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Essa garota impulsiva, chata, chorona, manhosa e dengosa que você vê agora, é a mesma que você conheceu a um tempo atrás. Só que naquela época eu era fria e discreta. Não mostrava minha verdadeira eu pra qualquer um. Eu nem sequer pensava que um dia eu estaria onde estou com você. Uma bosta de ironia, porque quando te conheci, quando te beijei, eu jamais pensei que você iria foder minha vida como faz agora.
Naquele dia eu não queria te beijar. Você era só um "amigo conhecido" de longa data, porque meus amigos te conheciam e eu trombava com você. Quem diria eu conversando com você?! Bem, mas quem diria eu te beijando? Foi o que eu fiz, porquê eu não sei. Mas acredito que Ele me empurrou. Eu saí daquele carro desnorteada porque aquele beijo tinha sido diferente de todos os beijos que eu já tinha dado, de todos caras que eu já tinha ficado. Até do meu ex! Fiquei perplexa e tentando entender a que ponto aquilo ia. Se dependesse de mim não ia.
Burra! Você me chamou pra sair, eu sugeri o lugar e... gostei de você, cara! E, de novo, você me chama pra dar uma volta. Mas para minha doce surpresa, sua mão esbarra na minha quase sem querer, né? Eu fiquei a tarde inteira segurando sua mão. Aquilo estava começando a piorar. Eu brigava comigo mesma e dizia não a você mentalmente. Só um cara, só mais um. E começou as surpresas. A pessoa que você era foi aparecendo e eu num deslize acabei me soltando. Eu não podia ter me aberto pra você, e contei meu maior segredo. Comecei ali, a perceber que o beijo empurrado de Deus não tinha sido a toa. Foram dias e semanas se vendo, comendo e engordando juntos. Beijando e fazendo amor. Foram intensas semanas.
A gente comprava bebida e enchia a cara dentro do seu carro até um olhar pro outro e ver uma chama de tesão. Caramba, aquilo era fantástico. Conversas jogadas foras, discussões sobre assuntos que remetiam à nossa vida profissional. Nossos desejos e nossas vontades. Eventos que queríamos ir. Lugares para onde fugir juntos. Era bom deitar no seu colo e ficar te olhando enquanto você dizia que não conseguia me beijar porque não alcançava. Eu levantava e sentava no teu colo. Perfeito, agora eu te beijava sem parar.
Lembro da primeira vez que te beijei e você disse o quanto meu beijo era o melhor. Todos os dias pedia para que repetisse isso. E eu te beijava mais e mais, até perder o ar. Até você me descobrir por completa. Até cair sua ficha de quem sou. Eu me abri e me revelei confiando em que, talvez, eu pudesse fazer isso pois não haveria mais perigo ali. Eu, aparentemente, estava em um ambiente e num colo seguro. Não! Eu fui mostrando a verdade por trás do gelo e me lapidando pra você. Assim começou a confusão. Por mais que eu saiba que você me quer, não parece. Não por falta de demonstração e sim por falta de querer.
Antes sua vontade de me ver até me emocionava, hoje minha vontade só cresce e você prefere futebol. Antes você não desgrudava sua mão, hoje segura no máximo nos meus dedos de forma larga, eu não te sinto. Antes nossa paixão e nosso fogo consumia a rua, o carro, a casa, a cama. Hoje nem se faz questão. E talvez seja porque eu confiei demais e te deixei entrar. Abri a porta pra você e você bagunçou toda a minha confusão existencial.
Hoje eu peço pra Deus me empurrar de novo, mas pro caminho certo. Seja este ficar com você ou não. Se foi Ele que me colocou aqui, do teu lado e me fez mulher com você, então você era homem comigo. E sentiu medo. Se não me quiser mais contigo, me avisa, me da um beijo pra eu guardar as coisas boas e siga em frente. Eu irei em frente também. Quem sabe não agora, mas depois a gente se tromba, se beija e se ama?! A decisão é sua. Ou fica ou vai embora. Eu fiquei, falta você escolher. E ai, o que vai ser? Olha no meu olho e fala, porque eu sou sua.
Cranela
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