele poderá confiar e poderá contar. A parceria dele, o amor, a vida e a amiga. Serei o que você não foi. Não foi mulher para um homem porque você é garota para um moleque.

Agora o rumo mudou e toda a confiança que nunca desejei passar a ninguém eu quero dar a ele. Tudo o que nunca quis, quero com ele e toda felicidade desejo pra ele (e nós). Você me deixou um grande presente pra lapidar já que fez tudo errado, borrado e machucado. Está na hora de arrumar, de beijar, ninhar e amar. Está na minha hora de cuidar como ele me cuida, de acariciar como ele me acaricia e de beijar como ele me beija.

Nada mais intenso que isso. Nada mais intenso que nós. Porque foi eu que deitei nos braços dele e dormi, acordando com seus olhos lindos me olhando e brilhante. Foi eu que recebi beijos no meio do sono e tive o corpo quente dele junto ao meu. E se você também ganhou tudo isso? Sinto muito que não tenha aproveitado.

Eu vou onde nunca fui para vê-lo feliz e confiante. Coisa que você nunca fez. Hoje sou eu, e será eu que faria ele feliz. Mesmo que não dê certo. Eu tentarei mais que você.



Eu sou homem e por mais que você ache que eu não choro, vou te contar um segredo: eu choro, e muito! Sou uma carga explosiva de sentimento e choro. A diferença é que não sou de me expor, não por eu ser do gênero masculino, mas por eu ser assim mesmo, meio frio.

Outro segredo que eu não conto pra ninguém, e esse me dói mais. Sou um maluco apaixonado. E ai vai a notícia meu amigo: eu sou homem e me apaixono também, perdidamente, se você acha que homens não fazem isso. Pra falar a verdade eu tô super apaixonado por uma maluca de pedra. Interessante essa coisa de se apaixonar por mulher psicologicamente afetada. Psicologicamente ferrada, sei lá eu.

A questão é que, além de me apaixonar eu estou desconcertado. Tá, eu sempre fui meio machista e não acreditava nessa coisa de paixão, principalmente por mulher que não tem a cabeça no lugar, como ela. Ai eu cuspi pra cima, né? Caiu na testa, bem no meio. Cuspi no meu prato e comi com vontade. Fui o maior imbecil. 

E cá estou, tentando quebrar o tabu de que homem pode sim chorar e pode sim se apaixonar. Que você não é um bunda mole por gostar de uma mulher, que não é fraco por querer namorar alguém. Que não é imbecil ou "bobo" como a nossa querida música de nome "vai namora bobo". Pelo contrário. Se apaixonar é bom, é gostoso e te faz ser mais feliz. Te faz ver as coisas de ângulos melhores e deixa tudo mais bonito. Você come mais e dorme mais. Sente borboletas no estômago e uma vontade imensa de ver a outra pessoa. De tê-la.

Você pode se apaixonar porque isso não é feio. Feio é fazer como eu fazia, ir em festas e pegar geral só para me sentir o bam bam bam do caralho. Porque mulher era pra pegar e fim. O bom é que no final disso, me apaixonei pela garota mais linda da última festa. Nunca tentei tanto achar uma pessoa como procurei por ela. Foi em redes sociais, em amigos em comum, em tudo! 

Nunca me sentei em frente à nada por alguém por mais de dez minutos. Mas por ela foi diferente. E hoje eu digo, ser solteiro é bom, mas gostar da parceria de alguém pra tudo, é muito melhor!



“Não sei o que dizer de homens que são uns putos. É isso mesmo, aquele lá come todas, como pode? Faz um papel de vadio e nem cobra. Ainda por cima é vadio burro. Vive usando roupas extravagantes e coladas que chamam a atenção das mulheres. Depois reclamam de todo o assédio, dos assobios e das frases que ouvem todos os dias ao passar por um canteiro de obras.

As mulheres? Elas são mulheres, foram criadas assim, é a cultura, não tem o que fazer. Elas podem e devem dar para quem bem entender e usar a roupa que quiserem e não possuem direito de ser cantada na rua, até porque os homens são muito reprimidos para cantar uma mulher ousada e sedutora. Não são nem capazes disso.

A lei “João da penha” foi imposta para nada, até porque os homens sofrem abusos por usarem essas roupas chamativas. Ai deles se reclamarem, já que são os próprios que chamam o estupro. Não devem e não podem reclamar. Se não quiserem ser estuprados, que andem vestidos como homem de verdade, sem usar roupas que atraiam a atenção. Não podemos culpabilizar as mulheres por abusos caso o homem abusado esteja usando trajes indiscretos.

