Cranela: Por que escolheu a profissão de jornalista? O que te encanta na área?
Mariliz: Eu era muito jovem quando fiz vestibular, tinha uma vaga ideia do que me esperaria. Tinha dúvidas entre publicidade e jornalismo. Teria que me mudar para SP para fazer publicidade, na época, e acho que meus pais nem teriam como bancar uma faculdade particular, mais moradia etc. Mas eu gostava muito de ler jornal e tinha um grande ídolo, que é o Clovis Rossi. Mas confesso que quando entrei na faculdade não tinha ideia do que seria meu futuro.
Cranela: Seus textos são sempre instigantes e até incomodam certos leitores pois tocam na ferida, o que acha disto?
Mariliz: Não é proposital. Acho que eles acabam sendo um pouco polêmicos porque eu tenho uma visão menos romântica e mais objetiva sobre alguns assuntos. Muita gente escreve colocando para fora seu lado mais sonhador ou idealizador, eu escrevo o que penso sobre o mundo e sobre as pessoas.
Cranela: Qual seu texto preferido e porque?
Mariliz: Difícil dizer, mas um dos que eu gosto bastante e nem é um dos mais lidos, é 'Mãe, reza por mim'. Porque fala muito da relação que eu tenho com a minha mãe e também o que muita gente vive por aí.
Cranela: O que acha dos jornalistas que estão se formando hoje e de não necessitarem de diploma para exercer a profissão?
Mariliz: Acho que alguma formação é sempre necessária, não exatamente o curso de jornalismo, que está ultrapassado e defasado. O que o jornalista precisa, além de técnica, é conhecimento, e de preferência se especializar em alguma área. Vejo as pessoas escreverem tanta bobagem sobre assuntos simples. Se você quer cobrir saúde, vá estudar anatomia e fisiologia, entre outras coisas. Eu fiz isso. Se quer escrever sobre viagem, estude história e geografia. As pessoas se destacam quando se especializam em alguma coisa.
Cranel: O Brasil não é um país que possui muito incentivo a leitura, apesar de todos os eventos existentes, os jovens brasileiros não são acostumados a ler. Como você descreve seu público, já que seus textos são longos, no entanto, cativantes e adoráveis?
Mariliz: Eu realmente fico surpresa que as pessoas leiam textos tão longos. Não saberia analisar a razão, mas posso chutar que é pela forma objetiva e honesta que eu escrevo.
Cranela: Se puder deixe um recado para os próximos jornalistas que estão prestes a se formar.