Esses dias eu estava passando de carro e vi um homem de short e chinelo, sem camisa. Olhem só! Depois corre para a delegacia reclamar. Mas voltando, ele era sarado, gostoso e delicioso, se fosse um pedaço de carne eu comia todinho – pensando bem ele é um pedaço de carne. Assobiei mesmo, chamei de gostoso e disse que pegava ele de jeito. O cara abaixou a cabeça e colocou a blusa. Uma pena porque eu estava adorando apreciar aquele porte másculo dele.

E tem outra, que ridículo esses gordos que se acham os reis e ficam usando roupas estravagantes também. Gordos não podem sair na rua, não possuem esse direito. Além do mais, merecem ser estuprados mesmo, já que querem mostrar o corpo gordo, que façam isso e ganhem o merecido presentinho.

Mas voltando aos homens, estou afim de abusar verbalmente de mais um hoje, quero o corpo de um dos rapazes que faz Administração na faculdade. Vou adicionar ele no facebook, chamar pra sair e dar um jeito de transar com ele. Depois deixo o imbecil lá. Homens são tão fáceis e inúteis, tão descartáveis que só servem para isso mesmo. Sexo.

Vou dar mais uma volta de carro, sei um lugar cheio de caras gostosos para paquerar. Vou colocar minha roupa mais atraente e passar meu perfume de mulher segura. Homens adoro isso. Tolos.”


(este texto é um reflexo do que vemos hoje na rua, do que ouvimos e temos que ficar quietas para não ser repreendida, pois até na própria delegacia da mulher você é taxado casa vá denunciar)

Não aceite abusos, busque seus direitos. Denuncie!

Quero que me explique o momento exato que nos perdemos. Que diga todas as palavras que não teve coragem de dizer e que vá embora de uma vez por todas. 

Quero que me diga o que fez e em que momento errei, porque sei que não sou nenhuma maravilhosidade, mas sei me virar. Quero que entenda que mesmo que não seja boa para você, um dia serei pra alguém, mas no momento quem precisa entender algo sou eu. Tenho que entender quem era você.

Como entrei nessa roubada de me apaixonar por alguém desprezível e sem coração como você. Alguém que olha o próprio umbigo e nunca o dos outros, mas que de tanto olhar sempre tropeça. Você nunca percebeu o que eu poderia te dar, o quão grande eu era pra você e quão boa eu poderia ser.

Você nunca deu valor ao que realmente importava e sempre dizia que eu não era suficiente. Mesmo que ela tenha sido o que você sempre quis, era comigo que estava e era para mim que voltava. E eu me pergunto de novo, aonde for que nos perdemos? Porque não há sentido nessa loucura toda eu estar com alguém que nunca me encontrou.

Em algum momento você me amou, não tenho dúvidas quanto à isso, mas meu coração diz que esse amor nunca foi o mesmo que o meu. Que era pena, dó e qualquer outra coisa banal, mas nunca um amor que a gente leva pra vida. 

Eu sei que me perdi nos meus pensamentos e minhas pernas bambearam, eu tropecei e caí, mas pensei que talvez você pudesse me segurar, que pudesse me levantar novamente, porque é isso que apaixonados fazem. Se um cai o outro levanta, mas nunca vai deixá-lo no chão. E você não fez isso.

Eu tropecei nos meus erros, me enrolei, pedi desculpa e caí. Você nunca mais me levantou, tive que me virar sozinha para ser o que não sou e sair do poço que você me afundou. Eu não me reconheço mais.

O telefone dele toca.
- Alô?
- Ei…ham, desculpe-me por ligar-te esta hora, mas sei que não estas dormindo, sei que estas acordado, deitado em sua cama, pensando em tua vida, ou talvez em qual será sua próxima vitima. Me ouça, tá legal? Apenas me ouça. Só queria saber se estas bem, se estas fazendo as coisas direito, se estas sendo feliz. Você me disse que seria por uma semana só e já se foi um mês. Não, não estou te pedindo pra voltar pra mim, não estou te pedindo pra vir me tirar da minha monotonia de todos os dias, só estou dizendo que eu sinto sua falta. Sinto falta das suas brincadeiras idiotas, de discutir com você sobre quem ama mais, sinto falta até de nossas discussões idiotas, sinto falta de absolutamente tudo que passei com você. Ei, você deve estar pensando "como ela é idiota.” mas, desculpe-me se ainda te amo. Você pode até dizer que isso ainda é imaturo, que daqui um tempo eu vou te esquecer, mas eu conheço meu coração e ele não está igual antes. Não consigo enxergar a minha frente, não consigo ver alguém com outros olhos, a não ser você. Peço perdão a ti por não ter sido o bastante pra você, por não ter sido o bastante para nós, mas posso te dar a certeza que tentei, tentei te fazer sorrir, te fazer feliz, tentei ser o melhor que eu podia, tentei ser o que você queria, mas infelizmente não fui capaz. Ainda está ai? Ainda está me ouvindo? Continua me achando idiota? Pense o que quiser, eu só preciso lhe dizer que, por mais que eu demonstre não me importar, eu me importo. Caralho e como me importo. Eu tomo suas dores pra mim e se eu pudesse eu tiraria elas de você e colocaria-as em mim, só pra você se sentir bem. Acho que estou falando demais, sempre falo não é? Não me chame de louca, nem nada do tipo por estar ligando-te e dizendo-te estas coisas sem sentido, só saiba que és porque ainda te amo pirralho, e ainda te quero ao meu lado. Tu és como meu forte. Estou vulnerável sem você agora, é como se eu estivesse viva, mas sem um coração, é como se no lugar de um coração estivesse uma pedra de gelo, ou talvez eu ainda tenha um, e ele esteja trancado e só tem um espaço lá dentro. Se ele não for teu, não será de ninguém também. Desculpe-me por tudo isso, desculpe-me por estar te incomodando, desculpe-me por ser incapaz de te fazer feliz. Já disse isto não é? Ah foda-se, tem mais uma coisa. Sabe o ciumes que sentia por ti? Então, não era possessividade, não era paranoia, muito menos desconfiança, era só medo, medo de perder a unica pessoa que me mantinha viva, que mantinha meu corpo quente, meu coração batendo por vontade própria e não por obrigação. Assim feito, eu te perdi, e meu coração se fechou, se congelou. Mais uma vez te peço desculpas e saibas que te amo, e que nunca ninguém tirará teu lugar daqui, daqui do meu peito. Espero que sejas feliz pois teu sorriso pra mim, és a unica coisa que realmente importa. 
- Desculpe-me por não poder estar contigo, por não ser bom o bastante pra te fazer feliz. Desculpe-me por fazer-te me amar. Saibas que ainda te amo também…
Ela o interrompe.
- Mas o amor, nem sempre é o suficiente.
Ela desliga o telefone.
(texto retirado do meu tumblr pessoal - sem adaptações)

Ele era diferente dos tipos de cara que eu conhecia. Nunca aparentava estar mal ou algo do tipo. O sorriso sempre estampava seu rosto e as piadas faziam parte da sua rotina diária. Como eu disse, ele era diferente.

Juro que tentei não dar bola, não ligar ou me importar, mas acabei não resistindo. Depois de anos tendo o visto pela primeira vez, resolvi dar oi, chamar, mandar sinal de fumaça, jogar uma pedrinha na janela. Vai que dava certo.


Não que eu queria que desse mas, só queria conversar, bater um papo, sei lá eu. Acho que a atração falou mais forte e foi por isso que acabei indo atrás. Curtida vai, curtida vem, chamei pra sair. Que irônico! Eu que me digo tão correta, chamei um cara para sair comigo, comer e beber algo porque eu precisava incessantemente conhece-lo. 


Eu poderia parecer uma louca varrida por falar com alguém que nem me conhece, e que provavelmente deve me achar uma maluca em série. Mas já que todos pensam assim, não faria diferença se ele pensasse também. Até porque nunca me importei com que os outros achavam das minhas maluquices.


Mas ele respondeu, ele deu bola, deu trela e ainda quis mais. Fez sentir-me como uma princesa, foi doce e bobo. E o legal disso tudo é que, por mais incrível que possa ter parecido, me senti meio perdida. Até porque quando você foge dos padrões de homens que conhece, você entra num mundo totalmente ao contrário. E acho que eu entrei.


Acho que entrei num mundo onde há um homem que pode me proteger e ser ser mau ao mesmo tempo - não no sentido de malvado, mas no sentido de ser... ahhh -, além de que sei que, tudo que eu vestir que for dele, ficará um vestido em mim. Fofo e engraçado. Nunca me imaginei nessa situação, nunca pensei que poderia querer alguém que nem sequer conheço. Nunca pensei que talvez pudesse dar certo.


O problema é que talvez não dê, que talvez, sabendo do meu passado e dos erros que cometi, ele desista. Talvez não entenda e vá embora. E é ai que o medo me corrói, que entra no meu peito como uma flecha inflamada. E eu me perco novamente, mas agora não na paixão que me queimava, e sim na dor que eu poderia sofrer por ela.
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Autora





Cranela é a singela mistura de cravo e canela. Dizia Jorge Amado "Gabriela".

Gabriela Cadamuro, canceriana, 24 anos. O jornalismo é a minha vida e a escrita é mais ainda, o chocolate é a forma de adocicar-me enquanto o café é de amargar-me. Tudo aqui foi e é criado com a vontade do ler, escrever, conhecer e amar. Tem muito mais por ai. Beijo, Cranela.

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